De Lisboa a Silicon Valley: Como os ‘digital labs’ da Volkswagen querem mudar a indústria

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Colocando Lisboa no rumo de uma nova estratégia de desenvolvimento digital, o Grupo Volkswagen está a criar na capital nacional um centro de tecnologias de informação (IT). Lisboa passa assim a integrar uma rede de cerca de 40 laboratórios tecnológicos que se estendem de Berlim a Silicon Valley, passando pela China e pelo Japão. O que são e para que servem?

Nada como consultar a plataforma de recrutamento do Grupo Volkswagen para tomar um esclarecedor “banho de realidade”. Sem querer ficar alheia a este esforço de transformação, o grupo germânico anunciou no final de 2016 a colocação em marcha do seu plano apropriadamente denominado ‘TRANSFORM 2025+’, procurando fazer o trajeto de um grupo automóvel tradicional para fornecedor de serviços digitais, com a mobilidade elétrica e autónoma, os serviços de mobilidade e a interação em rede a conduzirem as ideias e a oferta.

Assim, muitas das instalações do grupo são hoje laboratórios digitais, verdadeiros ‘think tanks’ com uma dinâmica própria e centrada na criatividade. Um desses centros mais emblemáticos é o de Berlim: num espaço repleto de luz natural e de plantas, um enorme ‘open space’ enche-se de equipas de programadores, de especialistas em realidade virtual, de gente com a idade da Internet. Todos os projetos envolvem um movimento de criação, sejam eles um software corporativo ou uma solução de mobilidade para veículos autónomos e conectados entre si. Aqui pensa-se no futuro cada vez mais próximo. E trabalha-se de uma forma inédita no mundo automóvel.

O laboratório – é assim que o Grupo Volkswagen faz questão de lhe chamar – de Berlim é um dos mais recentes de uma rede de centros tecnológicos que o construtor tem vindo a instalar um pouco por todo o mundo. Além deste na capital alemã, existem ainda em Barcelona, Munique, Wolfsburgo (a cidade-sede da Volkswagen) e, claro, São Francisco, mais exatamente a uns quilómetros a sul, em pleno Silicon Valley. Ao todo, entre laboratórios, start-ups e centros digitais, são cerca de quatro dezenas de incubadoras de um futuro que se aproxima cada vez mais rapidamente. Uma corrida que o Grupo Volkswagen quer liderar.

Ideal semelhante para Lisboa. O fabricante germânico está a criar um centro de desenvolvimento de software na capital portuguesa, para servir o Grupo Volkswagen IT e a MAN Truck & Bus AG. O objetivo é que a médio prazo cerca de 300 peritos em tecnologias de informação trabalhem nas novas instalações. Soluções de software baseadas em “cloud” para a digitalização adicional de processos corporativos e para veículos conectados vão centrar o trabalho deste novo centro.

Ecossistemas digitais

Os laboratórios são centros de desenvolvimento de IT com uma filosofia inovadora, concebidos num formato de start-up e com uma estrutura autónoma da restante companhia, em especial nos processos. O objetivo é proporcionar um ambiente propício à experimentação de novas tecnologias sem influências da estrutura organizativa da empresa. Como se procurasse uma “tábua rasa”, um pensamento puro e “fora da caixa”.

Trabalhando em cooperação estreita com universidades, instituições de investigação e parceiros tecnológicos, os laboratórios digitais do Grupo Volkswagen têm sido o coração das novas soluções em áreas como a Indústria 4.0, ‘big data’, análise avançada de dados, inteligência artificial, conectividade e, claro, o crucial mundo da Internet das coisas (IoT), no qual se perfilam soluções entusiasmantes na ligação entre o carro e a World Wide Web… No lado corporativo, os laboratórios também funcionam como catalisadores de novos modelos de trabalho e de métodos de recrutamento, entre outros.

Com esta estratégia, o Grupo Volkswagen pretende agarrar as oportunidades oferecidas pela digitalização, num caminho que irá conduzir a soluções personalizadas de mobilidade inteligente para cada utilizador.

Agora, será Lisboa a fazer parte desta história, como sublinha Martin Hofmann, CIO do Grupo Volkswagen: “Queremos recrutar em Portugal especialistas de IT altamente qualificados e bastante motivados. O nosso novo centro de desenvolvimento de software em Lisboa será o decisivo próximo passo. Estamos a deslocar a história de sucesso dos nossos laboratórios digitais em Berlim para Portugal: combinando funções interessantes com os métodos de trabalho ativos mais avançados do cenário de IT”, explica.

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