Novo Suzuki Swift Sport: Desportivo em conta e medida

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

A nova geração do Suzuki Swift representa um grande passo em frente para a marca japonesa, que pretende manter em Portugal uma toada de crescimento idêntica à que registou no ano passado. Este utilitário compacto de cinco portas tem também o condão de merecer uma variante desportiva, algo que, de resto, tem vindo a ser um hábito ao longo das últimas gerações. O novo Swift Sport ‘cortou’ no peso (975 kg) e aumentou a potência (140 CV), afigurando-se como uma proposta desportiva com conta e medida. Tem ainda um ‘bónus’ que pode ser muito apelativo: o preço de lançamento de 20.178€.

Entre os aficionados dos pequenos desportivos também há espaço para o Swift, a proposta da Suzuki que sempre contou com uma boa base de apoio desde a década de 1980/1990. Então apelidava-se GTI, sigla famosa que chegou a motivar um conflito com a Volkswagen… Adiante, a marca japonesa reconhece que a relação peso/potência é fundamental para uma boa experiência dinâmica, conforme reconhece o próprio engenheiro chefe do Swift Sport, Masao Kobori, que reconhece a missão de tornar o novo modelo “mais leve, mais rápido e mais estimulante em todos os sentidos”.

Será que o conseguiram?

Começando pelo sempre paradigmático visual emotivo, o novo Suzuki Swift Sport preenche as medidas de quem gosta de um pequeno desportivo com postura atlética. Isso é garantido pela frente mais dinâmica com destaque para a grelha hexagonal mais ampla, aliada a faróis verticalizados e a cavas das rodas mais largas, prosseguindo na traseira com o spoiler superior (que equilibra os benefícios aerodinâmicos com a estética desportiva) e com a chamativa dupla saída de escape (embora não seja de contar com um som verdadeiramente desportivo…). As saias laterais e as jantes de liga leve de 17 polegadas compõem o ‘ramalhete’ de arrojo visual.

Na irreverência, nota ainda para o pilar A na cor preta, a mesma que ‘percorre’ as molduras das portas e encontra o seu ‘final’ no pilar C, junto ao puxador das portas, o qual se encontra dissimulado.

No interior, há diferenças face aos Swift comuns, destacando-se os bancos dianteiros desportivos pela conjugação de suporte do corpo com o conforto. Depois, outros apontamentos passam pela adoção de novos revestimentos e combinação com o vermelho nalguns elementos do tablier e portas, para uma aparência mais desportiva, sendo também de enaltecer a presença de um novo volante em pele de base plana com ótima pega e pespontos a vermelho numa combinação também com acabamento acetinado na parte inferior. A instrumentação adota igualmente uma apresentação mais desportiva, havendo ao meio um ecrã LCD de 4.2″ para a apresentação de dados da condução, incluindo os da entrega da potência e do binário, bem como como um novo medidor da pressão e da temperatura do óleo.

No geral, um ambiente com rigor, mas que também não foge aos usuais plásticos do segmento, que asseguram durabilidade e ausência de ruídos no futuro. Todos os comandos estão bem localizados e a interação com o sistema de infoentretenimento – assente em ecrã tátil de 7 polegadas – é simples e de fácil leitura. A conectividade com os smartphones está assegurada por via da compatibilidade com os sistemas Apple CarPlay e Android Auto, MirrorLink e Bluetooth.

Detalhe curioso é o dos espelhos nas palas, que devido à colocação das mesmas acabam por não refletir o respetivo condutor ou o passageiro… mas sim o que se passa no banco traseiro… Falta referir, ainda, que tem lotação para cinco passageiros e que o espaço atrás é até bastante interessante em altura e no comprimento para as pernas.

Dieta deu resultado

Uma das maiores premissas da nova geração Swift é a redução do peso. No modelo lançado ainda no ano passado, a dieta resultou num corte de 120 kg face à geração precedente e, no caso do Sport, também há um bom ‘desbaste’ na balança, com a Suzuki a apontar uma redução de 80 kg face ao Swift Sport anterior. Isso sucede por obra da nova plataforma Heartect, que permite reduzir bastante o peso geral – apenas 975 kg.

Por outro lado, face ainda ao Swift Sport anterior, este novo modelo apresenta uma distância entre eixos 20 mm mais longa, enquanto as vias dianteiras e traseiras são 40 mm mais largas, ajudando a aumentar a estabilidade linear. A carroçaria do novo Swift Sport é mais baixa em 15 mm e mais larga em 40 mm, ajudando a criar, então, uma “aparência atlética e robusta”, de acordo com a marca nipónica.

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Também as ligações ao solo foram reformuladas, com este modelo a dispor de amortecedores Monroe nas suspensões dianteira e traseira. Para melhorar a estabilidade de rolamento, a espessura das barras estabilizadoras foi aumentada com a adição de Teflon na montagem do estabilizador, enquanto o cubo da roda e os rolamentos das rodas foram feitos numa única unidade e a largura entre os rolamentos foi expandida, resultando em um aumento de 15 por cento na rigidez torsional em curva. Atrás, a suspensão foi especialmente desenhada para manter elevada aderência em curva. O braço da mesma foi projetado e desenvolvido exclusivamente para o novo Swift Sport minimizar a deformação durante curvas. A rigidez do modelo foi melhorada em 1,4 vezes se comparada com o seu antecessor e a rigidez em curvatura é superior em cerca de três vezes. A rigidez torsional da barra de torção foi ajustada para fornecer a rigidez ideal de rolamento.

Desportivo q.b.

O nosso primeiro contacto com o novo Swift Sport deu-se nas estradas em redor de Madrid, as quais tinham uma inusitada quantidade de radares fixos e ´móveis, tornando o percurso numa prestação de ‘minas e armadilhas’. Ainda assim, a impressão de um chassis muito bem nascido voltou a ser evidente, com este modelo a surpreender pela positiva na forma como conjuga estabilidade lateral em curva com o conforto em mau piso, mostrando um bom equilíbrio que permite não só enveredar por percursos sinuosos com confiança, como também entrar por estradas menos ‘amigas’ sem prejuízo do conforto. Dando uma ótima impressão, ainda assim e atendendo ao percurso escolhido, ficará para um ensaio em estradas lusas uma melhor opinião deste novo Suzuki.

Também interessante é o motor 1.4 Boosterjet de 140 CV, que surge de uma nova geração de blocos desenvolvidos pela marca que, embora aumente apenas a potência em 6 CV face ao Swift Sport anterior, ganha pontos – muitos – pelo aumento de 70 Nm no binário, que é agora de 230 Nm às 2600 rpm. A aceleração dos zero aos 100 km/h em apenas 8,1 segundos confirma a intenção da Suzuki de conceber um pequeno desportivo com ânimo para percursos efetuados com celeridade.

Ao contrário de muitos motores com turbocompressor, o deste Suzuki destaca-se pela linearidade, preferindo uma resposta mais progressiva do que impulsiva, num atributo que faz recordar alguma coisa dos motores atmosféricos, Assim, é importante para se explorar o seu cariz desportivo subir as rotações até um patamar mais elevado, tanto mais que a sua potência máxima de 140 CV surge apenas às 5500 rpm. A caixa manual de seis velocidades tem um bom tato, ainda que um escalonamento algo longo.

Tecnicamente, este compacto motor 1.4 de injeção direta tira partido de evoluções importantes como os novos injetores que permitem o aumento da pressão do combustível e uma injeção do mesmo muito atomizada, o que resulta numa maior potência do motor e um escape mais limpo.

O turbocompressor está equipado com um controle de válvula normalmente fechado para oferecer uma excelente resposta em condução normal, abrindo para minimizar o consumo de combustível em viagem. Na prática, este sistema permite incrementar a eficiência em termos de emissões e baixar os consumos gerais. Por outro lado, refira-se ainda o controlo do sensor de pressão de ar de admissão dupla para melhorar a resposta e o coletor de admissão curto e o coletor de escape integrado na cabeça do cilindro.

Quanto a consumos, a Suzuki aponta uma média de 5,6 l/100 km para emissões de CO2 de 125 g/km.

Bem equipado e preço que dá que pensar

No lançamento, a Suzuki propõe este Swift Sport por um preço de 20.178€, sendo que sem desconto fica por 22.211€, dispondo de uma garantia de três anos, mas que, muito em breve, poderá ser alargada para os cinco anos, havendo atualmente negociações para se conseguir implementar esse plano em Portugal – em Espanha tal já se verifica.

Com equipamento generoso, destacam-se elementos como o cruise control adaptativo, bancos aquecidos, botão de arranque sem chave, faróis com projetores LED, sistema multimédia com ecrã tátil de 7″, câmara de visão traseira, navegação e dispositivos de segurança como o sistema de deteção avançado e para o sistema de travagem autónoma, recorrendo ambos à combinação de uma câmara monocular e um sensor de laser. O aviso de mudança de faixa com alerta visual e correção do volante também está presente a velocidades entre os 60 e 160 km/h.

O novo Swift Sport chega aos concessionários da Suzuki entre o final deste mês e o início de junho, com a marca a esperar que este pequeno desportivo com carroçaria de apenas cinco portas represente cerca de 20% das vendas da gama do Swift.

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