Mais automóveis elétricos na estrada significa menos extração de petróleo, menos combustível queimado, menos dióxido de carbono na atmosfera e menos impacto ambiental. Parece ser a forma ideal para ter um transporte pessoal sem prejudicar o planeta. Mas a passagem dos automóveis com motor de combustão para os elétricos também tem o seu custo, tanto ambientais como em vida humana. As baterias dos carros elétricos usam minerais raros que só se encontram em países em vias de desenvolvimento, como o cobalto, extraído em minas que usam trabalho infantil.

O cobalto é um componente importante para a operação das baterias de lítio que encontramos nos telemóveis e nos veículos elétricos. Dois terços da produção mundial vem da República Democrática do Congo, 13º país a contar do fim no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, de acordo com os números de 2016. E a procura por este mineral fez disparar o preço, que triplicou nos últimos 18 meses, para ultrapassar os 80 dólares por quilograma. A resposta na região congolesa de Katanga, onde está a maioria das minas de cobalto, levou a que surgissem vários projetos independentes de extração, que o fazem em condições mais precárias que os grandes produtores internacionais.

Um relatório da Amnistia Internacional, em 2016, revelou que trabalho infantil era usado nas minas e que a falta de segurança tinha resultado no colapso de um túnel e na morte de dezenas de mineiros, em 2015. A breve quebra de produção não afetou grandemente a produção local, com a produção de hidróxido de cobalto a aumentar 20 por cento em Katanga em 2017. No entanto, não se registou aumento de produção em nenhuma das grandes indústrias a operar localmente, como a empresa estatal congolesa Gécamines ou as internacionais Glencore e China Molybdenum.

Este aumento de produção é o resultado de minas artesanais, que nem sempre aparece nos números oficiais de exportação, mas que se estima corresponder a mais de metade da exportação de cobalto, e que 25 por cento da produção total é transportada ilegalmente para fora do país. Serão estas minas artesanais que estão a usar trabalho infantil, para poderem fornecer um produto que vai de encontro às necessidades ambientais do público ocidental, mas que resulta na exploração económica da população local e em distúrbios ambientais numa região pouco desenvolvida. Uma alternativa já existe, com as baterias de estado sólido, que usam mais lítio mas menos cobalto, mas que não vão chegar ao mercado antes de dois anos.