A indústria petrolífera americana já é das principais emissoras de gases de efeito de estufa para a atmosfera terrestre, mas os seus efeitos são mais pronunciados que o esperado, após a publicação de um relatório indicar que a EPA, a agência de proteção ambiental dos Estados Unidos, subestimou significativamente a quantidade de emissões produzidas por esta indústria.

O relatório foi publicado em junho no revista científica americana Science, e indica que os dados da EPA são demasiado conservadores, com os valores reais de emissões de gases a serem 60 por cento superiores à estimativa inicial. Isto significa que a indústria petrolífera é responsável por lançar 13 milhões de toneladas de metano para a atmosfera, e que este valor é quase inteiramente o resultado de fugas de combustível, falhas no equipamentos e o que foi descrito como “condições anormais de operação”. Estas fugas e “condições anormais” são comparáveis a todas as emissões de dióxido de carbono oriundas das centrais termoelétricas movidas a carvão, quando estão a funcionar normalmente.

Este estudo demorou mais de 10 anos a fazer, e necessitou de constantes inspeções a mais de 400 poços de petróleo e de gás natural, assim como instalações e equipamento usado pela indústria. A investigação foi levada a cabo pelo EDF (Fundo de Defesa Ambiental) e contou com o apoio de 16 órgãos do setor da educação superior, incluindo a Universidade do Colorado em Boulder e a Universidade do Texas em Austin.

O metano é considerado mais perigoso que o dióxido de carbono quanto aos seus efeitos na criação do efeito de estufa, que prende o calor oriundo da radiação solar na atmosfera terrestre, reduzindo o efeito de escape. O metano produz 80 vezes mais calor que uma quantidade equivalente de CO2 durante os primeiros 20 anos da sua presença na atmosfera, pelo que anula os efeitos benéficos da substituição do carvão por gás natural em centrais termoelétricas. Estima-se também que estas fugas de gás representem uma perda de cerca de dois mil milhões de dólares (1700 milhões de euros), suficiente para providenciar aquecimento a dez milhões de habitações.