Daimler e Mercedes-Benz: Futuro é feito de conectividade, serviços e elétricos

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

A transformação da indústria automóvel é uma realidade e os próximos anos trarão grandes mudanças na forma como o veículo é inserido na sociedade. Posicionando-se na linha da frente entre os fabricantes com abertura à conectividade, partilha e automação, a Daimler pretende reformular por completo a sua atuação – não ficando longe de uma refundação – no setor, transferindo-se do patamar simples de produtor de automóveis para uma esfera mais ampla e abrangente de fornecedor de serviços de mobilidade.

Essa é a visão fundamental da área de negócios CASE, criada pela Daimler no ano passado para abordar a integração do automóvel na sociedade numa era em que a mudança promete ser de grande impacto. Acrónimo para Conectado, Autónomo, Partilhado (Shared) e Elétrico, este é o conjunto de elementos que irá orientar a mobilidade do futuro, como explicou Jörg Heinermann, responsável de Marketing e de Vendas da CASE, num regresso ao nosso país depois de ter sido o presidente da Mercedes-Benz Portugal por mais de dois anos.

Discursando numa conferência sobre a mobilidade do futuro no Estoril, Heinermann destacou que a indústria automóvel foi a protagonista de uma das maiores e velozes revoluções de sempre em termos de mobilidade, no início do século XX, e que essa mesma revolução se aplica também nos tempos atuais, enquanto a sociedade se debate com os problemas da sustentabilidade e da sobrepopulação nas grandes metrópoles.

Sobre todas estas questões, o responsável da companhia germânica apontou os esforços efetuados pela Daimler para ter “mais de dez elétricos em 2022” no âmbito da eletrificação da indústria, mas não esqueceu que desde 2011 até aos dias de hoje o nível de emissões de CO2 desceu cerca de 18% e que dentro de duas gerações apenas será reduzido em até 40%.

Embora o carro elétrico vá ter um papel muito importante neste objetivo de redução de emissões, Heinermann destaca que “o carro elétrico chega agora ao mercado, cada vez mais disseminado, mas não irá servir todas as necessidades. Será integrado de forma faseada na vida das pessoas”. O esforço da Daimler fica ainda patente pelo facto de cada projeto de desenvolvimento em curso neste momento representar um investimento superior a mil milhões de euros.

A redução do custo dos elétricos será um contributo importante para a sua disseminação no futuro a médio-prazo, apontando para o ano de 2030 como aquele em que os carros elétricos poderão ter um custo igual ao de um veículo de combustão interna, até porque, aponta Jorg Heinermann, a “vontade dos clientes de pagar mais por tecnologias de mobilidade que ajudem o ambiente não é grande. Num estudo recente, percebemos que apenas 2% das pessoas querem pagar mais para ajudar o ambiente”. Para 2025, acredita, o mercado terá já uma quota de mercado de 25% de elétricos.

Digitalização no centro de tudo

Num exercício de correlações, Heinermann recordou cada uma das letras iniciais do acrónimo CASE e destaca que ‘Connected’ (conectividade) está na perfeição para a digitalização, ‘Autonomous’(autónomo) liga com individualização, ‘Shared & Services’(partilha e serviços) entronca na urbanização e, por último, ‘Electric’ (elétrico) está diretamente ligado com a sustentabilidade.

Ou seja, para Heinermann, há um caminho que deve ser seguido faseadamente por parte da marca ao longo dos próximos anos, esperando ainda que os pontos de carregamento sejam cada vez mais uma parte do ecossistema elétrico na sociedade, algo que leva tempo e que só depois disso o mercado poderá estar preparado para a eletrificação.

Mas essa não será a única tecnologia de disrupção proposta pela Daimler, com Heinermann a destacar que a “condução autónoma será a próxima grande questão e que irá mudar a nossa relação com os automóveis, mas que essa abordagem se centrará ainda no âmbito da mobilidade exclusiva, ou seja, a forma de movimentação em que cada pessoa ainda tem um carro próprio, num conceito oposto ao da mobilidade partilhada, que será de grande importância nas grandes cidades.

Esta é, por outro lado, a grande solução e aposta para as grandes urbes, destacando Heinermann que não só irá ajudar a retirar muitos dos veículos pessoais da malha citadina, mas também reduzir os custos operacionais da mobilidade, sobretudo para os clientes.

“Imaginem no caso dos ‘robotáxis’, ou seja, os táxis autónomos, a redução no preço, sendo que cerca de 30% do custo é representando pela vertente humana”, apontou o responsável da CASE, estratégia que está neste momento na C (conectividade) e E (elétrico), seguindo-se na próxima fase a S (partilha). A fase final, uma vez mais recorrendo ao acrónimo da divisão da Daimler, será a do A (autónomo), representando esta a fase do luxo puro e do veículo capaz de se conduzir autonomamente.

Aqui, a digitalização através do ecossistema de serviços e funcionalidade ‘me’ será fundamental neste capítulo, uma vez que “o desenvolvimento de tecnologias e softwares para lidar com a conectividade e partilha de soluções de mobilidade, como a Croove, Turo, a Car2Go, entre outras, que queremos integrar no ecossistema ‘me'”.

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