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Harley Davidson FXDR 114: Aceleração infernal

A cultura norte-americana é responsável por décadas de influência sobre o modo de vida, um pouco por todo o mundo. A forma mais eficaz tem sido através do Cinema com filmes memoráveis, como é o caso de Easy Rider (1969), sinónimo da contracultura de uma época que foi, simultaneamente, uma crítica social e criador de tendências numa altura conturbada da história da América do Norte.

Para os menos atentos, a imagem que fica do filme realizado por Dennis Hopper é a liberdade de andar de moto sem destino definido, de preferência numa Harley Davidson (HD). Por isso, é sempre com grande expectativa que experimentamos uma nova HD. Acontece que temos uma ideia pré-concebida do que é andar de moto e depois existe a realidade de andar numa Harley. São coisas muito diferentes. Sobretudo, quando se trata de um modelo equipado com o Milwaukee-Eight com 1 868 cc de cilindrada, o maior bicilíndrico em V que a Harley Davidson coloca nas suas motos.

Os menos experientes deverão ter alguma contenção no acelerador para evitarem alguma surpresa menos agradável, especialmente a curvar, já que o massivo pneu traseiro com a medida 240/40 parece gostar mais de andar a direito. E é dessa forma que a FXDR surpreende: a facilidade com que o motor de 114 polegadas cúbicas (é assim que a marca mede a cilindrada dos seus motores) impulsiona os seus trezentos quilos é impressionante. Estamos a falar de 160 nm de torque disponíveis logo às 3 500 rotações, muito úteis para ultrapassagens sem ter de fazer reduções.

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Na verdade, podemos andar apenas nas três velocidades mais altas, na maior parte do tempo, sem nenhum problema. Só mesmo no para-arranca na cidade e nas manobras é que o peso se faz notar e as coisas se podem complicar. O calor também é uma realidade desagradável com a qual temos de lidar, recomenda-se muita atenção aos coletores de escape, que são muito bonitos, mas podem queimar se nos descuidarmos. Em andamento, o conforto é possível desde que se escolham estradas em bom estado. A afinação das suspensões pende para o duro e embora se possa afinar a compressão da mola do amortecedor, não conseguimos deixar de sentir bem os buracos e tampas de esgoto. Já a posição de condução é, no mínimo, estranha: o espaço entre as pernas é assimétrico e vão esticadas para a frente assim como os braços, que por causa da posição dos avanços obriga a irmos curvados para a frente.

Com esta softail, a Harley Davidson consegue preencher o lugar deixado vazio pela V-Rod e atrair clientes hardcore da marca que querem uma moto moderna, mas ainda não estão preparados para o futuro eletrificado que a HD está a delinear com a Livewire como ponta de lança desta mudança.

O DN Ócio/Motor24 agradece aos Nirvana Studios a permissão para as fotos. www.nirvana.pt

Ficha técnica:

Preço: 25 950 euros
Motor: Bicilíndrico em V com 1868cc
Depósito: 16,7 litros
Altura do assento: 720mm
Peso: 303 kg

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