Novo Peugeot 508: Uma berlina que quer ser coupé

Em Setembro chega a Portugal o novo 508, que a Peugeot vai apresentar em Março, no salão de Genebra. Já tive a oportunidade de o ver de perto, por dentro e por fora, e digo-lhe tudo sobre esta berlina que alinha no campeonato dos coupés de quatro portas.

“O nosso principal rival é o VW Arteon”, disse Bernard Hesse, chefe do programa do novo Peugeot 508, durante uma apresentação exclusiva para jurados do Car Of The Year, onde estive presente. Não ficam assim dúvidas sobre o diferente posicionamento do novo topo de gama da marca francesa, face ao modelo antecessor. Mesmo se as dimensões são um pouco mais compactas que as do Volkswagen, o 508 assume a sua postura de coupé de quatro portas que assenta num perfil onde a inclinação do óculo traseiro não deixa dúvidas.

O trabalho que a marca fez na procura das proporções certas demorou um ano e meio, investigando o que seria a morfologia identificável com um modelo premium. Uma maqueta de ¼ de escala, com as dimensões essenciais, serviu depois como base para o concurso de estilo interno, que definiu a aparência final. E o que se pode dizer é que a Peugeot conseguiu desenhar um modelo diferente de tudo, no segmento “D” dos familiares médios.

Com menos 8,0 cm de comprimento que o antecessor e menos 3,0 a 5,0 cm de altura face os rivais, uma grelha dianteira vertical e um conjunto de farolins traseiros inspirados no do 3008, o aspeto final está alinhado com os mais recentes modelos da marca e acrescenta uma dose de desportividade, acentuada pelos LED das luzes de dia, colocados em posição vertical. Gilles Vidal, o chefe de estilo, diz que “fomos ao limite de elasticidade do aço, para algumas das formas dos painéis da carroçaria” sobretudo em zonas com vincos mais fortes.

Com o nome de código interno R8, o novo 508 não deixa de exibir semelhanças com o concept-car Exalt, que serviu de teste para descobrir as reações do público a esta nova linguagem de estilo, que será declinada em modelos futuros.
Por dentro, o R8 também vai buscar algumas das ideias estreadas no 3008, aqui aplicadas a um modelo bem mais baixo. Por exemplo o formato quase “quadrado” do volante, com patilhas fixas à coluna de direção e o painel de instrumentos de 12,3”em posição alta, para ser visto por cima do aro. Mas também os botões com formato tecla de piano, na consola, que servem de atalhos para o sistema de infotainment. O monitor tátil (de 8” a 10” consoante a versão) está integrado no meio do tablier, em vez de destacado em cima como em modelos concorrentes.

É uma nova evolução do i-cockpit que inclui Mirror Screen e recarga de smartphone por indução, além de um pack Connect com navegação 3D por sistema Tom Tom e botão SOS. Por baixo, lá está a consola em ponte, com uma prateleira escondida por baixo e a mesma alavanca de caixa automática do 3008, com o botão dos modos de condução (Eco/Sport/Confort/Normal) destacado à frente. Há um esperado cuidado com o tipo de materiais usados no interior e com a sua montagem, apontando mais uma vez aos produtos premium.

Mas será preciso analisar uma unidade final para se poder tirar mais conclusões. O que ficou já evidente foi a posição de condução baixa, muito bem enquadrada com o volante e principais comandos. E com este formato de volante, nem sequer é um problema conseguir ver bem o painel de instrumentos, por cima do aro. Claro que a reduzida altura do tejadilho dificulta um pouco a entrada e saída dos ocupantes, sobretudo nos lugares traseiros, devido à inclinação do terceiro pilar. O espaço no banco traseiro é aceitável, não mais do que isso.

Nem isso poderia ser uma prioridade do conceito, uma vez tomada a decisão de fazer um coupé de quatro portas, que na verdade são cinco. A quinta porta tem um plano de carga um pouco alto, chapeleira dividida em duas partes, com uma delas fixa à porta e um fundo falso, para dividir a capacidade de carga de 487 litros em duas partes. O banco traseiro rebate nos tradicionais 40/60. Uma curiosidade: as portas, por não terem aros nos vidros, não podem levar vidro duplo, mas apenas um vidro com mais 1,5 mm que o normal. A confirmar mais tarde se são eficientes na insonorização.

O 508 usa a plataforma EMP2, numa configuração com suspensão traseira multibraços, o que promete uma dinâmica apurada e confortável, tanto mais que está disponível uma suspensão de amortecimento ajustável, sendo equipado com jantes que chegam às 19” e pneus 235/40 R19. A Peugeot diz que o novo modelo pesa menos 70 kg que o anterior, em parte devido ao uso de estampagem de aço a quente e de adesivos para a colagem de alguns painéis da estrutura, levando a uma subida de rigidez que a Peugeot não quantificou.

A gama de motorizações disponível vai ser bastante alargada, incluindo o 1.6 PureTech em versões de 180 e 225 cv e dois Diesel, o 1.5 BlueHDI de 130 cv e duas versões do 2.0 BlueHDI, com 160 e 180 cv. Todos disponíveis com uma nova caixa automática de oito relações. Esta será a gama que começará a estar disponível em Portugal em Setembro. Para 2019, fica guardado um Plug-in Hybrid de tração à frente, que junta o 1.6 PureTech de 180 cv a um motor elétrico de 80 cv, para um total combinado de 225 cv, acoplado à caixa automática de oito velocidades. A bateria está colocada sob o banco traseiro e terá uma autonomia de 60 km, em modo elétrico. Uma carrinha também está no programa, como seria de esperar.

Em termos de ajudas à condução, o 508 terá disponível um novo sistema de visão noturna, travagem automática de emergência, alerta de saída de faixa, alerta de atenção do condutor, máximos automáticos, reconhecimento de sinais de trânsito, Cruise control adaptativo com stop & go, assistência ao estacionamento e monitor ativo de ângulo morto.
A Peugeot ainda não anunciou preços, mas estima que o novo 508 se posicione entre o Passat e o Arteon.

Francisco Mota

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