Contacto Alpine A110 Première: Prato forte de emoções no Estoril

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

O convite feito pela Renault tinha os condimentos suficientes para causar água na boca. Poder conduzir no carismático circuito do Estoril aos comandos de duas das principais novidades do grupo Renault. Um deles não era propriamente novidade, o Renault Mégane R.S., com o qual já tínhamos tido um primeiro contacto no circuito de Jerez de la Frontera, em Espanha. Mas o Alpine A110, a reencarnação do desportivo icónico gaulês, estava no ‘cardápio’ como prato principal, sendo esta a primeira oportunidade de contactar com o A110 em circuito nacional.

À disposição dos jornalistas um Alpine A110 de edição especial e limitada – 1955 unidades, todas elas já vendidas sem números revelados de quantos em Portugal –, denominada Première Edition, em cor azul e repleta de equipamento. A premissa deste modelo, pensado pelos engenheiros da ressuscitada marca francesa como um ‘aceno’ ao passado do simples e puro prazer de condução era conjugar baixo peso (bem repartido), baixo centro de gravidade e potência capaz de fazer o A110 serpentear voluntariosamente em estradas sinuosas.

Para o motor, a recorreu-se ao mesmo bloco 1.8 turbo que se pode encontrar no Renault Mégane R.S., mas se neste a potência é de 280 CV, o Alpine baixa um pouco a fasquia para os 252 CV e 320 Nm de binário máximo entre as 2000 rpm e as 5000 rpm. Acelera dos zero aos 100 km/h em apenas 4,5 segundos e prossegue até aos 250 km/h, encontrando-se limitado. A tração é feita às rodas posteriores e a caixa é automática, produzida pela Getrag, com sete velocidades e dupla embraiagem com patilhas atrás do volante.

No interior, posição de condução baixa, ambiente muito requintado e desportivo, com destaque para a instrumentação digital e para o túnel central que não tem um seletor de caixa, mas sim botões para escolha de funções (Drive, Neutral, Reverse). Já os modos de condução são selecionados no ecrã tátil central do sistema de infoentretenimento.

Motor bem vivo e ligeireza forte

Os bancos desportivos têm ótimo suporte lateral e a primeira surpresa é a sonoridade metálica que provém da zona atrás dos dois bancos – a do motor de quatro cilindros em posição central que é sedento na subida de rotações, mostrando competência para subir ganhar velocidade com altíssimo afinco. Tanto que na única passagem a fundo que nos foi permitida pela reta da meta, a travagem para a primeira curva foi feita já com o velocímetro bem acima dos 200 km/h. Mas ainda tinha mais para explorar, houvesse mais reta.

As subidas de regimes e as respostas sempre prontas mostraram um ótimo entrosamento entre motor e caixa com o silvo do turbo a mostrar a sua intensidade com o acelerador a fundo, merecendo por isso uma apreciação muito positiva ao cabo de uma experiência que não durou mais do que cinco minutos – quem contou?

Mas o Alpine é mesmo uma máquina muito penetrante em termos de emoções e rapidamente se ganha o hábito ao jeito mais leve do A110. Porque essa é uma noção fundamental de um carro que não excede em muito a tonelada (1103 kg da edição especial e 1080 da menos equipada).

O modelo de Dieppe sente-se leve, ágil e competente, tanto a acelerar, como na forma de curvar, com uma estabilidade direcional elevadíssima: as transferências de massas são muito bem controladas graças também à proporção de 44%-56% entre a dianteira e a traseira. A travar, outro ponto muito positivo, pareceu-nos, com equilíbrio eficaz sem desequilíbrios do chassis mesmo quando a velocidade de partida é elevada.

Naturalmente, não se dispensou a ‘rede de segurança’. Este era o único modelo da Alpine disponível no evento e o primeiro que fazia e o conselho dos responsáveis pela ação foi de que “não o transformássemos no último evento’, pelo que houve a intenção de que ninguém desativasse as ajudas para condução mais extrema, ou seja, que não se fosse para o modo de condução Track (Pista), ficando-nos pelo igualmente desportivo, mas não extremado Sport (há ainda um modo Normal). Cada um deles faz variar a atuação da direção, caixa, acelerador, controlo de estabilidade e a sonoridade do escape.

Sentiu-se, por isso, alguma retração no momento de colocar a potência no asfalto, com o controlo de estabilidade a cortar alguma energia ao eixo motriz à saída de curva. Ainda assim, elevada diversão e ótima precisão, com muito controlo na entrada em curva e na sua descrição fruto ainda de uma direção rápida a responder e com bom feeling.

O peso já foi mencionado, beneficiando de estrutura em alumínio e de diversos componentes mais leves (os travões Brembo com pinças em alumínio são disso exemplo), tendo ainda dimensões muito compactas: 4,18 metros de comprimento, 1,80 metros de largura e 1,25 metros de altura. Um apontamento ainda para a eficiência aerodinâmica com um arrasto de 0,32 Cx, bastante interessante para este coupé de duas portas.

Enfim, um desportivo que tem tudo para conquistar a sua legião de adeptos, não apenas os indefetíveis da marca que rejubilam com o seu regresso, mas também aqueles que apreciam o prazer de condução e que podem ter aqui uma das alternativas ao Porsche 718 Cayman. O preço ronda a mesma faixa, com os 66.000€ pedidos para esta série especial a trazerem consigo praticamente todas as opções disponíveis da Alpine para o A110. Contudo, mesmo que a queira, não haverá uma Première Edition para si. As 1955 unidades previstas já estão todas esgotadas.

Resta-lhe as outras versões menos equipadas. Só vai perder a placa numerada da edição exclusiva e o equipamento suplementar, porque a diversão promete ser a mesma.

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