Certos historiadores consideram que o início da Primeira Guerra Mundial era inevitável, e que se não fosse o assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria, seria encontrada outra forma de iniciar o conflito. Mas o herdeiro do trono austríaco foi de facto assassinado, quando estava a ser transportado de automóvel pelas ruas de Sarajevo.

O automóvel era um Gräf & Stift, construído por uma marca austríaca que se especializou em comerciais pesados após a Segunda Guerra Mundial, e que depois foi adquirida pela MAN. E a morte do arquiduque foi apenas o primeiro evento relacionado com este exemplar que levou a que o carro fosse considerado amaldiçoado.

A lenda diz que todos os seus proprietários sofreram um destino horrível. O governador da Jugoslávia herdou o carro em 1918, sofrendo quatro graves acidentes e perdendo um braço, levando-o a afirmar que o carro estava amaldiçoado. Um amigo seu médico quis provar o contrário e morreu seis meses depois num capotamento. O próximo dono foi outro médico que perdeu todos os seus pacientes e vendeu o carro à pressa a um piloto suíço de corridas, que foi atirado para fora do carro, partindo o pescoço.

Rebocado após uma avaria, ligou-se sozinho e matou dois agricultores, um deles o proprietário. O próximo dono morreu, tal como quatro passageiros, numa colisão a caminho de um casamento. Finalmente, foi enviado para um museu que foi bombardeado pelos Aliados na II Guerra Mundial, quando o curador estava a mexer no carro. A lenda diz que o único resto mortal encontrado foi uma mão a segurar num destroço do volante.

Na verdade, nada disto é verdade, e foi inventado por um escritor americano de histórias pulp, em 1959, numa história inspirada pela morte de James Dean. O carro não voltou a ser utilizado após 1918, e nenhuma das pessoas que supostamente morreram em acidentes foram sequer confirmadas como existindo. A carroçaria não mostra sinal de acidentes constantes, e o carro nem foi destruído na II Guerra. Ainda está no Museu Militar de Viena, e qualquer pessoa pode vê-lo, sem qualquer risco de lhe rogarem uma praga.

Existe, no entanto, um aspeto sobrenatural no carro. A sua matrícula é A III 18, e a data do armistício que pôs fim à Primeira Grande Guerra é 11 de novembro de 1918.

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