Renault Mégane R.S.: Todas as informações do novo ‘galo’ francês de 280 CV

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Nunca terá existido uma época tão boa para os compactos desportivos como esta que se vive atualmente. Não só a variedade abunda, como também a qualidade aumenta de forma significativa a cada novo lançamento. Eis uma situação que a própria Renault reconhece no lançamento da nova geração do Mégane R.S., modelo que terá pela frente rivais poderosos como o Honda Civic Type R, SEAT Leon Cupra, Hyundai i30 N ou Peugeot 308 GTi, sem se chegar a outros ligeiramente mais evoluídos como o Volkswagen Golf R ou Ford Focus RS (estes dois com tração integral). Chega em maio com chassis Sport e caixa EDC6 com preços a partir dos 40.480€. Algum tempo depois, chega a versão com caixa manual, por 38.780€.

Percebe-se, pois, que para este ‘poleiro’ no segmento dos compactos familiares de tração dianteira e elevadas prestações, existam muitos ‘galos’ pretendentes, o mais recente dos quais oriundo de França (em boa verdade, será produzido na fábrica espanhola de Palência, de onde já saíram mais de quatro milhões de unidades desde 1995, mas o seu desenvolvimento foi no ‘hexágono’), sendo que a Renault tem, por tradição, uma reputação muito forte neste tipo de modelos.

Toque de Midas

Expectativa, pois, para aquele que é um dos modelos mais aguardados, sabendo-se de antemão que uma das suas maiores novidades está sob o capot, na forma de um novo motor 1.8 turbo de 280 CV e 390 Nm de binário, que assume o lugar do anterior 2.0 turbo. Com uma divisão especialista como a Renault Sport, com um vasto trabalho em diversas modalidades, não é difícil perceber que existe neste departamento uma perceção de ‘Toque de Midas’, em que a sua perícia faz sobressair qualidades já preexistentes. Volta a ser o caso, com a Renault Sport a trabalhar em praticamente todos os aspetos do Mégane normal, já de si uma base muito competente.

Um dos pontos de destaque deste novo Mégane R.S. é a tecnologia 4Control que, não sendo uma novidade absoluta na Renault, é-o no àmbito dos familiares compactos desportivos. Trata-se do sistema que permite a viragem das duas rodas traseiras num ângulo até 2,7 graus (assim possibilitando as quatro rodas direcionais) em que, abaixo dos 60 km/h as rodas traseiras orientam-se na direção oposta das dianteiras, melhorando a sua agilidade em velocidades mais baixas, ao passo que em velocidades acima dos 60 km/h (ou dos 100 km/h em modo Race), as rodas traseiras viram no mesmo sentido das da frente. A Renault garante que este sistema permite uma estabilidade muito maior em curva, além de oferecer maior precisão de trajetórias, algo que num primeiro contacto fica bem evidente, até surpreendendo pela sua agilidade e facilidade na inserção em curva e sua descrição em segurança.

Na suspensão dianteira, mantém-se o esquema de duplo pivot, que permite dessa forma diminuir as perdas de motricidade e limitar os efeitos da transmissão do binário à direção. Na prática, este é um método técnico que separa os capítulos do amortecimento e da direção, tornando a estrutura dianteira também mais rígida. Mais ainda, os batentes hidráulicos de compressão nos amortecedores tornam a eficácia da suspensão mais visível, reduzindo efeitos indesejados de firmeza em mau piso. Aqui, inspiração do mundo dos ralis. A Renault não se coíbe de apresentar este sistema como uma solução de “amortecedor dentro do amortecedor”: ao aproximar-se o fim do curso, um pistão secundário amortece o movimento da roda antes do batente de choque. Ao dissipar a energia sem a “reenviar” à roda – como fariam os batentes convencionais – os batentes hidráulicos de compressão permitem evitar os efeitos de repercussão, para um controlo otimizado do contacto entre o pneu e o solo. Fruto de todos estes desenvolvimentos, o novo Mégane R.S. surpreende positivamente pela forma como o comportamento em mau piso é tão eficaz, sem que, com isso, perca eficácia desportiva.

Naturalmente, ainda a nível técnico, a carroçaria foi alargada em 60 mm à frente e 45 mm atrás, enquanto a altura ao solo baixou em 5 mm.

Chassis à escolha

Este novo Renault R.S. surge no mercado com dois chassis: Sport e Cup, que se distinguem pelas regulações específicas das suspensões. O primeiro, Sport, foi pensado para uma utilização mais rotineira e oferece polivalência em todos os tipos de piso, incluindo os mais degradados e possui novos amortecedores e um sistema eletrónico de repartição do binário. Atuando independentemente nos travões das rodas motrizes, esta tecnologia permite limitar a subviragem e otimizar a motricidade à saída da curva.

Adaptado a uma utilização desportiva intensa e sobretudo à pilotagem em circuito, o chassis Cup propõe um amortecimento 10% mais rígido e um novo diferencial autoblocante mecânico Torsen, que permite ganhos de equilíbrio em travagem e na tração em aceleração, uma vez que limita a limita a subviragem inerente à tração dianteira.

2018 – New Renault MEGANE R.S. Sport chassis tests drive in Spain

Por seu turno, também o sistema de travagem evoluiu, estando agora dotado de mais potência e maior resistência à fadiga. O diâmetro dos discos dianteiros atinge os 355 mm à frente (+15 mm em relação à geração anterior). Em opção no chassis Cup, os discos de alumínio e ferro fundido permitem uma redução de peso de 1,8 kg por roda, melhorando a refrigeração em caso de utilização intensiva.

Motor inspirado na F1

Se no amortecimento houve trabalho inspirado no universo da Fórmula 1, no caso do motor 1.8 Turbo a inspiração veio dos circuitos de Fórmula 1. Trata-se de uma nova versão deste bloco que também será utilizado no novo Alpine A110, estando dotado de injeção direta com 280 CV às 6000 rpm e um binário de 390 Nm, disponível entre as 2400 e 4800 rpm. Outros dados a reter: aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,8 segundos e primeiro quilómetro cumprido em 25 segundos.

 

Os engenheiros da Renault Sport conceberam uma nova cabeça do motor, com uma estrutura reforçada e uma refrigeração mais eficaz, permitindo dissipar o calor mais próximo possível da câmara de combustão. O turbocompressor de dupla entrada (Twin Scroll), já utilizado no Mégane R.S. anterior, permite melhorar o binário a baixo regime. Por outro lado, para aumentar o débito de ar fresco que alimenta o motor, a linha de admissão foi redesenhada com a adição de uma segunda tomada de ar.

Para complementar o ‘ramalhete’, aplicaram-se tratamentos de superfície provenientes da competição e dos supercarros, tais como o DLC (Diamond Like Carbon) para os pistões de válvulas e o Mirror Bore Coating para o revestimento das camisas dos cilindros.

No capítulo da caixa de velocidade, uma novidade na forma de unidade automática de seis velocidades (EDC), de dupla embraiagem com patilhas atrás do volante, uma decisão interessante que acompanha a convencional versão de caixa manual. Tem novo escalonamento e leis de passagem específicas, associadas aos modos Multi-Sense, para se adaptar a todos os estilos de condução. A esse respeito, a resposta da caixa depende do modo Multi-Sense selecionado, sendo que em Comfort e Normal privilegiam o conforto, sem esticões, em Sport oferece mudanças mais rápidas com sonoridade amplificada e, por fim, em Race, eficácia máxima com passagens ainda mais rápidas.

Nos modos Sport ou Race, a caixa de velocidades EDC possui, igualmente, funções de Multi Change Down (na fase de travagem no modo manual, é possível reduzir várias relações em simultâneo com a patilha esquerda premida) e Launch Control (com arranques parados eficazes como na competição, embora as nossas tentativas tenham contado sempre com muita patinagem das rodas…).

Tecnologias para maior envolvência

Aproveitando os progressos possibilitados pelo ecrã tátil R-Link 2 (de 7″ no formato horizontal ou 8,7″ no formato vertical), a Renault apresenta novas funcionalidades para o dispositivo de telemetria e indicação de dados R.S. Monitor, o qual terá dois níveis de opção: um primeiro que, graças a 40 sensores no veículo, analisa dados como a aceleração, travagem, ângulo de volante, funcionamento do sistema 4Control, temperaturas e pressões e, um segundo, denominado R.S. Monitor Expert, que permite filmar eventuais sessões de treinos e sobrepor os dados de telemetria, para obter vídeos de realidade aumentada (com partilha online através de aplicações disponíveis para smartphones iOS e Android).

Também a iluminação R.S. Vision de elevado desempenho surge aqui com evoluções.
Introduzido no Clio R.S., o sistema de iluminação LED multirrefletores R.S. Vision está disponível de série no novo Mégane R.S., em forma de bandeira quadriculada e que, integradas no para-choques dianteiro, oferecem visual muito desportivo. Equipado com nove luzes LED por bloco, este sistema reúne quatro funções de iluminação de elevado desempenho: mínimos, luzes direcionais, faróis de nevoeiro e máximos de longa distância.
Com um alcance de 460 metros (+17% em relação ao Mégane III R.S.).

Por último, já referida anteriormente, o sistema Multi-Sense permite diferentes configurações por cada modo de condução, atuando sobre a resposta do motor, a cartografia do pedal do acelerador, as leis de passagem de caixa e a rigidez da direção. Os modos Sport e Race são os mais agressivos para o condutor, com este último a ser pensado essencialmente para uma utilização em circuito, com o ESP totalmente desativado e a parametrização do sistema 4Control afinada para mais agilidade. Existe ainda um modo Perso, em que cada condutor pode personalizar as diferentes tecnologias e os sistemas de ajuda à condução integrados no automóvel.

Noutra vertente, o condutor conta com head-up display, que apresenta dados de velocidade e navegação, e uma dezena de sistemas de ajuda à condução (ADAS), entre os quais o regulador de velocidade adaptativo (ACC), travagem ativa de emergência (AEBS), alerta de distância de segurança (DW), alerta de excesso de velocidade com reconhecimento dos sinais de trânsito (OSP com TSR), aviso de ângulo morto (BSW), câmara de marcha-atrás e estacionamento mãos livres (Easy Park Assist).

Estilo… passivo-agressivo

Face a muitos dos concorrentes que estão no mercado, a Renault optou por uma abordagem mais suave no desenho do seu novo R.S., sobretudo quando olhado para o seu principal rival nipónico, o Civic Type R. A marca argmenta que pretendeu oferecer um modelo de visual equilibrado, mas igualmente capaz de fornecer toda a eficácia aerodinâmica exigida para prestações de topo.

Trophy mais para a frente

Além de definir para mais tarde no ano a chegada da versão Cup com acertos de suspensão específicos (10% mais firme, jantes de 19″, travões bimatéria e diferencial autoblocante Torsen, além de travão de parque manual em vez de elétrico do chassis Sport), a Renault reserva para o final do ano uma versão “Trophy” com 300 CV e 400 Nm.

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