F1: Lewis Hamilton comparado a…Ayrton Senna

É inevitável que se comparem os grandes nomes do passado com os do presente. Acontece assim e praticamente todos os desportos de alta competição, mas na F1 essa comparação ganha um peso ainda maior para os adeptos. O “antigamente é que era” na F1 é o equivalente ao “antes jogava-se com amor à camisola do futebol”, que são apenas formas de valorizar o que havia no passado, esquecendo de forma injusta o que o presente tem para dar, que é inevitavelmente diferente. Não interessa se é melhor ou pior, mas certamente diferente.

Para muitos, comparar os anos de ouro da McLaren com os recentes triunfos da Mercedes poderá ser uma blasfémia, mas a realidade fria dos números dará mais semelhanças que diferenças. E dizer que os pilotos do passado eram melhores que os do presente é também fácil de dizer mas difícil de justificar. Os pilotos da atualidade têm de se preparar para épocas mais longas, mais exigente fisicamente e com máquinas muito mais rápidas e complexas que no passado. Não significa isto que no passado era mais fácil… pelo contrário. O que significa é que os desafios são diferentes e, tal como o mundo ao nosso redor, a F1 evoluiu e passou a colocar diferentes questões aos pilotos, que merecem diferentes respostas. Desvalorizar o presente ou o passado é igualmente injusto.

Uma coisa parece ganhar cada vez mais unanimidade no Grande Circo da F1: Hamilton já é um dos melhores da história, talvez tão bom quanto Senna ou Schumacher. Quem o diz é Felipe Massa que não tem qualquer tipo de problema em apontar o homem que lhe tirou o sonho do título em 2008, como um dos pilotos que deixará uma marca indelével no desporto.

Hamilton tem quebrado recordes que pertenciam aos monstros sagrados da F1, e Massa admite que o britânico tem impressionado por todos as categorias por onde passou: “Hamilton impressionou em todas as categorias por onde passou, tal como fizeram Schumacher e Senna. Sempre que Lewis se sentou num carro mostrou uma habilidade espantosa. O problema é que as pessoas pensam, erradamente, que no passado era tudo muito melhor. Se compararem Messi e Cristiano Ronaldo com Pelé e Maradona, não ficam a perder em nada em relação aos homens do passado.”

Outro piloto que tomou o lado de Hamilton foi… Alonso. O espanhol que é considerado por muitos, um dos pilotos mais completos da grelha (ainda recentemente Button afirmou isso mesmo), mostrou-se feliz por ver Hamilton perto de conquistar o quarto título, colocando-o a par de Vettel. A azeda rivalidade que tiveram na McLaren é passado e ambos têm mostrado com regularidade respeito e admiração mútua. Alonso afirma que “é estranho ver Vettel com quatro títulos e Hamilton com três. Assim faz (ndr, vai fazer dentro em pouco) muito mais sentido. Lewis teve uma carreira melhor.”

Lewis Hamilton está perto de entrar no restrito clube de tetra-campeões, constituído por Prost e Vettel. Hamilton tem 62 vitórias, o 2º registo mais alto da história, apenas suplantando por Schumacher (91), apresentado no entanto uma taxa de conversão superior à do Barão Vermelho (30.24 % vs 29.64%). Hamilton é o homem da história com mais poles (72 contra 68 de Schumacher). Hamilton já conseguiu 7 poles consecutivas (menos uma que o recorde de Senna), é o segundo mais novo de sempre a conquistar um título (Vettel detém esse recorde) e é o segundo piloto com mais pódios (116) atrás de Schumacher (155). São números verdadeiramente impressionantes que confirmam que estamos perante um dos melhores de sempre. Pode não gostar-se do estilo, da postura ou do discurso, mas não se podem ignorar os factos. Numa época em que temos excelentes pilotos em pista, Hamilton tem conseguido sobressair.

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