A reunião dos G7 ficou marcada pela conversa de tarifas comerciais e a ameaça de taxas de importação para os automóveis estrangeiros importados para os Estados Unidos. Mas Brian Smith, diretor de operações da Hyundai Motor America acredita que a estratégia é outra e acusa o presidente Donald Trump de querer taxas os construtores estrangeiros, mesmo que tenham empresas sedeadas nos Estados Unidos e que estas construam automóveis em território americano, como é o caso da Hyundai.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Comércio está a investigar se a importação de automóveis constitui um perigo para a segurança nacional, com o número de veículos oriundos do estrangeiro e vendidos nos EUA a subir de 32 para 48 por cento do mercado nos últimos 20 anos. Em simultâneo, a perda de empregos na indústria automóvel americana é de 22 por cento no mesmo período.

Mesmo assim, não é linear que a “culpa” seja das marcas estrangeiras, algo que Trump parece não estar a par. Não só marcas como a Toyota, Honda, Hyundai, BMW e Mercedes constrói carros nos Estados Unidos, como os grupos americanos General Motors, Ford e FCA têm fábricas nos vizinhos Canadá e México, onde fabricam não só automóveis completos, mas também vários componentes como motores e transmissões.

Das marcas europeias, a BMW constrói os seus SUV X3, X4, X5 e X6 na Carolina do Sul, enquanto a Mercedes constrói os Classe C, GLE e GLS no Alabama e o comercial Spinter na Carolina do Sul. A Volkswagen produz dois dos seus modelos mais importantes, um Passat americanizado e o SUV Atlas, no Tennessee (o Jetta, outro modelo importante na América, é importado do México). Muitos destes estados são tradicionalmente apoiantes do Partido Republicano, pelo que se estes postos de trabalho fossem eliminados, iria custar votos a Trump nas próximas eleições presidenciais.

As marcas asiáticas há muito consideram as necessidades específicas do mercado americano uma prioridade, e muitas não só constroem como também desenvolvem os seus carros neste país. A Honda, por exemplo, tem duas fábricas no Ohio, uma no Alabama e uma no Indiana, onde produzem quase toda as gamas Honda e Acura. A Nissan também localizou quase 100 por cento da gama, no Tennessee e no Mississipi. A Toyota, que tem um centro de desenvolvimento na Califórnia, tem quatro fábricas ativas (Kentucky, Indiana, Texas e Mississipi) e vai abrir mais três até 2021. Os modelos mais vendidos da Hyundai (Elantra, Sonata e Santa Fé) e da Kia (Optima e Sorento) são produzidos no Alabama e na Geórgia, respetivamente.

As marcas americanas têm grande parte da sua produção nos Estados Unidos, mas certos modelos que necessitam de ser vendidos a baixo preço vêm dos países vizinhos. A GM ainda constrói os Chevrolet Impala e Equinox no Canadá, tal como o luxuoso Cadillac XTS, enquanto os compactos Sonic e Cruze vêm do México. A Ford produz os SUV Edge e Flex no Canadá e as versões norte-americanas do Fiesta e do Fusion no México, e tem também fábricas de motores nos dois países. E a FCA importa os modelos de luxo Chrysler 300 e Pacifica e Dodge Challenger e Charger do Canadá, enquanto as pickups Ram e o Jeep Compass têm unidades de produção no México.