Eletrificação e sinergias com a PSA no caminho da Opel para os lucros

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Agora integrada em pleno no Grupo PSA, a Opel prepara uma viragem em pleno para o caminho da eletrificação, com a nova estratégia hoje anunciada pelo CEO da marca alemã, Michael Lohscheller, a procurar o regresso da Opel a um crescimento sustentado.

Eis o plano ‘PACE!’ para a Opel Automobile GmbH: reduzir custos operacionais aproveitando as sinergias com as restantes marcas PSA e acentuar a aposta na eletrificação. Através destes dois vetores, procura-se recuperar as bases financeiras da empresa e reforçar a competitividade sustentada e o crescimento.

Todas as iniciativas do plano contribuirão para os objetivos de alcançar fluxo de caixa operacional positivo e margem operacional da divisão automóvel de 2% numa primeira fase até 2020 e de 6% em 2026. O plano agora divulgado prevê sinergias ao nível do Grupo PSA de 1.1 mil milhões de euros por ano em 2020 e de 1.7 mil milhões/ano em 2026.

Eis, desta forma, uma forma de se obter um ponto de ‘break-even’ financeiro da Opel/Vauxhall mais baixo, na fasquia de 800.000 veículos, sustentando um modelo de negócio lucrativo independentemente de fatores externos negativos que possam afetar a atividade da empresa.

Fulcral para a estratégia da Opel e atendendo também às novas tendências de mercado, a Opel/Vauxhall pretende efetivar-se como “líder europeu em baixas emissões de CO2”. Para tal, até 2024, todos os modelos de passageiros passarão a incorporar tecnologias de tração elétrica, com versões de motorização elétrica ou híbrida ‘plug-in’, a par de motores térmicos eficientes. Em 2020, a Opel/Vauxhall terá no mercado quatro modelos com tecnologia de motorização elétrica, incluindo o Grandland X PHEV (híbrido ‘plug-in’) e o Corsa da próxima geração como elétrico a bateria.

Mudanças estruturais

A empresa reforçará a sua competitividade até 2020 reduzindo custos na ordem de 700 euros por unidade produzida. A eficiência ao nível das despesas de ‘marketing’ será melhorada em mais de 10%. O plano prevê também ir ao encontro da referência da indústria no que diz respeito à relação custos salariais/receitas. A otimização em termos de Pesquisa e Desenvolvimento e CapEx em torno de 7% a 8% das receitas geradas pelas áreas automóvel, produção e processos administrativos em 2020, bem como capital de exploração (‘working capital’) no patamar de 1,2 mil milhões de euros em 2022, contribuirão para potenciar sinergias.

Carlos Tavares, Presidente do Conselho de Administração do Grupo PSA, e Michael Lohscheller, CEO da Opel.

A competitividade melhorada das fábricas levará a nova distribuição de modelos que se traduzirá em melhor utilização de capacidade para a próxima década. As duas plataformas do Grupo PSA, CMP e EMP2, serão aplicadas em todas as fábricas Opel/Vauxhall. Em 2019, entrará na fábrica alemã de Eisenach a plataforma EMP2 para a produção de um SUV, enquanto em Rüsselsheim será também produzido um segmento D com base EMP2. A atribuição da produção de motores e caixas de velocidades à rede de fábricas Opel/Vauxhall será feita em linha com a transição destes componentes de GM para Groupe PSA.

Salientando que o plano “foi concebido com a intenção clara de manter todas as fábricas e evitar rescisões compulsivas de recursos humanos”, a Opel refere que a “necessária e sustentada redução de custos a este nível será obtida com medidas ponderadas, como conceitos inovadores de tempos de trabalho, programas de rescisão voluntária e reformas antecipadas”.

Genes alemães

Todos os novos modelos Opel/Vauxhall serão concebidos na Engenharia de Rüsselsheim, a qual será transformada num centro de competências global para todo o Grupo PSA. As primeiras áreas de trabalho estão identificadas, como pilhas de combustível, algumas tecnologias de condução autónoma e sistemas de assistência à condução. Isto reforçará a garantia de qualidade de engenharia alemã e de inovações acessíveis.

Até 2024, o número de plataformas que a Opel/Vauxhall utilizará nos seus modelos reduzir-se-á das atuais nove para duas. Além disso, as famílias de motores serão otimizadas de dez para quatro. “Alinhando arquiteturas e motorizações reduziremos substancialmente a complexidade de desenvolvimento e produção, o que resultará em efeitos de escala e sinergias que darão um contributo para os lucros”, salientou Michael Lohscheller.

A transição dos modelos Opel/Vauxhall para as eficientes e versáteis arquiteturas do Grupo PSA processar-se-á a um ritmo mais acelerado do que se antecipava. A partir de 2024, todos os modelos de passageiros da Opel/Vauxhall terão por base arquiteturas partilhadas da PSA. O próximo modelo será o Combo, em 2018, e a próxima geração do ‘best-seller’ Corsa em 2019. Esta estratégia continuará a ser seguida de forma sistemática, contemplando o lançamento de um modelo novo principal em cada ano. A Opel/Vauxhall lançará um total de nove novos modelos até 2020. O alinhamento permitirá aumentar o potencial de posicionamento das marcas Opel e Vauxhall, nomeadamente em matéria de preços, reduzindo em quatro pontos a diferença que as separa da referência do mercado.

O crescimento de vendas das marcas Opel e Vauxhall será apoiado por iniciativas como o arranque de propostas de financiamento ainda mais atrativas e soluções completas de ‘leasing’, facultadas pelos Serviços Financeiros da Opel e da Vauxhall.

Além disso, em 2020, a Opel estará a exportar para 20 novos mercados. Além destes, a marca analisará à escala mundial outras oportunidades de exportação que sejam lucrativas.

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