Porque morrem mais jovens nas estradas?

A resposta a esta pergunta, bem como a procura de soluções para evitar que estas estatísticas continuem a ser tão negativas e dispares dos outros grupos etários, foi tema central da conferência YEARS, realizada pela Prevenção Rodoviária Portuguesa. A diferença de comportamentos e mentalidade entre os condutores com alta ou baixa perceção do risco foi outra das questões em destaque neste evento.

Decorreu a 25 de maio, em Lisboa, a conferência Years, evento organizado pela Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) e onde a questão da sinistralidade rodoviária, com estatísticas mais negativas nos condutores mais jovens, esteve em destaque. Além de encontrar motivos para esta situação, e explicar quais as hipóteses que existem para mudar o cenário atual, foram ainda abordadas outras questões importantes. Como foi a apresentação dos resultados sobre os grupos de condutores com alta e com baixa perceção de risco, integrados no Estudo “Manutenção dos Automóveis e Segurança Rodoviária”, que mostram como a visão que os condutores têm sobre a condução acaba por influenciar o seu comportamento. Igualmente importante foi a apresentação do contributo do Instituto Superior Técnico para o Projecto Years, através da intervenção num cruzamento da capital nacional com atropelamentos frequentes.

Como a galeria de imagens superior demonstra, existem diversos factores que ajudam a explicar porque a sinistralidade rodoviária é mais elevada entre os condutores com menos de 24 anos. Não descurando os factores cognitivos aqui apresentados, nesta conferência foram especialmente destacados por José Manuel Trigoso, o Presidente da PRP, os comportamentos de risco. Além dos alertas mais habituais, relacionados com consumo de álcool e drogas, excesso de velocidade e uso dos smartphones, destaque para o ambiente social.

Desde logo fica o alerta para a necessidade das autoridades estarem preparadas para o facto de mais jovens estarem ao volante nas noites de fim-de-semana, e com comportamentos de risco como conduzir já fatigado e com sono, e sob a influência de substâncias que alteram o seu comportamento. Mas igualmente há que destacar outro factor, que são as companhias, pois se os jovens se habituarem a guiar, especialmente nos primeiros tempos, com adultos ao lado, a ocorrência das práticas de risco acima referidas é muito mitigado. Se eles estiverem acompanhados de outros jovens, especialmente se estes não tiverem a consciência da pouca experiência dos seus pares ao volante, podem incentivar práticas que os colocam em risco.

Há que enfatizar ainda para a questão da segurança das próprias viaturas. Uma frase muitas vezes escutada é de que os jovens não devem conduzir logo um carro novo, pois vão acabar por bater. Mas talvez seja necessária uma mudança de mentalidade, precisamente por esse ponto. Se a primazia estiver na questão da proteção, mitigando as consequências dos embates, ao invés da desvalorização da viatura, devido ao sinistro, talvez o melhor seja mesmo que os mais jovens guiem carros mais modernos. No entanto, não é isso que ocorre. Além disso, não se pode retirar desta equação todos os novos sistemas e apoios que existem. A Ford, por exemplo, tem uma chave programável que limita a velocidade máxima da viatura, o que pode ajudar a manter maior controlo sobre os jovens.

Esta segunda galeria de fotos destaca as principais estatísticas rodoviárias europeias, e vem precisamente confirmar os dados anteriormente referidos. Fica comprovado que são os jovens que sofrem mais riscos de acidentes e mortes nas estradas. Mas há que destacar aqui também os condutores com mais idade, pois a forma como são afetados pelos acidentes, especialmente durante atropelamentos, coloca-os também entre os principais grupos de risco. E há que replicar ainda o alerta da PRP relativamente aos condutores “de duas rodas”, devido à crescente incidência de acidentes que envolvem motociclos e ciclomotores.

Para finalizar, há que trazer ainda para a ribalta a contribuição portuguesa para o projeto YEARS, que previa que jovens conseguissem, com orçamentos reduzidos e conseguindo o apoio de entidades locais, ajudar a resolver problemas de segurança em ambiente urbano. Em solo nacional a iniciativa ficou a cargo do Instituto Superior Técnico, pelas estudantes Laura Khammash e Marta Nascimento, que se focaram no problema dos atropelamentos recorrentes no cruzamento entre a Avenida Almirante Reis, a Rua Febo Moniz e a Rua de Angola, em Arroios.

Após a análise da situação, iniciada em 2016, a opção foi para um reforço do incentivo ao cumprimento das regras por parte dos condutores e também dos peões. Para garantir que os automóveis paravam nas passadeiras, e que era precisamente nesses locais que os transeuntes passavam, foram escolhidas duas soluções onde o impacto visual era notório. O primeiro passou pela colocação de marcas de aproximação às passadeiras, que ajudavam a incentivar os condutores a parar antes de chegarem a este local. Além disso, foi escolhida a utilização de um material designado “TyreGrip”, colocado em 2017. Além de ser vermelha, alertando os condutores para a aproximação às passadeiras e por isso ajudando-os a ficar alerta para a presença de peões, esta cobertura tem mais atrito e por isso reduz a distância de travagem dos automóveis. Uma solução que está já implementada e que, segundo as duas estudantes do Instituto Superior Técnico, falta agora compilar estatísticas para avaliar a sua eficácia.

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