SIVA cumpre objetivos em ano de novas opções estratégicas

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Retraindo-se da aposta no setor do rent-a-car e trabalhando a oferta das marcas por si representadas, a SIVA (Sociedade de Importação de Veículos Automóveis) teve um ano em que o foco esteve na redefinição de prioridades para os seus emblemas e na procura de consolidação no mercado, voltando a superar as 30.000 viaturas vendidas.

No total das marcas, a SIVA superou os 30.000 veículos vendidos (30.171) no ano passado, com uma quota de mercado global de 12,8% no que diz respeito aos veículos de passageiros e de 11,8% no mercado de ligeiros, no qual se somam os valores dos veículos de passageiros e comerciais ligeiros (VCL). Estes dados foram revelados na conferência de imprensa para apresentação de resultados, que teve lugar em Lisboa, na sexta-feira, dia 5 de janeiro.

Apesar da tendência de consolidação das suas marcas, a SIVA acabou por perder quota de mercado e também volume de vendas, mas Pedro de Almeida, administrador da empresa, não se confessa preocupado com esta situação, sendo um reflexo de um mercado “fortemente impulsionado pelas vendas a rent-a-car, as quais estimamos representarem mais de 25% do total de veículos vendidos em 2017”, tendo a SIVA prosseguido com a sua “opção estratégica de não acompanhar esse aumento”. Algumas marcas do grupo, aponta, “sofreram ainda com o facto de o mercado de frotas também ter ficado mais agressivo. Alguns negócios, nós pudemos acompanhar, outros não…”, frisou.

Assim, “os objetivos traçados no início do ano – com particular foco nas vendas rentáveis e sustentáveis, no reforço do valor das marcas e na satisfação dos nossos clientes – foram plenamente atingidos”, considera.

Sem obsessões de posição

Para aquele responsável, tratam-se de setores que não se traduzem em grande rentabilidade, já que tanto esse como o mercado frotista assentam muito em descontos, pelo que, admite, o objetivo é focarem-se nos “canais de vendas mais sustentáveis para a organização”. Aliás, tendo sido a Volkswagen a segunda classificada do ranking de vendas de veículos de passageiros por marca em Portugal durante muitos anos, os responsáveis da companhia garantem que não há obsessões com esse facto, pelo que o facto de a marca alemã ter consolidado o terceiro posto em 2017, atrás de Renault e Peugeot, é mais importante. Mas o que ficou bem claro é que não há um abandono: há sim, um ajustamento de posição, sendo referido que o mais importante é “estar com o peso e medida certa”.

No cômputo dos veículos de passageiros e comerciais ligeiros, a Volkswagen consolidou o segundo lugar nas vendas do mercado nacional, com 16.473 unidades (sendo terceira no de passageiros com uma quebra de 3,3% face a 2016).

Tal deveu-se essencialmente ao sucesso comercial do novo Tiguan, do novíssimo T-Roc, fabricado na Volkswagen Autoeuropa, e do novo Polo. Além desses, o Golf continua a ser um pilar da marca em termos comerciais. “Tivemos um ano em que o Polo, que é um dos modelos mais importantes, esteve em fase de run-out e sem um SUV para um mercado importante como é o do T-Roc. Ou seja, não tivemos um carro no segmento que mais vende em Portugal”, explica o responsável máximo da SIVA.

Já a Audi, que terá um ano repleto de novidades, estabeleceu um novo recorde de vendas em Portugal com 9614 unidades vendidas em 2017, resultado que se deve em grande parte ao desempenho do Q2 e da nova geração do A5. Em termos de veículos de passageiros de grande volume (não contando aqui com marcas exclusivas como a Bentley), foi aquela que teve uma variação homóloga positiva, com 1,2% de aumento nas vendas.

Já a Skoda, que se demonstrou extremamente agradada com o desempenho comercial do novo SUV Kodiaq, teve um total de 2280 unidades vendidas em 2017, mas com uma quebra de 20,8% nas vendas. A explicação está no menor número de carros vendidos ao mercado de rent-a-car, conforme explicou Pedro de Almeida. Aliás, essa estratégia terá continuidade este ano com uma abordagem em que o conceito de produto está mais orientado para os particulares e em que a oferta de pacotes de equipamento a preço mais interessante serão pilares chave.

Luís Mateus, diretor-geral da Skoda, clarificou esta noção reconhecendo que “o cliente do rent-a-car não valoriza os equipamentos, são as frotas e os particulares que ligam mais aos equipamentos e opcionais dos carros, pelo que estamos a desenhar um produto para um outro tipo de cliente que não o do rent-a-car. Uma estratégia em que o foco está na relação entre qualidade, equipamento e preço”. Para 2018, com a chegada do segundo SUV da sua gama, o Karoq, a Skoda pretende manter a tónica que o Kodiaq iniciou: o de conquista para a marca de novos clientes.

Exclusivas com outro carinho

Por outro lado, bem mais dinâmico mostrou-se o segmento dos veículos designados de luxo. As duas marcas representadas pela SIVA – Bentley e Lamborghini – registaram um assinalável aumento de vendas em 2017 face a 2016, passando de 6 para 14 unidades (dez na Bentley, na qual se regista um crescimento de 150%) e quatro na Lamborghini. Pedro de Almeida explica que “sendo de volumes mais baixos, há agora um outro carinho” por estas marcas dentro do grupo SIVA, esperando-se até que lhes seja dedicada mais atenção no futuro, com a criação, por exemplo, de um espaço comercial unificado das duas marcas com espaço de oficina integrado. As localizações atuais – dispersas – serão encerradas.

No caso da primeira, a chegada do Bentayga foi determinante para este resultado. Para a marca italiana, o próximo ano promete ser ainda mais interessante com a chegada do SUV Urus. Isto porque as sete ou oito unidades previstas para Portugal já estão vendidas por um valor de cerca de 300 mil euros cada (preço base entre os 250 mil e os 260 mil euros), sendo que apenas três eram clientes anteriores da marca de Sant’Agatha Bolognese.