Miguel Oliveira “preparado para ter mais pressão”

Confirmando que o objetivo é tornar-se em 2018 o Campeão Mundial de Moto2, o piloto português afirmou num evento que está pronto para que a pressão suba. Nesta iniciativa promovida pela Cofidis, o piloto fez também um balanço positivo ao primeiro ano da ‘Oliveira Cup’ e revelou algumas das novidades para a segunda edição.

O “Melhor Atleta Masculino de 2017”, eleito na última semana durante a Gala da Confederação do Desporto de Portugal, esteve esta manhã num evento realizado em Lisboa de renovação do patrocínio com um patrocinador. Apesar de na Turbo estarmos mais habituados às quatro rodas, aproveitamos a ocasião para escutar o principal nome do desporto motorizado nacional do momento, obtendo uma breve antevisão à nova temporada e um balanço da 1ª Edição da ‘Oliveira Cup’ dedicada à formação de jovens que aspiram a tornar-se pilotos profissionais.

Foi nas instalações da Cofidis, na Av. 24 de Julho, que decorreu este evento que reuniu o piloto Miguel Oliveira e os jornalistas, presentes para a renovação da parceria entre a principal aposta da KTM no Moto2 e este patrocinador, que também vai estar novamente associado à Oliveira Cup. No momento em que está prestes a terminar as férias, o ‘Falcão’ português revelou numa primeira conversa que quer deitar as garras ao ceptro mundial, e para isso está preparado para que os adversários, e também a equipa, estejam em cima dele.

“Estou preparado para sentir mais pressão, até mesmo da parte de toda a equipa KTM, porque toda a gente espera que eu faça uma boa época, a poder candidatar-me ao título”. No entanto, estes são os frutos da progressiva evolução que tem entusiasmado os portugueses, com Oliveira a considerar que “isso é natural, no âmbito desportivo e sobretudo no âmbito competitivo. A cada ano temos de ambicionar ter melhores resultados e, logicamente, a essa responsabilidade de ter mais e melhores resultados vem a pressão inerente”.

Recordando que já existe o bichinho de voltar a pegar na mota, o piloto recorda ainda que grande parte do trabalho já foi feito antes do defeso. “Há que relembrar que a mota de 2018 ficou decidida já no ano passado, porque a KTM tem a responsabilidade de fornecer mais equipas. Ficou decidido com antecedência para poder fazer uma linha de peças que é necessário ter”. Apesar de algumas alterações no design da mota e também do seu capacete, Oliveira considerou ainda positivo não existirem muitas mudanças, como demonstrado até pela renovação do seu patrocínio pela Cofidis. “É bom sinal, é sinal que ao longo dos anos as equipas se munem de parceiros com intenções sérias. O facto de não haver muitas mudanças na decoração é bom sinal, é sinal que estamos a fazer um bom trabalho”.

Da parte da Cofidis foi o Diretor-Geral, Nicolas Wallaert, a destacar a cooperação estabelecida, enfatizando a ligação ao “Melhor Atleta Masculino do Ano” de 2017 no Mundial Moto2 e, especialmente, na Oliveira Cup. Este responsável considerou desde logo que “é um orgulho acompanhar o Miguel Oliveira neste projeto. Quando falamos disso, parece uma evidência apoiá-lo, porque é uma escola de formação com valores humanos que partilhamos”. Destacando a proximidade, simplicidade, acompanhamento, audácia e espirito de conquista, Wallaert conclui que “o que melhor do que um campeão para preparar os futuros campeões do país?”.

Miguel Oliveira – “Balanço muito positivo” da Oliveira Cup

Para o piloto nacional, a primeira edição do troféu a que dá nome, e que prepara jovens entre os 10 e 14 anos foi uma vitória. Além do primeiro classificado em 2017, Tomás Alonso (15 anos) e também Beatriz Morais (14 anos) terem já assinado contratos com equipas profissionais, o homem da KTM com o nº 44 recorda que no início do ano alguns “não sabiam arrancar, não sabiam meter mudanças e terminaram a roçar com o joelho no chão”. Por isso, faz um “balanço muito positivo” a este ano de estreia em que participaram doze pilotos.

Mas, além de todos os ensinamentos técnicos, o piloto português destaca que este como “um troféu que, a nível pedagógico, supera muito aquilo que é somente a corrida”. Afirmando que “um dos grandes objetivos ao montar todo o projeto da Oliveira Cup foi tentar criar mais facilidades aos jovens pilotos, de se tentarem iniciar, num desporto que não é barato, de uma forma mais económica”. Por isso recorda o seu passado como importante para este conceito de vai além da simples escola de pilotagem. “Calculo que haja muitos pais que queiram apenas por os filhos a correr e outros que não podem. É no âmbito de eu não ter tido esse tipo de facilidade que nós queremos criar um formato de iniciação com acesso a todos. Não estamos só a pensar na iniciação, estamos a ir mais além. Em criar todas estas ferramentas para os pais aproveitarem e poderem criar uma carreira para os filhos a longo prazo”.

Por isso, o vencedor das últimas três corridas da temporada de 2017 de Moto2 destaca algumas das alterações preparadas para o segundo ano do troféu. “Estamos a planear fazer workshops, no sentido de ajudar os pais a encontrar também os seus patrocínios”. A ideia é clara, e passa por “criar todas estas facilidades económicas que achamos que são importantes, que facilitam os pilotos e que eu não tive. Daí der pensado nisto tudo”.

Vão ainda existir alterações no formato das provas, para “criar a mecânica de um fim de semana de corridas onde as pessoas podem ir com a família, se possam divertir, tenham acesso a coisas externas à corrida”. Vão manter-se as motas, o formato dos treinos e das corridas, mas com mudanças “ao nível da organização, vamos tentar que as provas se deem com maior rigor”.

A última questão colocada a Miguel Oliveira nesta renovação da parceria foi sobre até onde podem ir os seus aprendizes, e se eles podem chegar ao elevado nível a que a principal esperança da KTM em Moto2 já está. “Temos esse sonho, mas queremos ir passo a passo e neste momento criar condições para estes pilotos se poderem iniciar e ensinar-lhes como são as corridas ao mais alto nível. Se pudermos chegar com um piloto ao Mundial, isso logicamente seria um sonho tornado realidade, sobretudo por ser um português”.

Fotos fornecidas pela Cofidis