Os bilhetes para assistir à prova de resistência do desporto automóvel mais famosa do mundo para 2024 já estão esgotados. Os fãs das 24 Horas de Le Mans sempre foram uma assistência muito especial: desde a sua criação em 1923 são capazes de suportar as condições mais adversas durante um dia e uma noite da duração da corrida. Frio chuva e sono não os demovem de ficar até ao fim para verem quem será a equipa vencedora. No entanto, ao longo dos anos o interesse foi diminuindo e o número de fãs reduzindo.

 

Com a criação do World Endurance Series (WEC) em 2012, o interesse pelas corridas de resistência foi de novo aumentando e em particular pela 24 Horas de Le Mans, a prova mais conhecida do campeonato.

Em Portimão, onde a equipa Alpine Elf Endurance Team efetua testes aos seus dois Alpine A424 Hypercar, Mick Schumacher explica-nos que uma das razões da popularidade das provas de resistência é porque: “representam uma forma mais pura do desporto”.

O piloto alemão junta-se aos restantes 5 pilotos para a época de 2024: Nicolas Lapierre, Matthieu Vaxiviera, Charles Milesi, Paul-Loup Chatin, Ferdinand Habsburg. E trás consigo a experiência da Fórmula 1 que espera vir a ser útil.

“Os fãs do endurance interessam-se realmente pela corrida, e não naquilo que se passa à sua volta”, adianta ainda Schumacher, comparando a disciplina em que vai competir com outras modalidades, nomeadamente a Fórmula 1, onde pilotou nas épocas de 2021/22 como piloto de reserva nas equipas da Mercedes-AMG Petronas e da McLaren.

Para 2024 as espectativas são grandes, tal como nos explica o team manager da equipa Philippe Sinault: “O objectivo da Alpine é vencer Le Mans e ganhar o campeonato. Os resultados nos testes obtidos até aqui dão-nos razões para estarmos otimistas”.

Quando questionado sobre a escolha do Autódromo Internacional do Algarve para efetuarem os testes, responde: “A razão é muito simples: é uma pista que já conhecemos e temos uma extensa base de dados e telemetria para comparação. Além disso é uma excelente pista para testarmos o downforce dos carros”.

Os dois hypercarros com que a Alpine irá competir na próxima época terão um motor V6 turbo de 3,4 litros, desenvolvido em conjunto com a Mecachrome e produz 680 cv de potência. A componente hibrida conta com um motor elétrico de 50 kW (68 cv), é fornecido pela Bosch e está montado na traseira. Composto por cerca de vinte mil peças, o peso total de cada carro está limitado a um mínimo de 1030 kg.

Apesar de a pressão para a obtenção de resultados se fazer sentir mais do lado dos pilotos, existe uma equipa de dezenas de elementos com as mais diversas funções, que garantem que a estrutura está devidamente “oleada” para cumprir os objetivos. É o caso da luso-descendente India de Seignard de la Fressange, a acessora de imprensa da equipa, que o Motor24 teve a oportunidade de entrevistar no vídeo que pode ver em baixo.

Os testes no circuito de Portimão correram sem problemas e permitiram aos dois Alpine A424 percorrer cerca de 3000 quilómetros: 1443 km com o carro #35 e 1562 km com o carro #36.