Entre as ondas do McNamara e a espuma dos dias

07/04/2019

Ondas, grandes ondas, enormes ondas, no canhão da Nazaré, num dia roubado à espuma dos dias, na companhia da Mercedes-Benz e dos surfistas McNamara e Hugo Vau, embaixadores da adrenalina

Nada me atrai mais do que aquilo que me amedronta. Há algo de bipolar em mim quando estou próximo do mar – e da água em geral. Já assim era quando, catraio de calções curtos, saltava da plataforma dos 10 metros da piscina dos Olivais (hoje vedada por motivos legais e de mero bom senso). As vertigens eram tais que nem conseguia chegar-me à beirinha antes de saltar. Mas saltava na mesma, sempre com balanço. E de cabeça, pois claro, que é a única forma de o fazer quando ainda a não temos no sítio certo.

A sensação que tenho, no momento em que rasgo o mar, à pendura da moto de água de Hugo Vau, em pleno canhão da Nazaré, é semelhante. A adrenalina e o arrepio, também, apesar do fato impermeável, da cabeça aos pés, onde me enfiei, uma hora antes, juntamente com um grupo de jornalistas, staff da Mercedes-Benz, organizadora deste Water Experience, e do próprio Garret McNamara.

A diferença? Aqui, na Praia do Norte, é a água que cai em mim e não eu na água. E o balanço, sempre necessário, é o do próprio jet ski que continua a avançar até ao ponto certo, ao ponto onde nascem as ondas. O resto é igual. Até o tamanho delas. Mas apenas porque está um lindo dia de sol e as ondas são baixinhas. Para Hugo Vau e McNamara é como um dia calmo no escritório. Com o pormenor de que eles escolheram um com vista para a felicidade. Mesmo quando parecem desafiar a morte, em cada descida de uma onda da dimensão de um prédio, há algo de invulgar no sorriso deles. Como se soubessem algo que nós desconhecemos. Como se tivessem descoberto algum mistério que um jornalista de meia idade nem desconfia.

– Estás a ver o farol? É por ali que medimos o tamanho delas, daqui da água – explica o surfista. Faz sentido, sim, o farol sempre a avisar incautos e a medir distâncias.

– Estás confortável? – pergunta Hugo Vau.

– Sim, tudo impecável! Errei na vida, mas, de resto, tudo ok! – respondo aos gritos.

– Esta vai ser maior, mas não te assustes. Agarra-te bem à moto. Se caíres, não te preocupes, eu vou buscar-te! – diz.

Eu? Agarro-me muito bem, mas, por um instante, desejo ainda com mais força, que a onda seja a maior de todas, maior do que a que ele próprio surfou, com 35 metros, maior do que o tsunami de 1755, e que lhe valeu o recorde mundial – sim, pertence-lhe a ele e não a McNamara, já agora. Parece que teve algumas dificuldades em obter o registo oficial, mas acredito que não se preocupou muito com esse detalhe. Todos os seus pares o reconhecem como recordista. A companhia ideal para esta experiência. Tenho a certeza de que, se algum dia, batesse um qualquer recorde não haveria ninguém para o registar. Mas a ele interessa-lhe muito mais procurar e conquistar a próxima Big Mama, como é apelidada a rainha das ondas. Não será hoje, que o mar não está para tais elevações.

Para aumentar a adrenalina, convida-me a saltar para um sled, uma pequena prancha, tipo boadyboard, presa ao jet ski, para um toca e foge com as ondas, para despedida.
Ao regressar a porto seguro, faltava ainda experimentar o sprum, um jet boat com lugar para 12 pessoas. Lino Bogalho, responsável da Nazaré Water Fun, bem acelerou, travou e rodopiou, no mar como se fosse no asfalto, mas depois das sensações anteriores, a aventura mais pareceu um passeio no parque. E molhado já eu estava.

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