Volkswagen Golf R: Com o Diabo no corpo

Reis Pinto
Reis Pinto
Jornalista
Jornalista

Parado, parece mais um Golf, embora um olhar mais atento note uma grelha e para-choques diferentes, com entradas de ar mais generosas, a inserção discreta de dois “R”, faróis e farolins traseiros em LED, quatro saídas de escape e as capas dos retrovisores exteriores. Mas pouco mais denuncia a “fera”. E, no entanto, a Volkswagen não fez por menos e dotou este Golf de 310 cavalos, 400 Nm de binário e um sistema de tração integral (4Motion). O Motor24 ensaiou-o e garantimos que a discrição termina quando o motor acorda em modo “Race”: belo ronco…
O azul vivo assenta bem a um carro que se assemelha um “sleeper” (carros de aparência exterior normal mas com uma motorização bem apimentada). Arrancando nos modos “Eco”, “Confort” ou “Normal” da caixa de dupla embraiagem DSG, de sete velocidades, com patilhas no volante, é um Golf normal, um vulgar familiar, bem construído e acabado, que serve para levar os miúdos à escola ou ir às compras. Tudo se passa tranquilamente, sem stress ou taquicardias.

Infernal
Mas o Diabo paira sobre a nossa cabeça e rapidamente nos convence a experimentar o modo “tira-pontos-da-carta ou põe-todo-o-prédio-a-olhar-para-ti-de-lado”. “Race”, aí vamos nós!
O troar dos escapes, os rateres, a aceleração brutal, a forma como o 4Motion tira o Golf das curvas são um espanto. Este “Diabo que veste azul” parece cuspir fogo a cada redução da rápida caixa DSG e o sistema 4Motion assegura que a motricidade seja a perfeita.
Em condições normais, o R comporta-se como um vulgar tração dianteira e só quando é necessário passa potência para as rodas traseiras. E é muito difícil fazer este Golf perder a compostura, tornando-o, por isso, um automóvel extremamente seguro, independentemente das condições de aderência da estrada. Para os mais dotados, é possível desligar o Controle Eletrónico de Estabilidade (ESC).
A marca anuncia uma velocidade máxima (autolimitada) de 250 km/h e uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 4,6 segundos… Este registo é conseguido no modo “Race”ativando o “launch-control” (colocando o ESC no modo Desportivo). Pisa-se o pedal do travão e acelera-se a fundo. Largando o travão, este R dispara como um míssil balístico e com uma banda sonora a condizer, mesmo que no interior do carro o som seja trabalhado artificialmente.
Este motor 2.0 TSI é utilizado igualmente pela Seat e pela Audi, outras duas marcas do grupo Volkswagen, e a potência surge de uma forma ininterrupta entre as 2500 e as 5000 rpm. Uma delícia.

Equipamento à altura
O R está bem equipado, incluindo a função gestual do sistema de informação e entretenimento para mudança de estações de rádio ou algumas funções do menu principal.
Só reconhece gestos verticais e horizontais e não nos pareceu imprescindível. Surge associada ao sistema Discover Pro, com ecrã de 9,2 polegadas. Bem mais prático é ecrã de alta resolução, o Active Info Display, que substitui o painel de instrumentos convencional e é configurável.
Este “Diabo” dispõe de cruise control adaptativo (ACC), que ajusta a velocidade em estrada ao carro da frente, de Front Assist, sistema de monitorização do trânsito com possibilidade de travagem de emergência e deteção de peões.
Destaque para o opcional Emergency Assist, que reage de forma automática quando não consegue detetar qualquer atividade do condutor, tentando então chamar a atenção com ligeiros toques no travão, avisos sonoros, ativação dos piscas de emergência ou realizando movimentos alternados na faixa de rodagem.
Este R dispõe de discos dos travões perfurados, com pastilhas especiais à frente e logótipos nas pinças de travão e admite, em opção, ser equipado com pneus semi-slicks. É ainda possível anular o limite de velocidade de 250 km/h, que passa para os 267 km/h.
Igualmente como opção está o sistema de escape em liga de titânio, desenvolvido em conjunto com a Akrapovič, que pesa menos sete quilos que o de origem e tem uma sonoridade ainda mais desportiva.
O espaço a bordo alinha pela média do segmento e permite viajar com desafogo em todos os bancos, a bagageira, com 343 litros de capacidade, obriga a decisões difíceis na altura de viajar, mas não faltam locais de arrumação para os objetos do dia-a-dia. O consumo declarado pela marca (média de 8,7l/100 km em circuito urbano) dificilmente será atingível, mas também é quase impossível resistir ao peso do pé direito e, assim, não há média que resista…
O Golf R custa a partir de 54 850 euros com caixa manual de seis velocidades e 56 259 euros com a DSG7.

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