Motores comuns para a Fórmula 1 e para o WEC?

O tema dos novos motores para 2021 continua a dar que falar e escrever. As indefinições são ainda mais que muitas e o acordo entre todas as partes envolvidas irá por certo ser difícil de atingir. Se por um lado a Ferrari ameaça sair se a proposta apresentada não for alterada (isto quando anunciou mais um investimento na F1 com a Alfa Romeo, o que parece ser um contrassenso), a Mercedes e a Renault continuam a mostrar-se muito relutantes sobre as alterações propostas. Do outro lado da “barricada” parecem estar Aston Martin e Porsche que começam a desenvolver motores que podem perfeitamente ser usados para a F1 no futuro.

Para Jean Todt, presidente da FIA o objetivo a atingir para os motores do futuro é simples… terão de ser mais baratos, mais potentes, mais simples e interessantes do ponto de vista de evolução tecnológica e baseados nos motores existentes. A receita parece ser interessante, mas complicada de fazer pois está visto que a solução não agrada a todos.

Todt está aberto a todas as propostas e considera que todas as propostas devem ser ouvidas e avaliadas. É tempo de procurar soluções e não de escolher cegamente um caminho e todos os intervenientes podem e devem dar o seu contributo.

Uma das ideias que parece agradar ao presidente da FIA é o uso de motores comuns na F1 e no WEC: “Para já temos um conjunto de regulamentos para o WEC e para a F1. Tal não deveria ser assim. As exigências da F1 são muito similares às da F1 e um motor de F1 tem de fazer 5000km, a mesma distância que é feita em Le Mans. Fazendo um motor comum, poderá atrair novos construtores e encorajar as equipas de F1 a participar no endurance e vice-versa.”

Se no papel a ideia parece ser muito boa, na prática já tivemos provas que não funcionou bem. O saudoso grupo C terminou porque passaram a ser usados motores de F1, demasiado caros e complexos para a realidade do endurance. O contrário também aconteceu e a Ferrari, Renault, Matra e Alfa Romeo usaram motores de endurance adaptados à realidade da F1, com sucesso.

Os motores de F1 terão forçosamente um bloco de 6 cilindros em V e se o MGU-H está perto de ser eliminado (infelizmente dirão alguns) o MGU-K manter-se-á. Os motores de endurance são muito mais variados, com configurações e características próprias.

O IMSA está a ser um sucesso pois os motores são relativamente simples, o que os torna fiáveis e baratos, o que atrai as marcas que com um investimento razoável conseguem ter visibilidade num campeonato com boa expressão a nível de visibilidade. Se a vontade do ACO e da FIA é seguir por um caminho similar ou paralelo até, usar um motor F1 pode não ser a melhor ideia. Um dos grandes pontos de interesse no Endurance é perceber as várias soluções apresentadas por cada construtor, na F1 já há muito tempo que os motores usados obedecem a uma serie de regras que limitam muito a variedade de soluções convergindo sempre para motores muito iguais. Passar esta ideia para o papel será deverás complicado e pode não ser a solução ideal. Mas se for encontrado uma base interessante e concretizável, é verdade que as equipas poderão ficar mais tentadas a entrar fazer as duas categorias pois o grosso do investimento fica logo feito para uma base comum.

Qual será o futuro? Não faltará muito tempo para termos as respostas. Resta esperar que não se repitam os erros do passado.