Para a BMW carros movidos a hidrogénio são uma hipótese para a “mobilidade do futuro”

23/09/2023

a carregar vídeo
Para o especialista em hidrogénio, não basta que a descarbonização seja aplicada aos automóveis ligeiros: a proximidade ao objetivo “zero emissões” tem de chegar também aos veículos pesados, aos aviões e ao transporte marítimo.

 

“Acreditamos que o hidrogénio tem um papel a desempenhar na mobilidade do futuro”, disse Axel Kaltwasser à plateia do Portugal Mobi Summit 2023, na cimeira de Lisboa, que se realiza esta sexta-feira no Museu dos Coches.

No futuro, será preciso pensar nas infraestruturas de reabastecimento dos carros a hidrogénio, acrescentou o representante da BMW. Axel Kaltwasser não escondeu os desafios: “Nem toda a gente terá acesso a infraestruturas de carregamento”.

Será preciso investir em novos equipamentos de abastecimento e garantir que o tempo para carregar os veículos será diminuto, “entre dois a três minutos”, como acontece com as bombas de gasolina. Para a maioria dos clientes, diz, “estar 20 minutos para abastecer o carro é muito tempo”.

Atualmente, existem quase 100 veículos “BMW ix5 hidrogen” a circular em vários pontos do globo, com o objetivo de testá-los e para recolher opiniões dos clientes. Sobre o impacto no ambiente, Axel Kaltwasser apontou que os carros a hidrogénio usam “uma décima das matérias-primas críticas usadas nos carros elétricos”.

Qualquer carro novo terá de ter “zero emissões”

“Vamos chegar a um momento em que qualquer carro novo terá de ter zero emissões e isso é um objetivo de todos os Estados-membros” da União Europeia, afirmou. Em virtude desta nova realidade, a aposta no carregamento de carros a hidrogénio terá necessariamente de acontecer, justificou. Um dos desafios será nos países com “temperaturas mais baixas”.

Em cada 200 quilómetros de estrada terá de existir um ponto de carregamento de carros a hidrogénio, disse o especialista da BMW ao público do Portugal Mobi Summit 2023.

“As únicas emissões do hidrogénio é um bocadinho de vapor de água”, explicou. O especialista adiantou que, no futuro, terá de haver uma arquitetura de infraestruturas que sirvam ambas as tecnologias: as dos carros elétricos e a dos carros a hidrogénio. “Enquanto fabricantes, a nossa visão para a descarbonização é de que precisamos de todas as tecnologias”, concluiu.