Toyota ‘despede-se’ do Diesel na Europa em 2018

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Prosseguindo com a sua forte aposta na tecnologia híbrida e com a eletrificação também no horizonte, a Toyota anunciou que irá abandonar de forma faseada as motorizações Diesel nos seus automóveis de passageiros na Europa até ao final de 2018.

As expressões Diesel e Toyota vão deixar de ter relação próxima. O grupo japonês tem em vista o aumento do foco nas tecnologias híbrida, elétrica e de pilha de combustível a hidrogénio (argumentando que cada solução pode coexistir, atendendo a que respondem a necessidades distintas) nos próximos anos, pelo que os motores a gasóleo deixarão de figurar no ‘menu’ de escolhas da gama da marca ainda este ano, sendo que cada mercado terá uma data ainda a especificar para o desaparecimento desses motores.

Além da questão das emissões poluentes e das cada vez maiores restrições à sua circulação nas cidades, a marca aponta um forte crescimento nas vendas dos híbridos na Europa em contraponto com a linha descendente da importância nas vendas dos Diesel, que na marca liderada por Akio Toyoda rondou os 10% do ‘mix’ total de vendas em 2017.

Em conferência realizada hoje em Genebra, antes do início do Salão Automóvel, a marca enfatizou que o seu ritmo de crescimento tem sido “sustentado com base nos segmentos mais competitivos em termos de mercado, ou seja, os segmentos A, B e C, e graças a todas as suas derivações híbridas”, que é apontado como um forte elemento diferenciador, conforme explicou Johan van Zyl, Presidente e CEO da Toyota Motor Europe.

Este responsável traçou ainda uma estratégia clara em que o crescimento da marca – que em 2017 superou o milhão de unidades vendidas na Europa (um crescimento de 8%) – deve obedecer a critérios de “sustentabilidade e de rentabilidade e não de perseguição de volumes”. Em 2017, os híbridos representaram 41% das vendas totais da Toyota Motor Europe, aumentando 38% em relação ao ano anterior para 406 mil unidades.

Ainda em relação ao final dos motores a gasóleo nos automóveis de passageiros, a marca garante que a opção irá continuar disponível, no entanto, na gama de comerciais, na qual se adapta melhor, ou seja, nos Land Cruiser, Proace e Hilux.

“Esta não é uma nova direção, mas sim a continuidade de um rumo. Também lançámos o Aygo e o C-HR sem motores Diesel e este novo passo confirma que o Diesel vai ser gradualmente descontinuado na nossa gama de passageiros. O que não quer dizer que nunca mais vamos vender Diesel, uma vez que vamos continuar a vendê-los nalguns modelos que precisam de necessidades específicas. Assim, se excluirmos a gama comercial, os Diesel são apenas 10% do nosso mix e acreditamos que vai continuar a cair porque os nossos clientes não querem comprar carros a gasóleo, mas sim híbridos e elétricos. Não iremos desenvolver novos motores Diesel, focando-nos no desenvolvimento de novos híbridos”, explicou van Zyl.

Auris é o primeiro da nova fase híbrida

O novo Toyota Auris, que se estreia no Salão de Genebra com uma imagem bastante mais dinâmica e postura orientada para a eficácia e dinâmica de condução, é o terceiro modelo a resultar da nova plataforma TNGA (Toyota New Global Architecture) e é também o primeiro a deixar o Diesel – uma decisão arrojada no segmento que ainda tem muita ligação ao gasóleo – e a entrar na nova era da opção dupla de híbridos.

O Auris volta a ter, assim, uma importância particular na estratégia híbrida da Toyota. Em 2010, foi o primeiro modelo da marca, além do Prius, a contar com a tecnologia híbrida, generalizando-a perante uma audiência maior. A nova geração do modelo de segmento C, que deverá chegar ao nosso mercado entre o final do ano e o princípio do próximo, será produzida na fábrica britânica de Burnaston com uma gama de três motorizações, das quais duas serão híbridas, nomeadamente estreando uma nova filosofia de dois híbridos por modelo.

Assim, além do 1.2 Turbo de quatro cilindros de 116 CV, a marca terá ainda opções híbridas na forma do 1.8 Híbrido (quarta geração desta motorização) com 122 CV e do 2.0 Híbrido de 180 CV para uma postura mais dinâmica assente na plataforma global TNGA. Este novo motor será utilizado noutros modelos no futuro.

“Prova de estratégia firme”

A decisão de lançar uma gama sem qualquer versão Diesel não é nova na marca, porém. Didier Leroy, vice-presidente executivo da Toyota Motor Corporation, recordou como no início do projeto do C-HR a opção por uma motorização a gasóleo na Europa estava prevista no programa de desenvolvimento. Contudo, após diversas discussões internas sobre a viabilidade dessa solução, a companhia decidiu-se, numa fase posterior, pela sua rejeição, ficando apenas com duas opções, uma a gasolina e outra híbrida, sendo assim lançado em 2016. Leroy recorda que a decisão foi tomada muito antes de qualquer polémica com as emissões Diesel, comprovando dessa forma que “na Toyota tínhamos uma estratégia e tomámos uma decisão de que nos orgulhamos”.

Assumindo que foi um caminho arriscado aquele que foi tomado com o Prius aquando do lançamento da tecnologia híbrida, com Leroy a recordar que, no início, houve quem tecesse poucas garantias de sucesso a este sistema, o sucesso em termos de vendas e também a aceitação cada vez mais generalizada por parte dos grandes construtores desta fórmula, comprova a “estratégia de sucesso”.

Além disso, relata ainda um episódio do passado, mais concretamente na negociação dos motores Diesel com o Grupo BMW em dezembro de 2010: “Quando estávamos a fazer os acordos com a BMW para que nos fornecessem motores Diesel de baixa cilindrada, na época estávamos já a antecipar que não iríamos alocar mais esforços no desenvolvimento de unidades a gasóleo de baixa cilindrada. Aqui, falamos de um motor de 1.5 litros, que era o que estava em cima da mesa e ao início houve uma gande discussão sobre o tema”.

Com 20 anos de história em matéria de híbridos, a marca apresta-se a superar os 12 milhões de unidades vendidas na Europa, destacando também o facto de ser a marca “número 1 nas vendas de híbridos em todos os países da Europa”.

*Em Genebra

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