Ari Vatanen: “Guiar o Escort WRC torna-nos mais novos!”

Ari Vatanen foi a principal estrela do RallySpirit Altronix, mostrando que, apesar de se ter retirado oficialmente do Campeonato do Mundo de Ralis há 19 anos, mantém intactas três das características que fizeram dele uma personagem impar no desporto automóvel: talento, simpatia e sapiência. Um mês depois de estar no “Leiria Sobre Rodas”, o Campeão do Mundo de Ralis de 1981 regressou a Portugal para guiar um Ford Escort WRC da equipa Past-Racing (uma unidade ex-oficial da equipa Ford Motorsport guiada, no passado. pelo seu conterrâneo Juha Kankkunen) e encantar o público português. Nas suas palavras, “do fundo do coração, só posso dizer que sempre que venho a Portugal me sinto muito bem. Apesar de ter sempre muitas coisas para fazer na minha vida, mal fui convidado para vir ao RallySpirit disse, de imediato, que sim. Gosto do país, tenho muitos amigos aqui e vim para um rali com um carro que gosto, sem qualquer pressão de resultados”, começou por explicar o finlandês, que perdeu a conta às solicitações para as “selfies” dos fãs e entusiastas.

Com a usual simpatia, Vatanen explicou ser adepto do conceito dos “rally-legends’ que, na sua opinião, “são importantes para popularizar os ralis”, expondo a sua habitual sensibilidade na forma como analisa tudo: “mesmo se o RallySpirit nunca será tão popular como o Rali de Monte Carlo, os seus organizadores têm uma vantagem muito grande: oferecem aos pilotos um ambiente descontraído, que é muito agradável e apelativo”.

Na estrada, voltou a guiar o Ford Escort WRC e dar espetáculo para o público, assumindo que foi como “viajar na máquina do tempo e perceber que ainda temos algum ‘feeling’ para isto”. O seu testemunho deixou ciente, de resto, que “o carro continua a ser muito bom, quase passados 20 anos, e tem a vantagem de nos tornar mais novos, numa espécie de elixir da juventude!”

Com o ambiente descontraído, propício a analises mais ou menos superficiais sobre vários temas, Vatanen revelou-se muito satisfeito com público, referindo, a esse propósito que “o comportamento dos espectadores melhorou muito desde os tempos em que eu fazia o Rally de Portugal. Mas também não fazia sentido que assim não fosse pois quem gosta verdadeiramente de ralis, como eu ou como os portugueses, percebe que só há uma maneira dos ralis continuarem no elevado patamar que atingiram, que é continuarem a reunir todos os ingredientes para serem uma festa. Ora, e só poderá haver festa se houver segurança!”.

Em festa está também, para o finlandês, o atual Campeonato do Mundo de Ralis, sobre qual o deixou igualmente referências fortemente positivas: “este ano, o WRC está a ter um ano excecional, com um campeonato emocionante. Quando não se sabe o nome do vencedor antes de cada prova, significa que os ralis voltaram à sua verdadeira essência e que isso é, por si só, um empurrão para a sua projeção. E como o WRC é o campeonato que está no topo da notoriedade, isso também ajuda a que todos os outros ralis, fora do Mundial, acabem por beneficiar da popularidade da modalidade, mesmo nas fórmulas mais amadoras. Nada se faz na vida, sem empenho e paixão e acho que, os ralis neste momento, vivem muito desses dois vetores”.

Mas os ralis não são tudo, mesmo na vida de Vatanen, que, há alguns anos, chegou a enveredar pela via da política, exercendo, por duas vezes, o mandado de eurodeputado. Agora refere que “estou afastado da política, pelo menos, em termos oficiais”, mesmo se “continuo a ser um espectador atento e a ver com interesse o meio político”. É, de resto, nessa perspetiva, que diz agora “ver a Europa como um continente muito interessante e com uma diversidade geográfica e cultural muito particular, bastando olhar, por exemplo, para as diferenças entre a Finlândia e Portugal para se perceber isso. Além disso, tem sido com muita satisfação que também tenho visto Portugal a evoluir muito nas últimas décadas, fruto da sua integração na União Europeia”.

Pelas suas opiniões, disponibilidade e capacidade de interação, não ficaram dúvidas que Ari Vatanen é, afinal, muito mais que um piloto talentoso, que soube pelas suas atitudes e opiniões, ganhar o respeito de todos, aprendendo que há coisas mais importantes que vencer ou perder.