Renault F1: Risco assumido para chegar aos 1.000 CV

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Além das mudanças técnicas que a Fórmula 1 obrigou a desenvolver para esta temporada de 2017, a Renault joga forte também no arrojo técnico ao nível da unidade híbrida que foi totalmente renovada de forma a tornar a equipa ainda mais competitiva e aproximar-se dos lugares da frente.

Uma medida arriscada, mas muito ponderada, por parte da formação com base em Enstone, no Reino Unido, conforme contaram ao site Motor 24 alguns dos principais responsáveis da Renault Sport no evento de apresentação do novo monolugar, o R.S.17, em Londres.

“De cada vez que começamos uma época, há um risco!”, começa por dizer Rémi Taffin, diretor do departamento de motores da Renault, lembrando que o risco que a marca tomou ao encetar o desenvolvimento de um motor totalmente novo foi muito pensado e fruto de muita discussão interna.

“Há 15 meses decidimos que devíamos apostar em algo diferente, um conceito que desenvolvemos ao longo de 2016 e que é o que temos hoje. Corremos alguns riscos, ensaiámos muito no banco de testes, mas vamos esperar pelas próximas semanas para verificar que tudo está a correr bem. É um motor que não é só para este ano, mas sim para mais anos, com um projeto de desenvolvimento de longo-termo”, enaltece Taffin, para quem a decisão de ‘largar’ a evolução do carro do ano passado numa fase ainda prematura do ano passado foi decisiva.

De forma mais técnica, o homem-forte da divisão de propulsores da Renault Sport explica que não foi só o motor de combustão interna (ICE) a ser evoluído. “Toda a arquitetura do sistema de recuperação de energia (ERS) foi organizada de forma diferente e o arrefecimento também. Tudo isso resulta do tempo que tivemos para desenvolver este motor e integrá-lo no carro. Pudemos ter estas discussões e chegar a conclusões ao longo do ano passado”, afiançou, revelando que, no total, este motor conta já com cerca de 5.000 quilómetros percorridos em banco de testes.

O regresso dos motores com 1.000 CV?

Num conjunto entre motor de combustão interna de 1.6 litros com seis cilindros em V e unidade elétrica, a potência total supera já os 900 CV, pelo que a pergunta impõe-se: será possível exceder a fasquia dos 1.000 CV já em 2017?

“Os motores com 1.000 CV são possíveis. Creio que chegaremos lá nalgum ponto neste ano. A eficiência do motor é que traz a performance”, adianta, lançando a ideia de que todos os motores este ano estarão com uma potência base entre os 900 e os 1.000 CV.

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Esse aumento de potência poderá chegar numa fase posterior quando se forem introduzindo melhorias no motor, que decorrerão da implementação de motores novos dos quatro que cada carro poderá utilizar ao longo do ano, sendo que num primeiro momento, a Renault Sport vai apostar na fiabilidade, atendendo a que esta será uma incógnita a que importa dar atenção.

Por outro lado, ao contar com a experiência de Nico Hulkenberg, piloto que no passado recente esteve ao serviço de uma equipa com motores Mercedes-AMG, os grandes dominadores, Taffin admite que é um elemento positivo, mas que a chegada do piloto alemão não trouxe consigo grandes revelações ou surpresas face ao que já se sabia da unidade de potência da marca alemã.

“O Nico [Hulkenberg] chegou tarde à equipa, quando o desenho do motor e a sua conceção já estavam finalizados, mas, para ser franco, tem dado algum feedback, o que é interessante. Compara apenas aquilo que se pode comparar. Não houve grandes surpresas ou grandes revelações. No final de contas, é uma mistura de várias pequenas coisas que torna um carro rápido. No ano passado, muita da desvantagem que recuperámos para a Mercedes e para a Ferrari foi obtida assim e creio que agora vai ser igual. Acho que eles vão continuar à frente, mas não por um segundo, mas por alguns décimos de segundo. Agora conseguimos projetar um futuro em que poderemos estar à frente deles nalgum ponto, o que há dois anos era impensável”.

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