Família ‘X’ da Opel: A tática da força ou a força da tática?

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Com a sua gama SUV completa, a Opel quis mostrar a sua estratégia para o crescimento a curto-prazo: reforçar a aposta neste tipo de modelos com os Mokka X, Crossland X e Grandland X a ganharem novos atributos que visam, desde já, garantir o cumprimento das normas mais restritivas de emissões do WLTP (Worldwide Harmonized Light Vehicle Test Procedure).

Por isso, se a ideia é montar uma estratégia, nada melhor do que ir para um dos sítios onde estratégias e jogadas de génio são delineadas – um estádio de futebol. Mais concretamente, o Opel Arena, que mais não é do que o estádio do 1. FSV Mainz 05, bem perto de Frankfurt, um recinto desportivo algo isolado que tem lotação para 34.000 espectadores (27.000 nos jogos internacionais) e ao qual a Opel dá o nome. Jürgen Klopp, treinador que dispensa apresentações, foi um dos que passou por aquele estádio. Curiosamente, é também o embaixador da Opel…

A tática não é 4x4x2

No caso da Opel, a tática é mais concisa: tem apenas três integrantes e é neles que a marca alemã aposta para fazer números grossos no mercado europeu ao longo dos próximos anos. A este respeito, um dos automóveis com valores bem relevantes é aquele que diz respeito ao mais experiente Mokka X. Um dos primeiros SUV compactos do mercado, este Opel já cerca de 900 mil matrículas no Velho Continente desde 2012.

Mais recente, o Crossland X também já lhe segue as pisadas: lançado no ano passado, o X que veio substituir o Meriva já leva mais de 125.000 encomendas, o que atesta bem a aceitação deste modelo. Não menos relevante, o Grandland X parece estar na calha para fazer ainda melhor, levando cerca de 85.000 encomendas desde o seu lançamento após o Salão de Frankfurt do ano passado.

Opel Grandland X

Englobada no Grupo PSA, a Opel está agora interessada em aumentar estes seus números de vendas com base nos SUV e prevê que em 2021 um total de 40% das suas vendas seja relativa aos SUV.

Vale a pena frisar que, dos três modelos disponíveis pela Opel, dois deles têm uma prestação comercial em Portugal bastante prejudicada pela forma de classificação de portagens obsoleta, com o Mokka X e o Grandland X a serem taxados como Classe 2, o que lhe retira argumentos de luta no mercado. No caso do segundo, embora outros países já o tenham nos concessionários, em Portugal a intenção da marca é ter o SUV à venda ainda este ano, esperando ainda por alguma alteração legislativa que atualize a forma de classificação de veículos em portagens.

Jogada de antecipação

Com o WLTP e o RDE (Real Driving Emissions) a complicarem a vida a muitas marcas, os responsáveis da Opel garantem que têm a tática definida para lidar com as novas implementações regulamentares na Europa em matéria de emissões e de consumos. Assim, a grande maioria dos motores que equipam os modelos X da Opel cumprem a futura norma Euro 6d-TEMP.

Numa gama multifacetada, os modelos da Opel passam a ter assim novas motorizações com tecnologia derivada do Grupo PSA, como são os casos dos blocos 1.2 Turbo de injeção direta de 130 CV para os Crossland X e Grandland X, em ambos os casos possíveis de serem associados a novas caixas de velocidades – manual de seis relações ou automática de oito. Da mesma forma, o motor 1.5 BlueHDi de 130 CV passa a estar igualmente presente naqueles modelos, com caixas manual ou automática de oito velocidades, sendo que o Grandland X poderá contar ainda com uma motorização 2.0 BlueHDi de 177 CV associada unicamente a uma caixa automática de oito velocidades (mais leve em 2 kg do que a anterior caixa automática de seis velocidades).

Sobre o comportamento de algumas destas novidades, teremos outro artigo, mas importante ainda reter que o maior dos SUV da marca germânica irá receber em 2019 a primeira versão Plug-in híbrida da Opel.

Reforços de verão

Os motores utilizados pela Opel nesta sua nova fase derivam da parceria com a PSA, como é o caso do 1.2 PureTech turbo, uma unidade que surge já otimizada nos modelos da companhia de Rüsselsheim, nomeadamente com a inclusão de um filtro de partículas a gasolina, o que lhe permite obter o mais baixo nível de emissões poluentes num motor a gasolina da marca e uma redução dos consumos na ordem dos 4%. A marca destaca ainda o facto de ter regeneração passiva, ou seja, não obrigando o condutor a qualquer ação para a regeneração do filtro de partículas.

Já o motor 1.5 BlueHDi tem construção em alumínio e tratamento de gases de última geração com tecnologia SCR (Redução Catalisadora Seletiva) e absorção do famigerado óxido de azoto (NOx), que deixa este motor bem abaixo das futuras normas de emissões poluentes.

Tanto o bloco 1.2 a gasolina, como o 1.5 Diesel (ambos de 130 CV, como atrás já foi indicado) surgem de base com a nova caixa manual de seis velocidades, projetada de forma totalmente digital e que, sendo mais leve 10 kg do que a anterior, concorre igualmente para uma redução das emissões em 1,5%, porque, mesmo pequenos, todos os ganhos interessam na luta contra as emissões.

O motor 2.0 estreia também algumas tecnologias importantes, como o sistema start-stop de nova geração e um veio de equilíbrio integrado para redução das vibrações e do ruído.

Registe-se, ainda, que a Opel terá a seu cargo o desenvolvimento de todos os motores de quatro cilindros a gasolina para o Grupo PSA, com o primeiro dessas unidades prevista para 2022, com a particularidade de ter funcionamento otimizado para os híbridos.

Mais ligeiras, as novidades no Mokka X prendem-se com o surgimento de um novo modelo de entrada com motor 1.4 turbo a gasolina de 120 CV associado a caixa manual de seis velocidades. Oferecendo mais potência e mais binário do que o anterior 1.6 litros, permite reduzir em 3% as emissoões.

 

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