Menos dinheiro nos prémios para as equipas de Fórmula 1

Os planos da Liberty para a F1 são ambiciosos e já foram várias vezes falados. Os novos donos da F1 não estão a olhar a meios para levar o seu projeto avante. E para já esse esforço está a fazer-se sentir nos lucros, que diminuíram face aos números registados em 2016, o que irá afetar diretamente as equipas.
Os prémios atribuídos às equipas dependem dos lucros que a F1 produz. 68% desse lucro reverte para as equipas, dividido depois segundo a classificação obtida (sem contar com as famosas cláusulas da Ferrari, McLaren, Red Bull e Mercedes). Acontece que, desde a entrada da Liberty houve uma queda nos lucros, o que significa que as equipas terão menos 35 milhões de euros para dividir entre si.

Um dos dados que permite ver que as ações da Liberty têm provocado uma baixa no valor da F1 é a bolsa de valores. Um dos métodos de pagamento da Liberty aos vendedores da F1 foram ações em bolsa da F1. A maioria dos grandes detentores de ações venderam uma percentagem significativa das suas partes até setembro, o que provocou um decréscimo no valor do Grande Circo. Um dos motivos para as vendas pode ser a pouca confiança no caminho seguido pela Liberty. O grupo (Bernie incluído) que vendeu a F1, tinha em sua posse 64.7% das ações, número que baixou para…3%.

A juntar a esta situação, há um aumento de 75 milhões em custos administrativos, que incluem um aumento significativo em pagamentos de salários a novo pessoal que entrou pela mão da Liberty. Há também um aumento da dívida e com isso o pagamento de juros.

No total existe uma perda de 137 milhões de euros, face ao registado no ano passado. São números que podem causar desagrado nas equipas de F1, pois essa queda afeta diretamente o bolso de cada uma delas. A juntar a este desagrado, é necessário juntar o cada vez maior número de pistas que pretendem sair do calendário, com a Malásia já fora do calendário para o futuro próximo. Silverstone pode seguir o exemplo em breve e mesmo Interlagos não é certo que continue. Não houve também nenhum acrescento ao número de patrocinadores oficiais da prova.

Não se coloca em causa a necessidade de investimento, mas muitos questionam a pertinência de alguns gastos, como é o caso dos novos escritórios em Nova Iorque que pouco têm agradado à generalidade do paddock. E há poucas semanas falava-se da possibilidade da aquisição de um túnel de vento para que a equipa de Ross Brawn pudesse fazer o trabalho de investigação quanto aos futuros regulamentos da F1, um gasto claramente questionável.

Esta onda de insatisfação pode estar também relacionada com a vontade de colocar um teto orçamental para as equipas, algo que não agradou às grandes equipas, que não têm medo a gastos, o que lhes confere uma vantagem. Há também a possibilidade de diminuição dos prémios atribuídos, o que não irá provocar motivos de festa a ninguém e poderá implicar dificuldades nas negociações da Liberty com as equipas, cujo contrato com a F1 termina em 2020. Ninguém duvida que a equipas como a Ferrari, McLaren e até Red Bull tem interesse em manter-se na F1 e mesmo a Mercedes deverá querer continuar. Mas as negociações deverão ser complicadas e as ameaças de saída deverão suceder-se, sobretudo se a Liberty não aumentar o número de patrocinadores, não garantir o interesse por parte dos circuitos e não conseguir abrir a porta do mercado americano, a grande aposta da “nova gerência” sem ainda garantias de sucesso, até pelo decréscimo em receitas por parte da NASCAR.

O publico americano tem NASCAR, IndyCar, IMSA, tudo competições puramente americanas e num país tão dado ao nacionalismo, é preciso apresentar um produto deveras atraente para mudar o foco de público que não aprecia a filosofia da F1 atual. As contas continuarão a ser feitas mas já se sabe que enquanto os indicadores não mostrarem lucros, o descontentamento irá manter-se.

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