Honda e Red Bull: Casamento à medida ou relação de risco?

A Red Bull anunciou a troca de fornecedor de motores passando a partir de 2019 a ser fornecida pela Honda, acabando com 12 anos de um casamento que há muito tempo tinha deixado de ser harmonioso.

A aposta é arriscada, e não terá apenas a ver com a vertente da performance pois nesse caso… a escolha só poderia ser uma. A coligação Red Bull / Renault continua a dar alguns frutos, embora não tão doces quanto se gostaria, mas ainda assim mais do que a potencial parceria com a Honda perspectiva.

A Honda como fornecedora de motores tem 407 GP, 72 vitórias, 77 poles e 174 pódios. Um número respeitável de um gigante do automobilismo mundial e que compete nas mais variadas categorias com sucesso. Mas a Renault tem em seu nome 605 GP como fornecedora de motores, 168 vitórias, 213 poles, 453 pódios. É uma diferença colossal entre uma marca que apenas gozou de uma época de outro quando Senna espantava multidões, e outra marca que desde a sua entrada na F1 ficou abaixo do 6º lugar apenas por três vezes.

A opção da Red Bull por um lado entende-se pois tem a oportunidade de juntar-se a uma estrutura gigantesca e que com o devido apoio e orientação pode ser um trunfo importante. Além disso, pode juntar-se também o factor financeiro. A Honda, além de fornecer os motores à McLaren levava para Woking uma quantia avultada de dinheiro e a Red Bull terá visto isso como um aliciante. A Red Bull poderá no fundo tentar moldar a si uma marca importante a nível mundial. Ou será apenas um plano de recurso?

Não podemos esquecer que a Red Bull neste momento tem associada a si uma marca forte… a Aston Martin que já manifestou por várias vezes a vontade de ingressar na F1 como fornecedora de motores e já tem planos avançados para isso. E a única porta de entrada que para já faz sentido é a Red Bull, que ostenta o nome da marca britânica no seu carro. Assim fica menos claro o que poderá acontecer no futuro, até porque o acordo entre a Honda e os Bull é obviamente apenas de dois anos, o tempo suficiente para chegarmos aos novos regulamentos com motores simplificados.

A lógica diria que faria mais sentido ficar com os motores Renault para “aguentar” os próximos dois anos e então escolher o futuro parceiro com novos regulamentos à vista, e talvez com mais escolha e enquanto isso, morder os calcanhares às equipas de topo, algo que ainda não é garantido com a Honda. Mas a equipa resolveu mudar-se e acabar com o clima de guerra fria, talvez a troco de alguns milhões, embora com menos performance. Ou então há outras vantagens que ainda não são claras.

A Honda poderá apenas lucrar com isso. Relança o seu nome na F1, junta-se a uma das equipas mais fortes do grid e pode encontrar uma orientação que não aceitou (porque não quis ou não foi oferecida nos melhores termos) nos tempos da McLaren. Mesmo que seja apenas por dois anos, para a Honda o acordo tem tudo para ser positivo… desde que consigam ser competitivos. Ninguém duvida que a Honda tem os meios e recursos para fazer um bom motor de F1 e que possa ser competitivo… Mas terá a experiência? É que a única vez que foram realmente bem sucedidos foi nos anos 80 com a McLaren. A história não joga a seu favor e a exigência deverá ser tanta ou maior que na McLaren.

Para a Renault é um golpe que os vai espicaçar ainda mais. O regresso à F1 no fundo sempre foi uma resposta à forma como foram tratados pela Red Bull e uma espécie de luta de galos. A Renault já venceu como fornecedora de motores e como equipa e quer mostrar que pode repetir o truque quando quiser. E que ninguém se espante que este golpe no orgulho possa alocar ainda mais recursos para a equipa.

No meio destas mudanças todas, está a McLaren, perdida nos seus próprios erros, a ver a sua antiga fornecedora passar para a Red Bull e a sua atual fornecedora espicaçada e com vontade de dar ainda mais destaque à sua própria equipa. É a prova dos nove e nos próximos dois anos veremos se a McLaren soube gerir bem a relação com a Honda ou se foi apenas mais um erro a juntar à lista considerável.

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