Um desejo chamado elétrico (parte 2): Renault Zoe Z.E. 40

O veículo óbvio que nos ocorre quando pensamos num modelo elétrico ainda é o automóvel. E é quase inevitável lembrarmo-nos da marca que mais impacto tem criado no panorama elétrico ultimamente.

A Tesla tornou-se quase sinónimo do automóvel elétrico topo de gama com excelentes prestações. No entanto, o seu preço torna-o uma solução pouco realista para a maior parte das pessoas. O que nos leva à marca que mais automóveis elétricos vende no mercado nacional (751 unidades vendidas em 2017), a Renault, com o modelo Zoe Z.E 40, apresenta um compromisso entre preço, qualidade, e autonomia difícil de bater. Fomos tentar perceber porquê.

Mais próximo do futuro

Qualquer pessoa que já tenha conduzido um automóvel com caixa automática vai sentir-se completamente à vontade com o Zoe. Se nunca o tiver feito, a adaptação é muito rápida. Na cidade revela uma agilidade inesperada para os seu quase 1 500kg, estacionar também não é um problema pois as dimensões são o que se espera de um utilitário, sendo praticamente as mesmas do Clio atual.

Testámos a versão Z.E 40 Bose, que é a mais equipada, sendo também a mais cara. Exteriormente o que a diferencia das outras versões são as jantes de dois tons de 16”, e os vidros traseiros escurecidos. Já no interior contamos com bancos da frente em pele aquecidos, sensores de chuva e luminosidade, chave em formato cartão, câmara traseira de estacionamento, sistema de som Bose, e sistema multimédia e navegação R-Link com oferta de serviços conectados durante um ano. A habitabilidade nos lugares da frente é boa, disponibilizando espaço suficiente para dois adultos, só é pena o banco do condutor não permitir ser regulado em altura. Já atrás, o habitáculo é mais elevado pois as baterias estão mesmo por baixo do banco fazendo com que espaço disponível para os passageiros não seja tão generoso, no entanto, temos uma bagageira maior do que a do Clio, com 338 litros.

O sistema R-Link revelou ser uma ajuda preciosa pois, entre várias coisas, mostra-nos um gráfico com a energia gasta ou acumulada na regeneração quando desaceleramos ou travamos, e até a energia que determinado equipamento está a gastar como, por exemplo, o ar condicionado (este é um grande “comilão” de bateria, que condiciona grandemente a autonomia anunciada pela marca), sistema multimédia, é também possível descarregar aplicações da R-Link Store, e ainda a localização dos postos de carregamento, que nos leva ao que pode tornar desagradável da vida com um automóvel elétrico. Ainda com 50% de carga disponível, fomos tentar perceber como funciona o sistema de carregamento público, apenas para ficarmos frustrados e com uma grande dose da chamada “ansiedade dos elétricos”. Numa área inferior a 20km tentámos carregar em três postos Mobi.e (Praça Afonso de Albuquerque, Rua Gonçalves Zarco, Rua Pedro Calmon) sem sucesso. Ou estavam vandalizados ou fora de serviço e o seu estado não aparecia atualizado nos mapas online. Por último, tentámos o carregador rápido na A5 em direção a Cascais, mais uma vez sem sucesso, este tinha uma folha de papel A4 que dizia “fora de serviço”.

Não queremos com isto desmoralizar quem esteja a considerar a compra de um automóvel elétrico, pretendemos que o façam sabendo que, neste momento, a infraestrutura pública de carregamento não é fiável. Para haver alguma garantia de que não se fica sem bateria quando mais se precisa, o mais seguro será carregar em casa ou no trabalho. Obviamente que muitas pessoas não o poderão fazer porque não têm garagem em casa ou no trabalho não têm direito a lugar de estacionamento com tomada para carregar. Mas para aqueles que têm garagem em casa, ficam a saber que ligado à tomada normal uma carga completa do Zoe demora mais de 16 horas, o custo é de 2,20 euros com um tarifário doméstico simples. Dentro da tarifa bi-horária, o custo baixará para cerca de metade. As contas feitas pela marca dizem que o Zoe Z.E. 40 gasta cerca de 14kW para percorrer 100km, como o kWh tem um valor entre os 0,156 euros (tarifa doméstica simples) e os 0,95 euros (na tarifa bi-hotária).

Embora o preço por quilómetro seja muito atrativo, mais de 16 horas para uma carga ainda é muito tempo mas não desespere, a Renault oferece na compra do Zoe um carregador doméstico de 7,4kWh a que chamam “wallbox”, e a respetiva instalação (sujeita a verificação por parte do fornecedor de energia), o que reduz o tempo de carga para cerca de sete horas que já é mais aceitável, e significa que poderá carregar completamente todos os dias se necessário.

Mais: fator ecológico, custo energético por km, silêncio, custo de manutenção.
Menos: “ansiedade elétrica” ainda é uma realidade, tempo de carregamento.

Há mais vantagens na aquisição não só do Zoe, mas de qualquer automóvel elétrico: por enquanto não paga ISV no momento da compra; está isento de IUC; em Lisboa, por exemplo, não paga estacionamento nas zonas geridas pela EMEL (mediante o pedido de dístico); segundo a marca as revisões custarão entre 30 e 50 euros, dependendo da quilometragem. A Renault dá uma garantia de cinco anos ou 100 mil km no veículo, e oito anos nas baterias.

A compra do Zoe pode ser feita de duas formas: através da modalidade Z.E Flex que é uma forma de aluguer das baterias, custa 79 euros/mês com 10.000km/ano, ou 119 euros/mês com quilometragem ilimitada, a outra forma é a compra do veículo com as baterias que no modelo testado tem um acréscimo de 7.500 euros.

Ficha técnica
Motor: elétrico, síncrono de íman permanente
Potência: 92 CV
Binário máximo: 225 Nm
Velocidade máxima: 135 km/h
Aceleração 0-100 km/h: 13,2 s
Autonomia: 400 km
Suspensão dianteira: Pseudo McPherson
Suspensão traseira: Eixo de torção
Peso: 1480 kg
Mala: 338-1225 l
Preço: modelo ensaiado a partir de 31.692 euros

Modelo ensaiado Bose: Estofos em pele, aquecidos na frente, sistema de som Bose, Jantes de 16” de dois tons, vidros traseiros escurecidos, sistema multimédia e navegação com R-Link.

Leia aqui a parte 1 desta abordagem ao estilo de vida elétrico, aqui com a Zero DSR.

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