‘Diário de bordo’ do Audi A8/Dia 2: Bem-vinda agilidade

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Superada a primeira impressão referente às suas dimensões superiores a cinco metros de comprimento, o Audi A8 surpreende. E não apenas pela variedade de materiais e requinte a bordo, numa ontologia de luxo e refinamento que, diga-se com honestidade, é comum a praticamente todos os modelos deste segmento. Sabe-se e é praticamente aceite que estes modelos são para usufruir nos outros bancos que não o do condutor, mas quis a marca de Ingolstadt que o condutor também tenha prazer na sua tarefa de levar o A8 por estradas mais ou menos sinuosas. Eis o tema da segunda ‘entrada’ no ‘diário de bordo’ que criámos para relatar a nossa vivência com esta berlina de representação.

Primeiro ponto que é preciso notar: o ângulo de viragem do Audi A8 disfarça com enorme competência as suas dimensões, podendo por isso ‘navegar’ com algum à vontade nas estradas urbanas. Além disso, conta com eixo traseiro direcional, o que lhe incrementa o dinamismo em curvas mais cerradas e, com as rodas traseiras a virar no sentido contrário às da frente a baixa velocidade, ajuda nas manobras em cidade. O mesmo é aplicável, sobretudo, para os momentos em que é preciso estacioná-lo nos parques de estacionamento subterrâneos, alguns dos quais certamente projetados por engenheiros maquiavélicos que claramente não previram a chegada de modelos de estilo SUV ou berlinas de grande porte. Ou que apenas pouparam no espaço.

Voltando ao A8, fuja-se da cidade e dos troços mais concorridos de outros carros, semáforos e peões e tem-se um modelo com neutralidade de reações inesperada pela positiva, mudando de direção com estabilidade e com as transferências de massa bem suportadas pela suspensão pneumática que lhe permite, dessa forma, lidar de forma variada com o tipo de piso e ora salvaguardar o condutor dos buracos de grandes dimensões na estrada, ora oferecer dinamismo muito decente que para um modelo com cerca de duas toneladas.

Não se pode equiparar a um desportivo na verdadeira aceção da palavra, mas o A8 não desaponta quando se eleva o ritmo. Ainda assim, seja-se demasiado otimista e atingem-se os limites proporcionados pela aderência, apelando-se nesse momento à entrada em ação do competente sistema de tração integral quattro, tecnologia com tanta tradição na Audi que dispensa hoje apresentações, tendo ainda diferencial central autoblocante, sendo essa uma explicação para a boa capacidade de motricidade apresentada. De notar que este diferencial reparte a energia entre os dois eixos em proporção normalmente posta nos 60/40 (frente/trás), podendo alterá-la, porém, num valor que varia até aos 15/85 na divisão da potência entre os dois eixos.

A suspensão com amortecimento adaptativo permite uma maior amplitude de funcionamento, entre o conforto e o lado dinâmico, estando preparada para oferecer um equilíbrio aprimorado entre as duas noções. A par de um referencial Classe S da Mercedes-Benz em matéria de conforto. Como já se referiu na primeira ‘entrada’ do ‘diário de bordo’, a suspensão deixa-se ouvir de certa forma nos buracos mais profundos. Quanto à direção, fica a sensação de que é sempre um pouco mais leve do que desejável – mesmo no modo Dynamic (o mais desportivo) é sempre muito leve. Ajuda se quisermos movimentar o A8 com ligeireza em percursos urbanos, é um facto, mas nos troços sinuosos seria positivo ter um pouco menos de assistência. Mas, uma vez mais, não estamos na presença de um aspirante a desportivo…

Mas há outros segredos para essa agilidade, com a rigidez estrutural a ser uma delas. O novo Audi A8 conta com 58% da sua carroçaria composta por alumínio, por exemplos nos painéis, sendo um material altamente resistente e ligeiro. Por outro lado, o recurso a aços de ultra-elevada resistência elevam a sua capacidade de rigidez estrutural, não só para questões dinâmicas, mas também por incentivos de segurança, permitindo-lhe assim ser mais seguro em caso de acidente. Por fim, há magnésio. E se acompanha os anúncios de televendas, saberá que o magnésio é bom para muita coisa. Também o é como elemento estrutural do A8: este material é utilizado na barra estabilizadora de união entre as torres de suspensão dianteira.

Motor 50 TDI: Trocar por miúdos

A questão da nomenclatura dos novos Audi é algo que tem lógica no seio da estratégia alemã. Mas, só mesmo aí. A versão ensaiada é a 50 TDI quattro Tiptronic. O que na prática se traduz por um motor de 3.0 litros V6 de 286 CV de potência e 600 Nm de binário, associado a uma caixa automática de oito velocidades (Tiptronic). Trata-se de um motor de elevada eficiência e que tem uma postura bastante versátil na estrada, uma vez que permite condução tranquila com imenso refinamento, mas potencial para, energicamente, subir o ritmo com pujança, embora os modos de condução do sistema Drive Select também influenciem a resposta do motor e caixa.

Em modo Efficiency e Comfort, as acelerações são suaves e progressivas, com o primeiro a permitir ainda rodar em modo ‘vela’, ou seja, com motor e transmissão desacoplados, poupando nos consumos e nas emissões. Quando se procura uma recuperação rápida do ritmo, com o natural pisar do acelerador, há uma pequena demora na resposta, decorrente da ‘procura’ por parte do sistema de comando da caixa da relação mais indicada. Depois, o ‘disparo’ do motor turbodiesel.

Em modo Auto, a questão é quase impercetível e no modo Dynamic praticamente ultrapassada, com o A8 a responder com imensa pujança, mesmo que a entrega da potência seja sempre progressiva. Porém, é o binário que faz a diferença, entregue a um regime tão baixo como as 1250 rpm! Por isso, o A8 acaba por aparentar sempre rapidez inerente, algo que a aceleração dos zero aos 100 km/h – em 5,9 segundos – serve para corroborar.

As passagens de caixa são impercetíveis e ajudam a tratar com suavidade condutor e passageiros. No entanto, alguns apontamentos: o refinamento a bordo é ligeiramente importunado pela reativação do motor após entrada em funcionamento do sistema start-stop, com algumas vibrações a sentirem-se a bordo.

Os consumos do A8 em versão Diesel também são apelativos: no total dos 100 quilómetros de ensaio (com percurso sempre a ritmos moderados legais e com 60% de cidade e o restante em nacionais e autoestrada), obtivemos uma média de 6,7 l/100 km, não muito longe dos 5,8 litros anunciados pela companhia germânica. Uma boa medida, portanto.

Elétrico em versão ‘leve’

O Audi A8 conta com um novo sistema de eletrificação suave na forma de uma rede elétrica acessória de 48 volts que recorre a um motor elétrico que serve de motor de arranque nos períodos de start-stop (mantém-se o motor de arranque tradicional por ser considerado mais benéfico a frio) e de gerador elétrico. É o motor gerador que permite desligar o motor V6 Diesel quando circula em ‘roda livre’ ou ‘à vela’, função que se ativa entre os 55 km/h e os 160 km/h, permitindo mantê-lo desligado durante um máximo de 40 segundos.

Contudo, o Audi A8 ainda não é híbrido. Sê-lo-á quando for lançada a versão Plug-in híbrida. Por enquanto, este é apenas um sistema que auxilia os consumos e as emissões, tratando-se de um híbrido ‘suave’.

Amanhã, a derradeira ‘entrada’ neste périplo de três dias com o Audi A8. E agora sim, vamos aproveitar todas as comodidades tecnológicas deste alemão de grande porte.

LEIA A PRIMEIRA ‘ENTRADA’ NO DIÁRIO DE BORDO DE TRÊS DIAS DE A8

Audi A8 3.0 TDI 286 CV Tiptronic

Configuração: Diesel, V6, turbo, intercooler
Cilindrada: 2967 cm3
Potência: 210 CV às 3700-4000 rpm
Binário: 600 às 1250–3250 rpm
Peso: 2050 kg
Bagageira: 505 litros
Velocidade máxima: 250 km/h
Aceleração dos 0 aos 100 km/h: 5,9 segundos
Consumo médio anunciado (medido): 5,8 l/100 km (6,7 l/100 km)
Emissões de CO2: 152–150 g/km
Preço: 119.180€

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