Toyota Prius Plug-in: Mais quilómetros em silêncio

Reis Pinto
Reis Pinto
Jornalista
Jornalista

A Toyota apresentou, em Barcelona, Espanha, a nova geração do Prius Plug-in, uma versão do seu mais popular híbrido, que permite carregar as baterias e percorrer até 50 quilómetros em modo exclusivamente elétrico até uma velocidade máxima de 135 km/h.

Para distinguir as duas versões, a Toyota redesenhou a frente, que ficou mais agressiva e a traseira, bem mais consensual que a da versão apenas híbrida. Destaque para o vidro traseiro com o formato de dupla bolha.

No primeiro dia da apresentação o percurso, de mais de 150 quilómetros, levou os jornalistas a atravessar a cidade de Barcelona, com destino aos arredores de Girona. Num trajeto, com cidade, autoestrada e um pouco de estrada de montanha, o Motor24 conseguiu fazer 46 quilómetros sem gastar uma gota de gasolina e com dois ocupantes a bordo. Chegamos ao final do percurso com uma média de 2,8 l/100 km, que poderia ter sido ainda inferior, não fora algum “entusiasmo” no acelerador após esgotada a capacidade da bateria.

Ou seja, o consumo homologado de um litro aos 100 km poderá ser difícil de atingir, mas não deverá ser muito complicado baixar dos dois litros.

Mas, mesmo o consumo médio que atingimos se pode considerar bastante bom para uma berlina de quatro lugares (sim, leu bem, mas explicamos a seguir), um peso de 1.625 quilos e 4,65 metros.

Em modo elétrico e circulando pela cidade, o carro exibe uma apreciável vivacidade, inserindo-se muito bem no tráfego urbano e num silêncio reconfortante.

Uma das inovações deste Prius é a existência de dois motores elétricos. Um deles é o gerador que atua como um segundo motor quando circulamos em modo EV (Eletric Vehicule).

Compromissos

Esta nova geração do Plug-in da Toyota atinge o dobro dos quilómetros em modo elétrico e permite ganhar mais 55 km/h na velocidade máxima que pode atingir antes de entrar em funcionamento o motor a gasolina. Permite três modos de condução (ECO, Normal e Power) e quatro modos de propulsão (Elétrico, Elétrico em cidade, Híbrido e Modo Carga da Bateria).

O aumento de peso (200 quilos) em relação ao Prius “normal” obrigou a alguns compromissos, como uma lotação limitada a quatro ocupantes, uma menor capacidade da bagageira e uma velocidade máxima de 162 km/h, justificada com alguns ajustes na caixa de velocidades. O objetivo foi o de manter alguma vivacidade e dinâmica na condução.

Em estrada o que se nota é um aumento do ruído do motor, sem que isso se traduza em mais velocidade. O Prius, que conduzimos recentemente, pareceu-nos bem mais silencioso e expedito.

Se conduzido como um híbrido deve ser – focados nos consumos – o comportamento deste Prius não oferece grande críticas. No entanto, se houver necessidade de impor um ritmo mais vivo vêm ao de cima algumas limitações da suspensão, mais desagradáveis que verdadeiramente preocupantes.

Mas este Plug-in está focado no consumo. Por exemplo, a Toyota desenvolveu um sistema de aquecimento do habitáculo por bomba de calor para não “roubar” energia às baterias. E disponibiliza uma versão com painel solar no tejadilho – Power Sky – que, afirma a marca, permite ganhar até cinco quilómetros diários de autonomia elétrica. O painel carrega uma bateria auxiliar de 12v, que compensa as necessidades de energia de sistemas auxiliares.

Esta versão, a mais cara, não é compatível com alguns dispositivos de segurança ativa precisamente para não acrescentar mais peso ao carro.

Carregar completamente a bateria demora cerca de 3.10 horas numa tomada doméstica e duas horas com uma wallbox.

Objetivo são as frotas

O preço será, sem dúvida, um dos entraves à compra do Prius Plug-in. O modelo mais barato custa 41.200 euros e o mais caro, o Power Sky, 43.200€.

Daí que, em Portugal, a Toyota vise o segmento dos carros de serviço. Ricardo Amaral, diretor do Departamento de Comunicação e Marketing da Toyota Caetano Portugal, recordou, durante a apresentação, que o Plug-in tem 75% de desconto no Imposto Sobre Veículos, o IVA é dedutível em 100% para empresas e empresários em nome individual, 100% das depreciações da viatura são aceites como gasto fiscal em sede de IRC, tem taxas de tributação autónoma reduzidas em 50% para os empresários em nome individual e em 64% para as empresas a que se soma um incentivo direto à compra de 562,50 euros para viaturas híbridas plug-in .

“O nosso target são as frotas, para as quais conseguimos preços interessantes. Para os particulares apenas vamos dispor de uma oferta, que será o pack Pele, disponível na versão base sem acréscimo de preço”, referiu.

Em Portugal, um em cada três Toyota vendidos é híbrido e a marca sublinha que, em 20 anos, já foram vendidos 10 milhões de híbridos, dos quais 3,9 milhões eram Prius.

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