Quem já teve a oportunidade de prestar atenção a um carro elétrico a passar reparou que não emite muito menos ruído que um carro com um tradicional motor de combustão. Os automóveis elétricos são considerados tão silenciosos que existem diretivas na União Europeia para tornarem obrigatório o uso de aparelhos sonoros de atividade permanente para avisar os transeuntes da sua presença.

Apesar disso, existem pessoas, inclusive em posições de autoridade, que consideram inaceitável a possibilidade dos automóveis elétricos emitirem qualquer som elevado como aviso para os peões. É o caso de René Weinandy, responsável pelo gabinete de Redução de Som nos Transportes dentro da Autoridade Ambiental Federal da Alemanha. Weinandy apresentou a sua ideia numa conferência da Sociedade Americana de Acústica.

De acordo com o cientista alemão, mais de 4000 pessoas morrem no seu país de ataque cardíaco causado por sons repentinos, e quer que a União Europeia estude alternativas ao som para avisar peões da presença de um automóvel. No entanto, existem vários problemas que são facilmente resolvidos com um aviso sonoro.

Weinandy parece não levar em conta que, com uma maioria de carros elétricos na estrada, um som muito abaixo dos 75 dB máximos exigidos pela UE seria facilmente ouvido pois não existiria tanta poluição sonora; que o som que será emitido pelo automóvel será permanente e poderá ser ouvido à distância, em vez de apanhar uma pessoa de surpresa; que os invisuais necessitam do som para reconhecerem o ambiente em espaços abertos; e que mesmo uma pessoa com visão depende dos outros sentidos, incluindo o som, para reações.