GP do Mónaco é especial e intemporal

São cada vez mais frequentes as queixas em relação ao GP do Mónaco. Uma pista com características muito próprias, de exigência máxima e que fruto do seu traçado, não permite muitas ultrapassagens.

Num mundo cada vez mais virado para a frieza da acumulação dos números, Mónaco continua a guardar um pouco da magia do passado. Uma F1 em que os pilotos era mais do que profissionais pagos a peso de ouro para a andar o mais rápido possivel. É este regresso ao passado que todos os ano o Principado do Mónaco permite à F1.

Presente desde a primeira edição do campeonato de F1, a pista do Mónaco foi mudando não ao ritmo da evolução dos carros mas sim ao ritmo da sua própria evolução. A pista é muito diferente da que Fangio percorreu quando venceu por quatro vezes consecutivas, mas que mantém intactas as suas características diferenciadoras. A pista apenas permitia que os melhores vencessem e de 1950 a 1970 apenas 7 pilotos conseguiram inscrever o seu nome na lista de vencedores: Fangio, Brooks, Moss, Clark, Hill, Brabham e Stewart. 17 edições em que apenas os melhores entres os melhores venceram. O Mónaco era isto mesmo… o palco onde apenas os predestinados conseguiam brilhar. O último grande reinado nas pistas do Mónaco teve como protagonista Senna, com Nico Rosberg a ser o último a conseguir mais de 2 vitórias consecutivas.

Há quem diga que as corridas no Mónaco são aborrecidas e que não passam de uma procissão de carros que se estende por mais de 70 voltas, sem que nada de interessante aconteça. A bem da verdade, Mónaco é de extremos e ou nos dá corridas loucas ou dá corridas em que o desfecho é pouco surpreendente. Mas daí até ser aborrecido…

Mónaco é o verdadeiro teste aos homens, onde as máquinas passam um pouco para segundo plano. As capacidades técnicas e mentais dos pilotos são levadas a outro nível, e cada volta não permite um mínimo de descanso. Cada distracção paga-se nos rails. É aqui que voltamos a ver aquela aura de heróis que os pilotos emanavam quando a inocência da nossa juventude filtrava tudo o que tirava a magia da F1. É aqui que voltamos a admirar os artistas. Cada onboard é uma pequena amostra da loucura que é andar a velocidades ridículas em ruas onde normalmente até se anda bem devagar.

Mónaco, tal como Macau, Vila Real e outros grandes traçados citadinos, tem uma magia única. A TV não faz justiça ao que acontece em pista e não mostra a adrenalina que quem tem a sorte de poder ver ao vivo sente. Não é à toa que este tipo de pistas, apesar de todos os anos ser criticada e de todos os anos colocar desafios logísticos tremendos, continuam a existir… porque são especiais. Não são demasiado assépticos, como algumas das novas pistas. É pena que por vezes não consigamos entender isto, porque o número de ultrapassagens não foi grande. É pena que por vezes não possamos apenas apreciar a beleza destas máquinas, que são obras de arte da tecnologia, a percorrerem uma via estreita, sem margem para erros, de forma quase perfeita, volta após volta, a velocidades difíceis de entender. É pena que nos esqueçamos que o desporto motorizado ainda é um desporto de paixão e não apenas de números.

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