De Velar se vai ao longe

Rui Pelejão
Rui Pelejão
Editor-Executivo

O novo Range Rover Velar é daqueles carros que apetece levar até ao fim do mundo. Um SUV luxuoso e confortável com que podemos fazer uma longa tirada de estrada ou perdermo-nos por maus caminhos. Ir é o melhor remédio.

Um bom automóvel é também um apelo ao imaginário e há marcas, como a Land Rover, que evocam imediatamente um imaginário. Longas viagens, aventuras até ao fim do mundo, expedições para explorar e desbravar novas fronteiras.

Basta um primeiro relance pelo novo Range Rover Velar para me imaginar a serpentear em estradas geladas entre os fiordes noruegueses, a subir os trilhos das terras altas escocesas em direção ao Loch Ness, ou a levantar pó num estradão do Alentejo mais profundo e inacessível.

Se alguém de repente me dissesse que tinha de ir do Cabo da Roca ao Cabo Norte num tirinho, esta era provavelmente a minha escolha, porque mais do que um SUV com superpoderes todo-o-terreno, o Velar é um majestoso estradista, concebido para galgar quilómetros e para oferecer ao condutor e passageiros um nível de conforto digno de classe executiva em viagens intercontinentais.

O interior, espaçoso, parece uma sala de estar sobre rodas. Os bancos são autênticos sofás de luxo, com uma série de regulações possíveis que se moldam ao corpo como um bom fato à medida.

A posição de condução permite-nos olhar para a estrada com a autoridade de um almirante e depois todos os sistemas de navegação e entretenimento são à medida de um grande cruzador do asfalto. Destaco os dois ecrãs tácteis com mais polegadas do que o arquivo de identificação, a partir dos quais é possível, de forma intuitiva, controlar grande parte das funções do Velar, que está equipado com uma série de evoluídos sistemas de segurança e conforto. A qualidade do som do sistema áudio faz do habitáculo uma pequena sala de concertos, bem isolada dos ruídos do exterior. Este Velar é o mehor Range Rover de sempre em eficiência aerodinâmica, o que conjugado com a qualidade de montagem e o vasto recurso a alumínio na construção, lhe dá uma solidez notável. cMas a principal razão para o conforto de rolamento encontra-se na evoluída suspensão pneumática que se adapta ao tipo de piso e parece fazer o Velar planar sobre o asfalto.

Estilo na estrada

Desenhado por Gerry McGovern, o consagrado designer britânico que assinou o projeto Freelander e o protótipo que deu corpo ao Evoque, o novo modelo da exclusiva Range Rover vem posicionar-se precisamente entre o Evoque e o Range Rover Sport no alinhamento da gama.

Recorre à mesma plataforma do Jaguar F-Pace, beneficiando das sinergias criadas pelo grupo indiano Tata, que tem vindo a fazer renascer as duas jóias da coroa da indústria automóvel britânica – a Jaguar e a Land Rover -, no que constituiu uma deliciosa ironia pós-colonial.

A assinatura do design é um dos cartões de visita do Velar. McGovern e a sua equipa conseguiram fazer um gigante elegante e esculpir um dos mais sedutores SUV do mundo, graças a um design coeso, harmonioso e que não trai o ADN da marca, antes o eleva a um novo patamar.

O que o seu porte sugere tem correspondência nas aptidões estradistas. A versão que me coube para um fim de semana de evasões na Beira Baixa estava equipada com o motor 2.0 Diesel de 240 cavalos, conjugado com uma caixa automática de oito velocidades, mas a gama em Portugal é completíssima e inclui mais motores a Diesel e gasolina, com potências que vão dos 180 aos 380 Cv e preços que oscilam entre os 68 e os 136 mil euros.

O Velar faz jus aos pergaminhos da marca pioneira no todo-o-terreno e mostra que não é um SUV só para subir passeios

Este Diesel é um motor equilibrado e adequa-se ao melhor compromisso entre prestações e consumos que as longas viagens recomendam, mas falta-lhe algum fulgor, sobretudo para recuperações e ultrapassagens, já que tem de fazer mover duas toneladas e meia de automóvel.

A caixa também não é a mais rápida do condado, mas as passagens são suaves e impercetíveis, mesmo quando recorremos (raramente) às patilhas no volante. Os consumos até podem ser honestos, atendendo ao peso, desde que não se tenha o pé muito pesado, até porque este Velar não foi feito para grandes correrias; não é um sprinter, mas um maratonista.

Em autoestrada é um cruzador e em estrada mais sinuosa tem o caráter típico de um Range Rover, conforto acima de dinâmica, ou seja, está tudo tão filtrado que até nos esquecemos que em curva as leis da física falam mais alto e o Velar não é propriamente um ágil ginasta, pelo que se recomenda uma condução ao estilo de “embalo”, ou seja, ir embalado, mas não demasiado rápido para não ter de travar muito à entrada da curva e depois ter de ir puxar pelos cavalos para retomar a velocidade em estrada.

Quando estiver farto de estrada e quiser meter-se por maus caminhos, o Velar faz jus aos pergaminhos da marca pioneira no todo-o-terreno e mostra que não é um SUV só para subir passeios.

A gestão eletrónica dos sistemas Terrain Response 2 e All Terrain Progress Control, adapta a resposta a todo o tipo de pisos e aderência (ou falta dela), desde neve, lama ou gravilha e permite ultrapassar todo o tipo de obstáculos e ir mais longe do que a maior parte dos outros SUV do mercado.

É essa a quintessência deste “country gentleman” da Land Rover, a capacidade de ir mais longe.

 

Ficha técnica

Range Rover Velar 2.0D D240 R-Dynamic HSE 4WD

Motor 2.0 Diesel

Potência 240 Cv

Velocidade Máxima 217 Km/h

Consumo Combinado 5.8l/100km

Emissões de CO2 154 g/km

Preço 102 750 €

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