Ford Fiesta ST: Cilindros são só três, mas os 200 CV impõem respeito

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

O Ford Fiesta volta à carga com mais uma versão ST, derivação desportiva que se mantém como o pináculo máximo da gama, uma vez que a sigla RS está proibida – até ver – para este utilitário. Algo que se pode considerar como uma contradição, uma vez que a marca compete atualmente no Mundial de Ralis (WRC) com o Fiesta e a sigla RS significa Rally Sport. No entanto, cabe-lhe apenas a designação Sport Technology (ST).

Se isso é verdadeiramente importante? Nem por isso. Sobretudo quando o novo Fiesta ST carrega em si uma grande quantidade de novidades, desde logo a começar pelo motor 1.5 EcoBoost de três cilindros com 200 CV de potência…

Poderá causar alguma estranheza desde já a alguns aficionados dos desportivos que um modelo com pretensões a altos ritmos surja apenas com três cilindros. Mas é um sinal do progresso dos tempos, com a Ford a desenvolver uma unidade sobrealimentada de 1.5 litros que é mais compacta do que o anterior motor 1.6 (embora o peso seja mais ou menos o mesmo, de acordo com Leo Roeks, responsável da Ford Performance e um dos mentores do desenvolvimento deste modelo), mas mais eficiente em cerca de 6%.

A razão para o seu peso ser semelhante prende-se com a necessidade de, à supressão do quarto cilindro, ter-se utilizado um veio de equilíbrio no motor para evitar vibrações decorrentes da sua arquitetura. Mais trabalho foi efetuado ao nível da redução dos atritos internos (com revestimentos diferentes dos pistões), aplicando-se ainda dupla injeção e um novo turbocompressor (com um desenho otimizado da turbina para um aumento da pressão mais rápido e, com isso, eliminar o atraso da resposta no turbo). A tradução de todo este jargão técnico está nos dados de performances: 200 CV e potência e 290 Nm de binário entre as 1600 rpm e as 4000 rpm. Os valores de aceleração impõem respeito, com uma capacidade de chegar aos 100 km/h (arranque parado) em 6,5 segundos e uma velocidade máxima de 232 km/h.

Mais potente, mais eficiente

Além disso, de forma extremamente engenhosa, a Ford apresenta aqui a sua tecnologia de desativação de cilindros em motores de três cilindros – ou seja, quando o motor está em fase de roda livre ou em travagem, um dos cilindros desativa-se, baixando os consumos e as emissões, garante a marca americana. Esta tecnologia, assumem, consegue ativar ou desativar o cilindro em apenas 14 milésimos de segundo, cerca de 20 vezes mais depressa do que um piscar de olhos. O seu funcionamento é impercetível.

Ao nível da componente técnica, houve muito trabalho de desenvolvimento específico para este Fiesta ST, como é o caso das ligações ao solo, com suspensão rebaixada, afinação da direção pensada para maior precisão e ‘feedback’ e, também, eixo traseiro com barra de torsão que, de acordo com a Ford, é o mais rígido alguma vez produzido para um dos seus modelos Ford Performance. O intuito, obviamente, é o de oferecer o melhor compromisso possível entre conforto e desportividade, ao mesmo tempo oferecendo também uma elevada qualidade de rolamento.

É tudo? Ainda não!

A suspensão é composta por amortecedores tubulares (duplo à frente, único atrás), que utilizam tecnologia de válvulas RC1 para um amortecimento dependente da frequência do piso. Dessa forma permite um controlo ajustado da carroçaria em curva, sem penalizar em demasia o refinamento.

Por outro lado, a sonoridade também é ponto forte, com a marca a apresentar no Fiesta ST uma válvula de escape para aumentar o som proveniente dos mesmos quando se liga o modo de condução ‘Sport’ (há outros dois, ‘Normal’ e ‘Track’, dos quais falaremos mais abaixo), além de um emulador de som interior que recorre aos altifalantes para tornar a experiência mais intensa. Com isso, ganha-se um muito desejado ‘dramatismo’ auditivo que se traduz num género de ‘pipocas’ a rebentar.

Bem agarrado

Esta terceira geração do Fiesta ST é a primeira a ser oferecida com o diferencial autoblocante Quaife LSD (integrado no Pack Performance), providenciando um maior nível de aderência em curva – o que ficou bem patente no primeiro contacto que tivemos com o Fiesta ST nas estradas de Nice, em França. Sendo um modelo de tração dianteira, o Fiesta ST beneficia bastante com a sua capacidade de aceleração à saída das curvas, eliminando o chamado ‘torque steer’, ou seja, a transmissão ‘nociva’ da potência à direção. O sistema mecânico funciona ao limitar a entrega da potência à roda com menos aderência (por exemplo, a roda interior numa curva), dessa forma melhorando a motricidade, uma vez que o binário é entregue, por outro lado, à roda com maior aderência.

Este sistema funciona em conjunto com o sistema de Vetorização do Binário, que melhora o equilíbrio em curva ao aplicar ligeiramente o travão na roda interior dianteira. Coube à Ford Performance, liderada por Leo Roeks, como já se viu, combinar as duas e acertar o seu funcionamento em seco e molhado.

Tal como sucede no Fiesta Active, o Fiesta ST dispõe igualmente de três modos de condução configuráveis que permitem ao condutor otimizar a sua experiencia de condução, atuando na assistência da direção, resposta do acelerador e sonoridade: o de base, ‘Normal’, equilibra dinamismo com maior conforto. Cabe aos modos ‘Sport’ e ‘Track’ as maiores ambições desportivas. Em ‘Sport’, o mapeamento do motor e a resposta do acelerador ficam mais apuradas, o mesmo se aplicando à direção e à válvula de escape. No mais extremo, o ‘Track’, aplicam-se novas afinações direcionadas para a pista – o controlo de tração é desativado e o controlo de estabilidade é afinado para permitir maior escorregamento.

Estilo viSToso

Naturalmente, a tónica desportiva também está presente no desenho exterior, aproveitando muito bem a carroçaria já de si dinâmica do Fiesta de base. Na frente, a grelha com padrão rendilhado específico é imagem de marca, beneficiando ainda com o spoiler inferior dianteiro, as saias laterais, o difusor traseiro que integra a dupla ponteira de escape e, por fim, o pequeno spoiler superior que concilia elegância com eficácia aerodinâmica. Os faróis Full LED são únicos deste modelo, o mesmo sucedendo com as jantes de 18 polegadas com pinças dos travões pintadas de vermelho vivo.

No Pack Performance estão incluídos elementos como o já referido diferencial autoblocante, mas também o controlo de arranque (Launch Control) com indicação no painel de instrumentos e as ‘Performance shift lights’, luzes indicadoras de alteração de mudança.

Muito bem equipado, o Fiesta ST surge com jantes de 18″ ST com pinças de travão em vermelho, bancos Recaro em couro aquecidos, sistema SYNC 3 com ecrã tátil de 8” e navegação, além do sistema de som Premium B&O Play, reconhecimento de sinais de trânsito e aviso de saída de estrada com manutenção na faixa, entre outros itens.

Disponível em carroçarias de três e de cinco portas, o Fiesta ST tem preços estimados com partida nos 28.031€.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.