Spitfire. Mustang. Messerschimitt. São nomes famosos para qualquer entusiasta da aviação de guerra e estudante da Segunda Guerra Mundial, representando as forças aéreas dos respetivos países, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha Nazi. Mas a União Soviética também tinha um avião famoso, o Ilyushin IL-2, também conhecido como Sturmovik. Poucos sobreviveram a guerra, mas um está prestes a ser recuperado. Invulgarmente, não é trabalho russo, mas sim de um museu americano.

A história do Ilyushin IL-2 está intimamente ligada à Frente Oriental e ao Cerco de Leningrado (hoje, São Petersburgo). A cidade russa foi intensamente bombardeada pelas forças alemãs durante três anos, e foi apenas em 1943, um ano antes do final do cerco, que as forças soviéticas conseguiram criar um corredor aéreo para dar assistência à cidade. Um desses aviões foi um “Illyusha”, como era conhecido, que acabou por cair num lago, em 1944. A tripulação sobreviveu, mas o aparelho foi abandonado até aos anos 90.

O exemplar resgatado foi logo comprado por um colecionador americano. Anos depois, os seus herdeiros colocaram-no em exposição no Museu Pima, em Tucson, no estado do Arizona. O Ilyushin IL-2 foi o avião de guerra mais produzido da história, tendo sido construídos mais de 36 mil unidades, mas apenas 12 exemplares sobreviveram. Este, que está a ser restaurado, vai receber cópias exatas das armas e um motor original restaurado. Deverá estar pronto para voar durante o verão.

Desenvolvido por Sergey Ilyushin, o IL-2 era conhecido como Sturmovik (avião de ataque em russo), mas também recebeu os epítetos de “Tanque Voador” e “Corcunda”. Entrou ao serviço em maio de 1941, mas recebeu modificações em outubro de 1942 para poder levar um passageiro. Construído com painéis de aço, era muito pesado, com 6380 kg de peso bruto, para os 1720 cv do seu motor. A sua função era atacar alvos em terra, e por isso nunca subia muito além dos 20 metros de altitude.

Esta foi a razão para o uso de aço, servindo como proteção, já que era vulnerável a ataques até de unidades de infantaria. Foi também por isso que foi modificado para ter um artilheiro na traseira. Mas este tinha muito menos proteção que o piloto, e o trabalho suicida passou a ser entregue a recrutas vindos dos gulags. Para assegurar o sucesso de missões, os aviões voavam em esquadrilha, descendo um de cada vez para bombardear, uma formação conhecida como “Círculo da Morte”.

O Sturmovik era de extrema importância para o sucesso soviético face ao ataque alemão. De acordo com o historiador Alexander Ludeke, uma fábrica que se tinha atrasado na entrega de aviões recebeu um telegrama de Stalin a avisar que “estas máquinas são tão vitais para o Exército Vermelho como pão e ar. Este é o vosso último aviso”.