Infiniti com motor revolucionário a gasolina já em 2018

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

A Infiniti prepara-se para colocar em produção uma novidade revolucionária num motor térmico: um bloco com taxa de compressão variável. A estreia deste motor de 2.0 litros sobrealimentado será feita no QX50 de próxima geração, já em 2018, e será o culminar de cerca de duas décadas de desenvolvimento contínuo desta tecnologia por parte da Nissan.

Esta tecnologia, denominada Variable Compression-Turboharged (VC-T), tem como particularidade a variação da taxa de compressão para, com isso, incrementar eficiência em termos de combustão e prestações mais eficazes ao nível de um motor de maior capacidade, mas com cilindrada muito mais baixa. A potência anunciada para este bloco é de 268 CV, enquanto o binário ascende a 390 Nm.

No geral, os grandes méritos deste motor de combustão interna são a redução do seu peso e das dimensões, além de ter uma maior eficiência de utilização. Dados da marca aquando da revelação desta tecnologia, ainda em 2016, apontava para uma melhoria nos consumos de cerca de 27% face a um motor V6 de 3.5 a gasolina utilizado nalguns dos modelos da Nissan, mas com prestações idênticas. Além disso, noutro elemento destacado pela marca, este motor disponibiliza um nível de binário idêntico ao de um motor Diesel de elevada performance.

A técnica

A ideia já não é nova (marcas como a extinta Saab chegaram a apresentar protótipos com esta tecnologia, no caso denominada SVC), mas nunca foi comercializada em grande escala.

Os motores atuais contam com uma taxa de compressão fixa, que é alusiva ao curso do pistão dentro do cilindro, no qual ocorre a mistura ar-combustível para efetuar a combustão e consequente produção da energia. O que este motor tem de diferente é um atuador eletromecânico a que a Infiniti colocou o nome de ‘multilink’ que permite alterar o curso dos pistões dentro de um cilindro até 6 mm e que se encontra ligado à cambota (onde, por sua vez estão conectados os pistões). Ou seja, o conjunto biela/pistão move-se, num todo, elevando ou baixando a taxa de compressão.

Com isso, as prestações do motor alteram-se consoante as necessidades do condutor em cada momento: com uma taxa de compressão de 8:1, as prestações são beneficiadas, enquanto na sua taxa máxima de 14:1 o lado da eficiência é reforçado, ficando neste ponto muito próximo de um motor com ciclo Atkinson, que é reconhecidamente mais orientado para a poupança. O Toyota Prius da atual geração, por exemplo, conta com um motor 1.8 com taxa de compressão de 13:1. O facto de ser sobrealimentado joga aqui um papel importante, já que permite uma melhoria generalizada das prestações com uma idêntica redução nas emissões poluentes. Tanto mais que no QX50 o motor de 2.0 litros estará associado a uma caixa de variação contínua, também ela reconhecida pelos seus méritos de elevada eficiência.

Este novo motor irá recorrer às mais recentes tecnologias de gestão no que diz respeito aos motores térmicos, sendo uma aposta dos construtores na evolução contínua dos motores de combustão interna enquanto os elétricos ainda não atingem o ponto de maturação em termos de custos que lhes permitam ser tão acessíveis quanto os modelos mais convencionais. Assim, o VC-T da Infiniti contará com injeção direta, turbo, comando variável das válvulas e um sistema de arrefecimento composto por quatro circuitos. Para gerir todos estes aspetos e as necessidades do condutor em cada momento, a marca recorre a uma unidade de controlo eletrónico central que permite a resposta imediata do ‘multilink’ que dá ‘vida’ a este conceito.

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