Grupo PSA ‘abraça’ a nova era da mobilidade com soluções para todos

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Mobilidade para todos e de todas as formas: eis a estratégia inclusiva que o Grupo PSA está a preparar para a nova era da indústria automóvel, na qual o objetivo é, de forma muito direta, proporcionar liberdade geral – de movimentos e de escolha nos transportes. Foi com estas noções que Carlos Tavares, CEO do Grupo PSA, definiu aquelas que serão as linhas mestras do futuro da mobilidade para a sua empresa, que é, após a aquisição da Opel, a segunda maior em termos de mercado automóvel na Europa. No entanto, as novas tendências de mobilidade irão obrigar a marca a ir mais além.

Mais do que debater meramente soluções de transporte para os anos vindouros – preparando aquela que será uma revolução na mobilidade, que em muito se irá alterar face ao que hoje se assiste – a visão da PSA abarca uma estrutura em que diversos pontos se tocam com o objetivo de fornecer aos seus clientes uma miríade de soluções para que viajar de casa para o trabalho ou para um retiro de férias seja acessível e simples.

Do carsharing aos veículos conectados, passando por plataformas direcionadas para o setor da mecânica ou das vendas de automóveis online e de usados, o Grupo PSA está a preparar uma estratégia de 360º para lidar com com aquele que para o ‘obreiro’ da recuperação económica da companhia é o grande desafio do futuro: manter a liberdade de movimentos para todas as pessoas de forma simples, eficaz e acessível.

Essa foi, aliás, uma das ideias que Carlos Tavares mais repetiu no seu discurso de apresentação dos planos da PSA para a mobilidade do futuro, em que deixou clara a noção de que “mais do que uma marca de automóveis, vai passar a ser uma marca de serviços de mobilidade”.

Foi nesse mesmo sentido que Patrice Lucas, vice-presidente executivo da PSA, apontou uma série de soluções pensadas pela companhia: “Assistimos a uma grande transformação devido à mudança de necessidades dos clientes. Não podemos ser só construtores que desenham, projetam e constroem carros, mas também oferecer novos serviços. O serviço digital está a mudar tudo. Os carros autónomos vão mudar as cidades e vamos inaugurar um caminho de mobilidade para novos clientes, a mudança da noção de propriedade do carro para um bem comum que contribui para a vida social”, explicou este responsável, referindo que muitos desses novos caminhos de mobilidade estão a ser traçados em parceria com start-ups tecnológicas e parceiros de grande relevo.

Partilha máxima

No centro desta transformação da mobilidade está um dos conceitos mais em voga na indústria, o do carsharing. Para tal, o grupo lançou a sua marca Free2Move, a qual engloba uma série de vertentes em que o foco está na partilha de viaturas de forma mais profunda, libertando os clientes do ónus das despesas com o veículo e estacionamento, mantendo ao mesmo tempo a comodidade de viajar de carro pelos grandes centros urbanos ou para fora desses. Um dos objetivos da companhia é criar soluções à medida de cada uma das situações, mas que em comum todas possam ser inclusivas para as pessoas, ou seja, para que ninguém fique de fora da mobilidade.

Com a marca Free2Move, a PSA procura dar resposta a dois lados da equação da mobilidade: por um lado, para os clientes particulares que necessitam de efetuar as suas deslocações, e, por outro, para os clientes empresariais, com Phillippe Belorgey, CEO da Free2Move Lease, a mencionar a mais-valia da solução Connect Fleet para estes últimos, visando a rentabilização máxima de todos os aspetos de uma empresa. Operando já em seis mercados (com objetivo de cobrir toda a Europa até ao final de 2018), o Connect Fleet permite às empresas incorporarem novas soluções de mobilidade e de gestão de forma a reduzirem os custos com as frotas (por exemplo, com a adequação do plano ao percurso e tipo de serviço – uma vez analisado – de um determinado grupo de veículos). Com estas soluções, a rentabilidade de uma empresa poderá aumentar até 25%, havendo ainda um acompanhamento contínuo da viatura.

Mas é para os particulares que o serviço Free2Move poderá traduzir uma maior mudança de ‘chip’, com estes a poderem escolher entre carro, bicicleta ou scooter. Ou seja, o “serviço que mais convém numa única aplicação”, conforme explicou Brigite Courteoux, responsável máxima de Serviços conectados e Mobilidade do Grupo PSA. Destacando que esta aplicação tem já mais de 1.5 milhões de utilizadores atualmente, o plano é fazer chegar esta plataforma de mobilidade a cada vez mais mercados, como o português, ao qual deverá chegar no final de 2018.

É também na Península Ibérica que surge um dos casos de sucesso para esta solução, com Courteoux a mencionar a boa aceitação que a sua aplicação e-Mov teve na cidade espanhola de Madrid, onde existem 600 carros elétricos e 150 mil utilizadores. A razão para esse sucesso esteve também no ‘timing’ da sua introdução no mercado: com a capital espanhola a limitar o acesso de veículos ao seu interior e a oferecer estímulos aos carros elétricos, a popularidade dos veículos da frota e-Mov foi rápida a crescer.

Mudar o ‘chip’ também nos EUA

Num país em que a indústria automóvel ainda tem muito peso e um grande significado para muita gente, sobretudo no que diz respeito à noção de propriedade, o carsharing e as novas soluções de mobilidade e partilha começam também a ganhar destaque. Um dos exemplos está na cidade de Seattle, na qual foi lançada a marca Free2Move em setembro deste ano. Presente em oito países, conta já com mais de 5000 clientes.

No caso das operações em Seattle (lideradas por Larry Dominique), o serviço Free2move destaca-se por ser uma plataforma de agregação de serviços de mobilidade através do smartphone. Os utilitários podem assim comparar a localização, características e custo dos diferentes meios de transporte disponíveis na cidade, incluindo as ofertas de veículos de carsharing geridas pela ar2Go, Zipcar ou TravelCar.

De igual forma, permite a quem não tem um carro dispor dos mesmos benefícios de quem tem um. Face a este modelo de negócio, há quem lance a possibilidade de se assistir ao final da venda de automóveis, mas a companhia garante que tal não irá acontecer, embora esteja em carteira uma alteração substancial no modelo de negócio. Uma delas passa pela possibilidade de subscrições para as marcas, com diferentes modelos disponíveis consoante as necessidades de cada momento.

“Temos de cá estar [no mercado] e ter a solução certa para cada momento. Os carros estão a sair das cidades e nós temos de estar presentes. Mas é claro que precisamos de ter carros. Hoje, procuramos novos clientes e não clientes que procuram trocar o seu carro por um esquema de mobilidade”, afiançou Brigitte Courteoux.

Era da digitalização com cada vez mais virtual

Em virtude das enormes mudanças tecnológicas, a PSA está também apostada em promover a venda de veículos novos (e usados) a partir das plataformas online. Para Xavier Duchemin, Vice-Presidente do Grupo PSA para a área das Vendas, existem atualmente “quatro tendências associadas ao digital: menos visitas aos concessionários (menos 40% nos últimos dez anos), mas ao mesmo tempo um aumento de 30% de configurações online, maior conectividade entre as pessoas e a partilha de preços online. Percebemos que as pessoas querem evitar a pressão da compra”. Ainda assim, numa outra tendência algo surpreendente, muitos dos clientes gostam ainda de visitar o concessionário para “tocar no carro ou falar com algum embaixador da marca”.

É também com essa premissa de maior digitalização que se abrem novas possibilidades para quem visita os concessionários das marcas. Aqui, atendendo a que os potenciais clientes não querem ir muitas vezes ao espaço da marca, mas que ainda o pretendem fazer uma vez ou duas, o objetivo “é surpreender as pessoas nessa única visita”. Neste sentido, o aumento da aposta na realidade virtual pode vir a ser a tendência do futuro de forma a promover uma experiência diferente e diferenciada para cada cliente, numa tentativa de oferecer um serviço sem falhas e interrupções entre o configurador online e a etapa final da compra, para a qual os “embaixadores da marca”, responsáveis com formação para apresentar os produtos aos clientes de forma detalhada e informada.

Para quem procura vender os seus carros, a PSA também detetou uma oportunidade, criando duas plataformas digitais – Aramisauto e Carventura – com o propósito de ‘movimentar’ os carros usados. No primeiro, estão disponíveis os modelos das marcas Peugeot, Citroën e DS, enquanto a plataforma Carventura é direcionada para que os particulares anunciem os seus veículos. Para Marc Lechantre, diretor do departamento de Veículos Usados da PSA, a conceder que este é, com efeito, um mercado de grande importância e no qual o consumidor está, muitas vezes, sozinho.

“É um mercado com grande variedade de clientes e maior do que o mercado de carros novos. A nível global é de 150 milhões de viaturas. Queremos uma experiência segura na compra ou venda de carros usados e que quem compre tenha um carro fiável a preço justo e seguro. Mas aqui, não se vive só de marcas PSA. É um canal multimarcas que pretende ir ao encontro das necessidades dos clientes com um vasto leque de serviços, como a avaliação do carro, garantia de seis meses e tratamento de todos os papéis. Vamos levar este serviço a outros países fora da Europa, com China e a América Latina a serem opções reais”, indicou, acrescentando-se ainda que este é um serviço seguro, com pagamentos protegidos através de um serviço antifraude.

Além de tudo isso, a marca aprofundou ainda conceitos como o Auto Butler, uma start-up com uma plataforma online que, assente numa base de recomendações e opiniões dos clientes, pode levar os consumidores que queiram efetuar uma revisão à oficina mais em conta, fazendo também uma simulação dos custos dos serviços, por exemplo. Para a PSA, o objetivo é que esta plataforma de origem dinamarquesa se torne num ‘Trip Advisor’ para a área das reparações. Também neste âmbito, a PSA tem uma série de outros serviços como o Distrigo para a distribuição de peças no mercado europeu (em breve também na América Latina e China), o MisterAuto, um site para comprar peças de substiuição online e Euro Repar Car Service, uma rede internacional de oficinas para veículos multimarcas que tem já mais de 3000 pontos na Europa.

Dados em segurança: Huawei garante

Com todo este ambiente digital, o depósito de dados a nível virtual ganha relevância fundamental, sendo nesse aspeto que a PSA procurou precaver, desde já, a segurança de todos os seus utilizadores digitais através de uma parceria tecnológica com a Huawei, uma gigante chinesa da tecnologia, com as duas marcas a abraçarem agora o processo de criação de plataformas protegidas no que diz respeito aos dados virtuais.

“Estamos numa época de revolução digital. A Internet das Coisas (IoT) vai transformando muitos detalhes e tem de haver uma segurança eficaz dos dados. Estamos a desenvolver uma plataforma chamada ‘Connected Vehiclue Modular Platform’ com serviços individuais para cada cliente e gestão de frotas. Serão serviços ativados ou desativados remotamente, updates de software e de informação via wireless, assistente pessoal para os utilizadores e dados de partilha dos carros. Todos os dados serão encriptados e integrados com total confidencialidade”, explicou Patrice Lucas.

Após uma longa pesquisa de mercado, acabou por ser a Huawei a escolhida, com Eric Xu, presidente da companhia chinesa, a referir que “este esforço conjunto com a PSA será líder na partilha de dados da tecnologia automóvel. Estamos empenhados em construir um mundo mais conectado e melhor, o que inclui comunicação ente veículos. Quando tudo estiver conectado existirão imensas possibilidades em aberto. Esta parceria faz parte da estratégia da Huawei para melhorar o mundo. Temos em curso um processo de investimento contínuo nas áreas de Pesquisa e Desenvolvimento e de engenharia para acelerar a transformação da mobilidade na Europa e no mundo”.

As primeiras aplicações desta nova plataforma conjunta de serão lançadas para os clientes europeus e chineses em 2018, sendo depois espalhadas ao resto do mundo. Os novos serviços pensados para as necessidades de cada cliente serão lançados de forma gradual.

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