Fórmula 1: Porque erra tanto Sebastian Vettel?

Quando se é campeão do mundo quatro vezes consecutivas, falar de erros é quase uma heresia, mas Sebastian Vettel ficou-se pelos títulos ganhos com a RedBull entre 2010 e 2013. Claro que voltou a estar na luta pelo cetro, mas ao longo das suas 203 corridas e 49 vitórias na Fórmula 1, o alemão que está quase a completar 31 anos, cometeu erros de palmatória, alguns dos quais podem ter-lhe custado o título de 2017. Este ano, ainda a procissão vai no adro e já o piloto da Ferrari tem apontado um erro não forçado que lhe fez perder a liderança do campeonato.

Podemos discutir, muito, aquilo que Max Verstappen e Daniel Ricciardo fizeram no GP do Azerbaijão, mas outro erro houve que marcou a prova e permitiu a vitória de Lewis Hamilton e a sua chegada á liderança do campeonato.

A estória é simples: apostado numa estratégia baseada no carinho que o Ferrari SF71H tnha pelos pneus supermacios, Vettel iria parar muito tarde e trocar para pneus Ultramacios e ficar assim ao abrigo de um ataque dos seus adversários. Mercedes e RedBull perceberam a ideia e se os primeiros conseguiram manter-se perto dos Ferrari, os segundos andaram ás cabeçadas um com o outro, foram-se atrasando e quando deram por ela estavam longe da luta pela vitória.

A Ferrari alterou a estratégia quando viu Hamilton parar para pneus macios. Mandou entrar mais cedo Vettel, colocou-lhe pneus macios e ficou à espera do espalhanço de Bottas que, já se percebia, iria levar mais longe a utilização dos supermacios. A ideia quase foi por água abaixo quando Bottas conseguiu com pneus já bem cansados, colocar mais de 12 segundos entre ele e o alemão.

O “Safety Car” acabou por colocar a última pá de terra no falecimento da tática da Ferrari que se viu resignada a mandar parar Vettel para montar pneus Ultramacios. O recomeço da corrida foi dramático para o piloto da Ferari: depois de dominar a corrida, via-se, agora, no segundo lugar. Porém, ao invés de ficar na frente de Hamilton e recolher os pontos do lugar intermédio do pódio, quis surpreender o finlandês logo após o recomeço da corrida.

Com uma distância tão curta entre a linha do Safety Car e a primeira curva, era certo e sabido que o resultado seria catastrófico: Vettel arruinou o pneu da frente do lado esquerdo, seguiu em frente para a escapatória, quando despenhando o Ferrari contra as barreiras e assistiu à passagem de Lewis Hanilton, Kimi Raikkonen e até Sérgio Perez, dando trambolhão para quarto e perdendo a liderança do campeonato.

Um erro inexplicável por parte de Vettel, mesmo que ele possa dizer que “tinha de tentar!” O tanas! Na quarta prova da temporada, o alemão deveria ser mais frio e aceitar que, desta vez, o Safety Car sorriu à Mercedes e não à Ferrari. E, também, reconhecer que Bottas foi mais inteligente que Verstappen, desviando-se para a direita percebendo que Vettel esta a precipitar-se para a parvoíce.

Perdeu, assim, a liderança do campeonato e tudo não foi pior porque já estávamos no anoitecer da corrida e dali a pouco a bandeira de xadrez dava por terminado o calvário do alemão.

Calvário esse que já tinha tido um episódio na qualificação. Vettel arrancou um tempo brilhante e teve a sorte de ninguém conseguir melhorar, pois as voltas seguintes foram um acumular de erros onde ele tinha já assegurado a melhor performance do carro.

Dizia um dos grandes da Fórmula 1 que o mais importante para conseguir um tempo por volta na qualificação demolidor não é a fé no divino ou no oculto, mas sim no reconhecimento das zonas onde se faz tudo de forma perfeita e as zonas onde se pode ganhar tempo. Quer isto dizer que na segunda volta lançada, devemos fazer tudo igual nas zonas onde não há nada a ganhar e tentar melhorar onde ainda há tempo a ganhar. Se fizermos isso, o tempo final será sempre impressionante.

Foi o saudoso Ayrton Senna quem dizia isso, mas parece que Vettel não dá razão ao brasileiro e acabou a perder tempo na segunda tentativa onde tinha feito os melhores parciais. Teve a sorte do seu lado porque ninguém melhorou o seu tempo e a “pole position” não lhe fugiu. Mas são erros a mais para um piloto quatro vezes campeão do mundo que tem como sonho erguer o troféu ao volante do carro da equipa mais prestigiada da Fórmula 1.

Por José Manuel Costa/Autosport