Autoestradas espanholas preparam-se para perder portagens

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

O Governo espanhol anunciou que o final dos contratos de concessão das autoestradas (a 50 anos) irá ter como resultado a extinção das portagens em diversas vias até 2021. De acordo com uma entrevista ao jornal El Pais do ministro do Desenvolvimento, José Luis Ábalos, as atuais vias concessionadas passarão para o controlo do Estado.

No total, serão cerca de 1000 quilómetros de vias a deixarem de contar com portagens, algumas já este ano, sendo que a grande maioria das autoestradas em final de concessão estão situadas na costa mediterrânica a Este, englobando assim muitas das vias da Catalunha, como alguns dos troços da AP-2, entre Saragoça e o Mediterrâneo, e da AP-7, nomeadamente aqueles entre Tarragona-La Jonquera e Montmelo-El Papiol, que no seu conjunto apresentam 479 quilómetros. Estas têm data de término das concessões para 31 de agosto de 2021, pelo que a decisão sobre estes troços irá estar a cargo do Governo em funções na época.

A via mais perto de solo português a perder as portagens será a AP-4, entre Sevilha e Cádiz, já no final de 2019.

Financeiramente, esta medida trará impactos para o erário espanhol, uma vez que Ábalos indicou que o custo mínimo para o Estado derivado da conservação das vias com contratos de concessão a terminarem este ano e no próximo rondará os 27 milhões de euros por ano, sem contar com as receitas perdidas das portagens que deixam de ser pagas, naturalmente.

Da parte das concessionárias, a reação é negativa, com a SEOPAN, a associação que agrupa as construtoras e concessionárias de infraestruturas, a referir que só o custo do troço da AP-1 entre Burgos e Armiñon (Álava) teria uma um custo para os contribuintes na ordem dos 300 milhões de euros.

Além disso, defende, o aumento do tráfego motivado pelo final das portagens e a manutenção potencialmente descurada por parte do Estado iriam resultar no colapso da via, uma vez que os veículos pesados a circular naquela via seriam em muito maior número – incluindo transportes pesados portugueses.