F1: Que futuro para a língua portuguesa?

Infelizmente a F1 nunca foi uma competição que recebesse os portugueses de braços abertos. Não por falta de talento pois felizmente nesse capítulo temos para dar e vender, mas o tamanho do nosso país, aliado ao tamanhos dos “bolsos” dos nossos pilotos foram grandes entraves à subida mais que merecida de alguns dos nossos compatriotas. Mas tínhamos sempre a possibilidade de ver pilotos brasileiros em pista, o que no fundo servia de pequena compensação. O Brasil sempre foi um país muito ligado à F1 e deu-nos alguns dos melhores pilotos de sempre da modalidade. Infelizmente a crise também lhes bateu à porta e este ano não terão um piloto em pista.

É preciso recuar 48 anos para que voltar a encontrar uma situação assim. 48 anos de presença brasileira no Grande Circo agora interrompida, com a saída de Felipe Massa. Desde 1970 que o Brasil é representado na F1, e alguns dos maiores talentos que pudemos ver em pista falam a língua de Camões, com sotaque. São 3 campeões mundiais, mais precisamente um bicampeão e dois tricampeões. Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna dispensam apresentação onde quer que se pronuncie os seus nomes.

A experiência brasileira na classe rainha começou em 1951, o segundo ano do Campeonato de Fórmula 1. Francisco Sacco Landi foi o piloto pioneiro, mas na sua primeira experiência no campeonato do mundo só completou 1 volta no GP de Itália, tendo pilotado um Ferrari antes de o trocar por um Maserati e manteve-se na F1 até 53.

Fittipaldi foi o grande impulsionador da paixão brasileira pela F1, sendo o primeiro responsável por colocar o país na lista de vencedores. Estávamos em 1970, no GP dos EUA. Dois anos depois o primeiro título pela mão do mesmo homem. O Brasil começou a exportar grandes talentos que se destacaram para além de Fittipaldi. O fogoso Piquet mostrou a chama latina em pista e Ayrton Senna trouxe uma dimensão ainda maior à paixão brasileira (e portuguesa) pela F1.

O Brasil ocupa o 3º lugar na lista de países com mais vitórias na F1, com 101, atrás da Alemanha (173) e da Grã-Bretanha (266). É também o 3º país com mais poles (126) e o 4º com mais pódios (293). O Brasil tem 8 títulos mundiais.

A crise vive-se também fora da pista, com os rumores a não realização do GP do Brasil a surgirem com mais frequência. Mas Interlagos é daquelas pistas que deveria ser obrigatória manter pela história e pela envolvência do público.

Qual o futuro do Brasil na F1? Para já é uma incógnita e os jovens talentos que começam a despontar estão ainda longe da F1 (Sérgio Sette Câmara, Pietro Fittipaldi, Enzo Fittipaldi, Matheus Leist, Pedro Piquet) e Nasr já mudou o seu foco para os protótipos. Mas faz falta o caráter, a postura e o talento típico do piloto brasileiro.

Fábio Mendes