O automóvel que o mercado americano arruinou

Em 1949, na reconstrução pós Segunda Guerra Mundial, o governo japonês criou o Kei car, também conhecido por keijidōsha (veículo com motor leve), um automóvel de pequenas dimensões e de baixo custo.

Após a consolidação dos regulamentos que um K-car deveria respeitar, em 1955, que ditava que o estes teriam no máximo 360 de cilindrada. Três anos volvidos a Fuji Heavy Industries introduz no mercado o Subaru 360.

O 360 foi o primeiro K-car a ser produzido em massa, herdou a construção unibody do Subaru 1500 Sedan e oferecia lugar para quatro passageiros, a Fuji certificou-se de que o 360 era leve, empregando um tejadilho em fibra de vidro. Apelidado de “Ladybird”, o 360 foi um sucesso no mercado doméstico, tornando-se o carro Kei mais popular à época.

Era um modelo que se adequava perfeitamente ao Japão, dada a sua densidade populacional incrivelmente alta e as ruas pequenas, mas perdia em comparação com automóveis americanos da mesma época, que foram projectados para percorrer longas distâncias, sendo alimentados por motores de seis e oito cilindros e onde os condutores beneficiavam dos preços baixos practicados nos combustíveis.

Tal conjuntura levar-nos-ia a pensar que o Subaru 360 não teria saída no mercado dos EUA, se não fosse Malcolm Bricklin, que ficou intrigado pelo facto deste modelo da marca japonesa pesar apenas 385 kg, não precisando de ser federalizado para ser comercializado e era um automóvel de baixo consumo. Estas características levaram o empresário americano a pensar que o “Ladybird” teria um sucesso rotundo no mercado americano.

Bricklin e Harvey Lamm criaram a Subaru of America em Fevereiro de 1968, em Filadélfia, com o objectivo de importar o pequeno 360. Anunciado como sendo “feio e barato”, a entrada do Sabaru 360 no mercado americano foi uma catástrofe. O 360 custava 1.300 dólares e embora o Volkswagen Beetle fosse umas centenas de dólares mais caro para os americanos a escolha entre os dois era óbvia.

Todavia que ditou o destino do 360 foi uma crítica feita pela Consumer Reports, que rotulava o Subaru como “não aceitável”. A revista ridicularizou o automóvel dizendo que em 37,5 segundo atingia apenas 50 mph, a sua condução em estradas que permitiam andar a maior velocidade seria problemática já que atingia apenas os 96 km/h.

Numa entrevista dada recentemente à Automotive News, Bricklin relembrou o dano causado pelo artigo da Consumer Reports: “Alguém me ligou e perguntou: Já viu a Consumer Reports?” Eu perguntei: “O que é a Consumer Reports?”. “Bem estamos na capa do Consumer Reports com um artigo que diz que o 360 é uma porcaria comparado com um Cadillac.” A revista tinha na altura uma tiragem de meio milhão de exemplares e era lida por todos os vendedores de automóveis.

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