A procura por aviões mais rápidos tem sido limitada nos últimos anos por dificuldades em encontrar materiais que resistam ao aquecimento provocado pela velocidade adicional. Mas uma porta foi agora aberta, com testes a apontar para o nitreto de boro (um átomo de boro e um átomo de azoto) como uma base para construir um material que poderá permitir aos aviões atingir velocidade cinco ou mais vezes superiores à velocidade do som.

Trabalhando em conjunto, a NASA e a Universidade de Binghamton, em Nova York, comprovaram que nanotubos construídos em nitreto de boro podem aguentar temperaturas de até 900 graus, pelo que poderiam ser usados na estrutura de aeronaves, substituindo os atuais nanotubos de carbono, que não suportam temperaturas superiores a 400 graus. Esta resistência ao calor é necessária para poder atingir velocidades de 6000 a 8000 km/h, que poderiam reduzir uma viagem de mais de seis horas para cerca de uma hora.

Não comecem, no entanto, a pensar já em viagens para dar um pulinho a Tóquio e voltar no mesmo dia. O boro é um material raro na Terra, no seu estado mais puro, e a produção destas estruturas de nitreto de boro é bastante cara. Só um grama deste material custa cerca de 850 euros, e seria proibitivo usá-lo para cobrir uma fuselagem inteira. Baixar o custo de produção vai ser o objetivo a longo prazo, pelo que os primeiros aviões a recorrer ao nitreto de boro deverão ser exclusivamente para aplicações militares.