Dakar 2018: Matthias Walkner cheira a vitória em dia de loucos

Está terminada a 10ª etapa do Dakar de 2018, que ligou as localidades argentinas de Salta a Belén e obrigou os concorrentes a um duro setor cronometrado de 373 quilómetros, onde as altas temperaturas (em contraste com a chuva e frio da Bolívia) e o regresso da areia colocaram à prova os resistentes desta longa maratona.

Ingredientes numa jornada que pode muito bem ter determinado o desfecho final da corrida, salvo claro os imponderáveis que estão sempre adjacentes a um evento deste calibre. A etapa foi dominada durante largos momentos por Kevin Benavides, mas um erro de navegação, antes do sétimo waypoint do dia, que também envolveu Joan Barreda Bort, Antoine Méo, Toby Price, Stefan Svitko e Ricky Brabec (este somou diversos erros de navegação durante o dia) alterou por completo o rumo da etapa na sua fase final.

Tal situação obrigou estes pilotos, completamente perdidos em pista, a regressar ao início da segunda fase deste setor cronometrado e com isso perder minutos preciosos. Entre os homens que lutam pela vitória ‘safaram-se’ o líder da classificação geral no início da etapa, Adrien Van Beveren, bem como Matthias Walkner.

No entanto aqui a ‘coisa’ caiu para o lado de Walkner, enquanto Adrien Van Beveren sofreu uma queda a três quilómetros do final da etapa, que significou o seu primeiro abandono em três participações no Dakar. Um desfecho inglório para o piloto da Yamaha, que sai de cena mal tratado: fratura da clavícula direita e traumatismos no tórax bem como na coluna dorsal.

Já Walkner, que não teve o seu tempo a aparecer no maldito sétimo waypoint, parece ter tido o ‘golpe de génio’ que poderá muito bem dar ao austríaco a primeira vitória no Dakar e a 17ª consecutiva à também austríaca KTM agora que faltam quatro etapas para o fim do Dakar de 2018.

Quem também emergiu nesta confusão foram Pablo Quintanilla, segundo no final do dia, e o muito experiente Gerard Farrés Guell, que assinou o terceiro tempo a 16m21s de Matthias Walkner. Um desempenho notável que aliado à hecatombe dos favoritos transportou Farrés Guell, que está a fazer o seu último Dakar, do nono para o quarto lugar da geral, enquanto Quintanilla recuperou para todos os rivais, à excepção de Walkner, algum tempo perdido em etapas anteriores apesar de só ter subido de 12º para nono.

Quanto aos ‘perdidos’ do dia todos eles ficaram a mais de meia hora, sendo que Kevin Benavides (este queixou-se da má concepção do roadbook) e Toby Price perderam quase 50 minutos ao passo que Antoine Méo ‘levou’ uma hora para o seu colega de equipa. À porta da hora ficaram também o desastrado Ricky Brabec e Stefan Svitko.

Quem dentro do desastre, conseguiu ‘minimizar’ perdas, foi Joan Barreda Bort que mesmo assim cedeu 38m15s para Matthias Walkner. O piloto da Honda, mesmo em défice físico do seu joelho esquerdo e sofrendo uma nova queda, ascendeu ao segundo lugar da classificação geral a 39m42s da frente da corrida.

De referir que este lote de pilotos juntamente com outros homens, que também figuram nas primeiras posições, não registaram nenhum tempo na passagem pelo sétimo e último waypoint da etapa pelo que poderemos, quem saber, ter uma rectificação dos tempos nas próximas horas.

Palavra final para as surpresas, que estão sempre agarradas a um dia fora do normal. Aí destaca-se o quinto lugar do chileno José Ignacio Cornejo, que foi o melhor piloto da Honda, bem como o sexto e sétimo lugares dos estreantes Andrew Short e Mark Samuels. Num dia tão exigente, tivemos imagine-se, três estreantes entre os sete primeiros, sendo que o melhor foi Oriol Mena ao ficar com a quarta posição, o seu melhor desempenho até ao momento no Dakar. O piloto da indiana Hero MotoSports é agora o líder na classificação destinada aos ‘rookies’ por troca com Jonathan Barragán, que hoje teve um dia mais complicado.

Classificação da etapa provisória: