Pode um carro a gasolina emitir menos gases de estufa do que um elétrico?

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Um estudo levado a cabo por dois investigadores do Instituto dos Transportes da Universidade do Michigan revelou que um carro a gasolina pode ser menos prejudicial na emissão para a atmosfera de gases de estufa do que um veículo elétrico. A comparação tem por base a análise dos diversos processos utilizados para produzir a sua fonte de combustível para respetiva ‘alimentação’.

Um dos dados retirados do estudo assinado por Michael Sivak e por Brandon Shoettle é de que a nível global um carro a gasolina que consuma 4,6 l/100 km (ou abaixo disso) irá emitir menos gases com efeitos de estufa do que um veículo elétrico. Esse é, então, o valor médio à escala global (uma vez feita a média das fontes utilizadas para a produção da gasolina e da energia elétrica dos países estudados) para que um veículo a gasolina emita menos gases de estufa do que um modelo 100% elétrico. Além da determinação desse valor médio global, que serve como referência, a dupla de investigadores debruçou-se em idêntica questão para cada país.

Este estudo, denominado “Fuel Sources for Electricity in the Individual Countries of the World and the Consequent Emissions from Driving Electric Vehicles”, algo como ‘Fontes de Eletricidade nos Países do Mundo e as Consequentes Emissões da Condução de Veículos Elétrico‘ em tradução livre, faz uma análise da produção de energia em cada país (num total de 143) e adaptação às correspondentes emissões de igual processo para um carro a gasolina.

“As razões para levar a cabo este estudo comparativo país a país foram (1) que as emissões indiretas dos Veículos Elétricos dependem da combinação de fontes de combustível utilizadas para gerar eletricidade e (2) os países diferem enormemente na sua combinação de fontes de combustíveis”, lê-se no estudo, para o qual não foram contabilizadas as emissões associadas com a produção de cada tipo de veículo, apenas e só as relacionadas com as fontes de alimentação.

Assim, contabilizaram-se apenas os efeitos da extração e transporte das matérias-primas para as centrais elétricas, mas também os resultantes da queima do combustível para a geração de energia elétrica, além das perdas durante o processo de transporte da mesma pela rede. Para os veículos a gasolina, mediu-se a extração do crude, o transporte e respetivo refinamento, bem como o transporte para os postos de abastecimento e processo de combustão no veículo enquanto é conduzido.

Para uma melhor apreciação dos dados, Sivak e Shoettle basearam-se nos dados da IEA (Internal Energy Agency) de 2015, os quais apresentam as fontes para a produção da eletricidade a partir de diferentes origens, sendo apontadas oito no total: carvão, petróleo, gás natural, geotérmica, solar, nuclear, eólica e hídrica, a que se juntam também as provenientes de biocombustíveies, desperdícios, marés, embora a sua representatividade seja menor.

Os resultados dos 143 países analisados (faltam dados de países essencialmente localizados em África e em arquipélagos situados nas regiões das Caraíbas e do Sul do Pacífico) apresentam valores díspares para cada país e, se é obtido o valor igual ou menor a 4,6 l/100 km como aquele a partir do qual um carro a gasolina consegue ser menos prejudicial no geral para o ambiente (uma vez mais, excluindo os processos de produção dos carros), há países que se destacam pela sua eficiência na produção de eletricidade.

Num dos extremos está a Albânia, que gera 100% da sua eletricidade de forma hídrica (0,05 l/100 km), ao passo que no polo oposto se situam o Botswana e Gibraltar, que produzem a totalidade da sua energia a partir do carvão e do petróleo, com 8,1 l/100 km. Portugal fica sensivelmente a meio da tabela, com um valor de 3,6 l/100 km, valor a partir do qual um carro a gasolina consegue registar menos emissões do que um elétrico, ficando a par de países como a Tanzânia, Costa do Marfim e Itália.

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