Rali Serras de Fafe: O ‘caso’ das penalizações

A questão das falsas partidas no Rali Serras de Fafe ainda vai fazer correr muita tinta, mas para já ainda falta que a Demoporto, pela voz de Carlos Cruz, esclareça algumas questões que são importantes, pois apesar de termos algumas informações, num assunto tão melindroso quanto este é importante saber em pormenor o que aconteceu, para que não fiquem dúvidas.

Para já é claro que há um erro da organização, porque quando se dão as falsas partidas de Miguel Barbosa e Pedro Meireles, estas não são detetadas imediatamente. O Comissário que estava a dar a partida não se apercebeu das falsas partidas, estava a dar as partidas à mão e algo falhou. Foi feita a conferência de tempos, as cartas de controlo batiam certo, e só mais tarde quando viram a listagem feita pela lista que resulta da célula fotoelétrica é que deu para perceber que havia uma diferença nos casos de Pedro Meireles e Miguel Barbosa (é procedimento normal a análise das fitas ser feito muito depois, segundo nos disseram). Basicamente, assumiram que estava tudo bem e não estava, pois havia uma discrepância tempo entre a carta de controlo e a listagem da célula fotoelétrica. É aí que o erro é detetado, e se a falsa partida fosse detetada deveria ter sido anunciada logo na altura ao Diretor de Prova, e não foi. Levou tempo demais a sê-lo.

Portanto, como se percebe, Carlos Cruz foi confrontado com a existência das falsas partidas muito tempo depois, mas por outro lado tinha que atuar. Tinha informações na mão, e mesmo sabendo que a questão iria dar polémica, não podia deixar de penalizar os pilotos. Se isto que escrevemos atrás se confirmar – voltamos a dizer que terá de ser Carlos Cruz a confirmar – fica mais fácil perceber o que aconteceu.

Do ponto de vista dos pilotos, a questão é muito simples, e não vamos sequer referir se as penalizações são justas ou não, isso só quem tem os dados todos para julgar o pode dizer. Portanto, não se coloca em questão se houve ou não falsas partidas, isso é de somenos importância, mas penalizar mais de 20 horas depois é errado. Os pilotos partiram para o segundo dia de prova com um pressuposto, que lhes era dado pela classificação, adequaram os seus andamentos a isso, e nem sequer basta falar só na perda de posição por parte de Pedro Meireles. Estão ali muitas questões em jogo, muita responsabilidade, e se Ricardo Moura estraga o carro porque pensava que estava a lutar por décimos e afinal ‘tinha’ 10 segundos de avanço?