Foram precisos vários meses de espera para conseguir ter as condições necessárias, mas a SpaceX de Elon Musk finalmente conseguiu fazer o voo inaugural de testes do seu foguetão Falcon Heavy, que Musk acredita ter potência suficiente para fazer viagens a Marte por um custo eficiente. Mas toda a gente está a falar da carga que foi largada em órbita: o Tesla Roadster pessoal do empresário americano.

O Falcon Heavy é, neste momento, o foguetão mais potente em atividade (não chega ao Saturn V das missões lunares, e deve ser batido pelo Space Launch System da NASA por volta de 2020), e é o único que está preparado para fazer missões além da órbita terrestre em qualquer momento. Tem também a vantagem de ser o primeiro foguetão capaz de recuperar os foguetões de primeiro estágio, os necessários para vencer a gravidade da Terra. Até aqui, estes só podiam ser usados uma vez.

Nestas circunstâncias, o Falcon Heavy torna-se o foguetão mais barato para missões espaciais. Cada lançamento custa 90 milhões de dólares para uma carga máxima de 63.800 kg, ou seja, 1139 euros por quilograma. Isto é cerca de metade do custo com o mais pequeno Falcon 9, também da SpaceX, e sete vezes mais barato que o Delta IV Heavy da United Launch Alliance.

Neste momento histórico, Musk escolheu colocar no espaço o seu automóvel pessoal, que tem o valor de 100 mil dólares. O Tesla Roadster vai oscilar numa órbita elíptica entre 1.0 e 1.5 unidades astronómicas, intercetando as órbitas de Marte e da Terra, por mil milhões de anos, de acordo com Musk, a tocar uma música de David Bowie em repetição constante. Existe algum risco que este objeto com mais de uma tonelada possa ser atraído pelas forças gravitacionais de qualquer um dos planetas, criando um bólide perigoso que pode causar um desastre ecológico.

Mas o mais provável é que o carro continue em órbita até ser destruído pela radiação solar, para a qual não há proteção natural no espaço (a Terra está protegida pelo seu campo eletromagnético natural). De acordo com William Carroll, professor de química na Universidade do Indiana, a radiação deve destruir todos os plásticos e peças de fibra de carbono durante o próximo ano, deixando apenas a estrutura base de alumínio intacta, mas vulnerável a impactos de poeiras ou até de objetos maiores.

Para Musk, estes 100 mil dólares são uma bela operação de marketing. Mas, em termos práticos, outras alternativas poderiam ser escolhidas, incluindo deixar mantimentos à espera da chegada da primeira missão humana a Marte. Ou, se Musk deixasse para trás a sua obsessão com o planeta vermelho, apontar à Lua, para mostrar que é viável a exploração comercial do satélite natural terrestre, e que não é preciso a NASA nem qualquer outra agência espacial estatal para lá regressar.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.