Andreas Bakkerud: Um ás a conquistar adeptos por onde passa

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

A claque de adeptos de Rallycross vai crescendo à entrada do espaço da EKS RX em Montalegre, sendo composta por um grupo incrivelmente variado – crianças, mulheres e homens de todas as idades acotovelam-se para tentarem ver melhor o que se passa no interior da ‘boxe’. Mas, curioso é o grupo de adeptos equipados a rigor com os seus casacos azuis, que gritam ‘oh Bakkerud, oh Bakkerud’ em jeito de cântico de futebol.

Pela fisionomia, facilmente se percebe que não são locais. Fazem parte de uma claque que vai seguindo (onde pode) Andreas Bakkerud, uma vez que algumas localizações do Mundial FIA de Rallycross (World RX) acabam por implicar gastos elevados com deslocações. Mas Montalegre não foi o caso. Animados, faziam a festa.

E Bakkerud, por outro lado, responde de forma amistosa. Sempre. Ora acede a mais uma fotografia com os adeptos, seja posando para as câmaras dos muitos smartphones, seja nas cada vez mais casuais ‘selfies’, ora assina uns quantos posters que lhe colocam nas mãos.

Aos 26 anos de idade, Andreas Bakkerud tem um percurso intimamente ligado a esta modalidade, na qual se iniciou aos 15 anos depois de oito anos nos karts. Agora, ao serviço da EKS RX, o norueguês aproveita o seu novo mundo. A sua estreia no Rallycross deu-se em 2013 com um DS3 privado, transitando depois para a Olsbergs MSE (Ford Fiesta) em 2014 e 2015 e competindo nos dois últimos anos ao serviço da formação do sempre mediático Ken Block, a Hoonigan Racing Division. Finda a aventura na equipa de Block, apresenta-se agora com a EKS RX, pilotando os Audi S1 EKS RX quattro.

“É um grande passo em frente na minha vida, ao passar do trabalho com o Ken [Block] com quem corri nos últimos anos, para a Audi e a EKS RX: uma equipa é ‘preto’, outra é ‘branco’. Gosto bastante de estar aqui, de conhecer o Mattias [Ekström] e dar-me com toda a família da EKS cada vez mais. Sinto-me e divirto-me como se fosse o irmão mais pequeno do grupo. Estou a gostar bastante”, refere Bakkerud em entrevista ao Motor24, apontando que trabalhar com Mattias Ekström acrescenta alguma pressão, mas que a honra de estar ao lado de um piloto muito experiente se sobrepõe.

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“Sim, o Mattias tem imensa experiência na competição e, na verdade, sinto-me honrado por ser seu companheiro de equipa, pois posso experienciar muito e atalhar um pouco a minha curva de aprendizagem ao ouvir os conselhos dele. Trabalhei com muitos pilotos mas o Mattias é um piloto muito forte e muito experiente. Aquilo que mais me impressiona nele é a sua paixão pelo trabalho, aponta.

Montalegre, um local privilegiado

O traçado de Montalegre é uma pequena caixinha de surpresas, sobretudo no que toca às condições climatéricas, conforme reconheceu o próprio piloto, um dia antes de presenciar, in loco, um nevão durante a Final, na qual terminou em quarto lugar. Mas o norueguês garante adorar a natureza e o ambiente entusiástico em torno no evento.

“Corri aqui pela primeira vez em 2010 e ainda adoro este lugar. Se me perguntares por que é que gosto tanto deste lugar, eu diria que são muitas coisas diferentes. Estamos em Montalegre, rodeados desta Natureza magnífica… No outro dia, estava a publicar um vídeo nas minhas redes sociais junto de umas 200 ovelhas, uma vaca, havia cães na rua e pessoas simpáticas… Aqui no topo da montanha as condições climatéricas estão sempre a mudar e os adeptos são muito entusiásticos, sempre a sorrir. Cada vez que fazemos algo de louco, eles levantam-se em apoio. Têm uma paixão incrível pelo desporto e a pista em si tem uma fluidez muito boa”, explica Bakkerud, que pretende vencer o “máximo de corridas possível. Quero estar no topo da classificação, lutar pelo título de equipas, elevar a Audi e a EKS ao melhor lugar possível”.

Antes do evento, Mattias Ekström e Andreas Bakkerud tentaram a sua sorte no desenho de azulejos. Ponto extra para Ekström por ter adivinhado a instabilidade climatérica do fim de semana de Montalegre…

Abordando aquele que é um dos grandes temas do momento, com a cada vez maior tendência para a tecnologia elétrica, o piloto da EKS RX considerou que “há uma altura para tudo” e que, no automobilismo, “chegou-se a uma era em que os carros elétricos são cada vez mais potentes e penso que o Rallycross é a plataforma perfeita para isso, para trabalharmos com construtores que queiram enveredar pelo rumo elétrico e vender mais carros. Somos uma ótima plataforma para testar os seus produtos para que sejam seguros na rua”.

Guiando carros tão potentes com motores que roçam os 580 CV, a preparação física é também um ponto muito relevante para os pilotos do Mundial de Rallycross, como enaltece Bakkerud, explicando que, “enquanto pilotos, não precisamos de correr 10 quilómetros num dado tempo, mas temos de estar em boa forma geral. Chegam a estar 75 graus dentro do carro, o que é muito quente”. Para fazer face a esse esforço, Andreas opta agora pelo crossfit e passeios pela montanha, mas antes, até há cerca de dois anos, “fazia mais kickboxing, futebol ou esqui, que é muito popular na Noruega. Tento sempre fazer coisas novas e manter-me em forma”.

Feitas as contas ao fim de semana de Montalegre, segunda prova do campeonato, Bakkerud não foi além do quarto posto na Final, mas após duas excelentes prestações nas semifinais, conseguiu sair de Portugal na segunda posição do campeonato, com 44 pontos contra os 53 de Johan Kristoffersson, que venceu aos comandos do seu Volkswagen Polo R da equipa de Petter Solberg (terceiro com 43 pontos) e é o líder da tabela de pilotos.

A procissão ainda vai no ‘adro’ no que à história do World RX 2018 diz respeito, mas Andreas Bakkerud vai continuando a ganhar admiradores pela sua forma de estar descontraída, o que também é de enaltecer numa competição que tem outros nomes como o já referido Solberg, Sébastien Loeb ou Timmy Hansen.

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