Honda X-ADV: A scooter que queria ser uma Africa Twin

Ao ver pela primeira vez a X-ADV, a reação mais provável será: “Tão gira, faz lembrar uma mini Africa Twin”. O design arrojado foi concebido no centro R&D da Honda, em Itália, e muito embora o diretor de projeto Kenichi Misaki revele que o mote para o desenvolvimento tenha sido “pura diversão”, esta scooter é muito mais do que isso. Estamos perante um verdadeiro SUV (sports utility vehicle) de duas rodas, e o esquema de cores a lembrar-nos a “irmã mais velha”, não parece ser só coincidência.

De facto, quem estiver na dúvida entre comprar uma scooter ou uma moto, pode bem encontrar nesta X-ADV a solução para o seu dilema. Ao conjugar o melhor de uma scooter com o melhor de uma moto, a Honda cria um conceito sem rival dentro do segmento, perfeita para o dia-a-dia, entre a casa e o trabalho, muito confortável para viajar, e com atributos para umas saídas fora de estrada sempre que apetecer.

O conceito de scooter que parece uma moto, e vice-versa, já tinha sido explorado pela Honda com o modelo Integra, na base desta X-ADV. No entanto, foi tudo revisto e aumentado de forma a poder aguentar uma utilização mais abrangente, especialmente, no que toca a incursões fora de estrada.

Assim temos: ignição sem chave (esta fica no bolso) e ligamos a moto no seletor que também permite o acesso ao tampão do depósito e ao banco, com espaço para um capacete integral. Iluminação totalmente em led, o mesmo motor com 745cc que equipa a gama NC, que embora não seja um colosso de potência, tem genica suficiente para nos manter entretidos, mesmo a velocidades de auto-estrada.

É precisamente em auto-estrada que damos conta da excelente proteção aerodinâmica oferecida pelo conjunto, o pára-brisas regulável em altura, mesmo na posição mais baixa, deflecte eficazmente o vento à nossa frente. A competente caixa de dupla embraiagem DCT, que parece “aprender” o modo como conduzimos, em modo drive proporciona uma condução mais relaxada, sendo ideal para utilizar em cidade. Já no modo sport, transfigura-se, disponibilizando três níveis para uma condução verdadeiramente desportiva. Neste modo a caixa “aguenta” as mudanças durante mais tempo, permitindo ter sempre motor disponível. No entanto, podemos sempre recorrer ao modo manual utilizando as patilhas para pôr ou tirar mudanças. Para escolher todas estas funções existe um painel de instrumentos de fácil leitura semelhante ao da CRF 450 Rally.

O amortecimento está a cargo de uma forquilha invertida na frente, ajustável em pré-carga e extensão, e de um amortecedor atrás que permite ajustar apenas a pré-carga.

A semelhança com a Africa Twin resulta quase de forma inexplicável, uma vez que são motos completamente diferentes. A verdade é que componentes como o guiador largo, as proteções de mãos e as jantes de raios contribuem para essa aura que nos remete para a moto de todo-o-terreno mais emblemática da Honda.

Mais: conceito inovador, fator diversão, estética.

Menos: travão de mão não imobiliza a moto por completo.

Ficha técnica:

Motor: bicilíndrico paralelo com 745cc

Potência: 55cv

Caixa: dupla embraiagem com 6 velocidades

Travões: discos de 310mm com pinças radiais de 4 pistões com ABS

Peso: 238kg

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