Nos anos 60, uma lenda surgiu na União Soviética que um automóvel, que rapidamente foi batizado surgia de noite para raptar crianças. O carro soviético da morte era descrito como lançando fogo, adornado com chifres, e era conduzido pelo próprio Diabo. A lenda espalhou-se rapidamente a outros países do bloco soviético, incluindo a Polónia, onde foi batizado como “Volga Negro”, um nome que permanece até hoje.

Na verdade, a lenda vai mais longe, pois a NKVD, uma das agências antecessoras da KGB, já usava carros pretos com preparação especial no final dos anos 30. Estes eram construídos na fábrica GAZ, de onde mais tarde surgiriam os modelos com as marcas Volga e Chaika. Assim, ainda antea da Segunda Guerra, já eram associados às purgas de Stalin.

Nos anos 50, a marca Volga ficou associada ao afastamento do então vice-primeiro-ministro Molotov, por incompatibilidades com Khrushchev. Os raptos de crianças só ficaram associados à lenda nos anos 60 e ganharam força em repúblicas soviéticas que não a Rússia, bem como no Pacto de Varsóvia e a Mongólia, mas nunca houve nenhuma explicação para esta associação. Também se dizia que quem desafiasse o carro soviético da morte desapareceria dentro de 24 horas.

Depois da desagregação da União Soviética, a GAZ nunca renovou a sua gama de automóveis de passageiros, deixando de os produzir em 2011. O “Volga Negro” passou a ser identificado com modelos de luxo importados, também de cor negra, os preferidos da máfia russa.

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