BMW e MINI partilhados chegam a Lisboa a 12 de setembro

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

A tecnologia alemã e a “alma portuguesa” juntam-se para fornecer à cidade de Lisboa uma nova solução de mobilidade. A aplicação DriveNow chega a Portugal a partir de 12 de setembro, numa associação com a Brisa, estando agora em fase de registo de utilizadores. Ao dispor dos lisboetas e visitantes da capital estarão 211 viaturas fornecidas pelo Grupo BMW.

Sendo a primeira cidade da Península Ibérica a contar com este conceito de carsharing, Lisboa irá beneficiar de um modelo de partilha de veículo que pretende retirar do interior da urbe um maior número de veículos particulares, procurando também facultar uma maior rotatividade do estacionamento ao evitar que um carro esteja parado por longos períodos de tempo, como hoje sucede na cidade.

Para Pedro Rocha e Melo, vice-presidente da Brisa, este novo serviço de mobilidade vem ao encontro da necessidade de atualizar o leque de serviços para os cidadãos, dando assim seguimento à estratégia da Brisa de “melhorar os serviços que prestamos aos portugueses e que já deu origem à Via Verde para pagamento de portagens, primeiro, e mais tarde para pagamento de estacionamentos e doutras funções fora das autoestradas”. Agora, a companhia pretende entrar na área dos “serviços de mobilidade para facilitar a vida das pessoas, possibilitar mobilidade eficiente nas autoestradas e nas cidades. Uma visão de mobilidade sustentada com integração dos diversos meios de transporte”, acrescentou aquele responsável.

Na prática, com este serviço, a Brisa assegura “diferentes alternativas para escolher a forma de mobilidade para cada tarefa, com o foco sempre colocado nas pessoas”, referindo também que a associação entre o DriveNow e a Brisa proporciona também uma inovação no sentido em que este serviço de carsharing não requer cartões (‘cardless’), funcionando apenas a partir de uma aplicação para smartphone e dos identificadores da Via Verde presentes nas viaturas. O investimento da Brisa foi de 5 milhões de euros.

A utilização do serviço está suportada na app DriveNow, disponível nas lojas Google Play (Android) e iTunes (iOS). Os clientes Via Verde beneficiam de uma solução integrada para o registo e o pagamento da DriveNow (em www.drive-now.pt).

Serviço com tudo incluído

Neste serviço proposto pela DriveNow e pela Brisa estão incluídos todos os custos de operação do veículo, incluindo o combustível e o estacionamento, além do seguro (limitado a um máximo de 200 quilómetros, a partir dos quais será aplicada uma taxa adicional de 30 cêntimos por quilómetro). Se o cliente quiser parar num local mas não quiser abdicar do carro – mantendo-o na sua posse – paga uma taxa de paragem de 15 cêntimos/minuto.

O conceito tem por base um ideal ‘free floating’, ou seja, de flutuação livre da oferta, não havendo um local de recolha ou entrega específico, podendo assim o cliente largar o carro num qualquer ponto da cidade de Lisboa, desde que no centro definido para a sua operação.

Isto porque, embora os carros possam ser levados para qualquer lado, apenas podem ser recolhidos ou deixados (em estacionamentos identificados como tal e geridos pela EMEL) numa área de 48 quilómetros quadrados que abarca não só a Segunda Circular, mas também as zonas mais ribeirinhas de Belém, Baixa Pombalina, Parque das Nações (em continuidade), indo ainda pela zona de Telheiras e Lumiar, mas que deixa de fora as zonas da Pontinha, Chelas ou Olivais. A razão, adianta João Pedro Oliveira, diretor-geral da DriveNow Portugal, prende-se com a necessidade de responder a uma maior densidade populacional, explicando que “os veículos têm de estar onde são precisos, senão as pessoas deixam de usar o serviço”.

De qualquer forma, os clientes não poderão deixar o veículo fora da sua zona de contratualização (termo que aqui serve para definir a reserva do carro e a sua utilização), uma vez que o próprio sistema não irá permitir ao utilizador ‘fechar’ a viagem nessa situação. Por outras palavras, dando o exemplo, se o cliente deixar o carro em Chelas, uma vez que não lhe será permitido ‘fechar’ o serviço, o mesmo continuará a contar e, estando associado à conta do cartão de crédito do utilizador, a quantia irá sempre somar. Assim se impede que os carros sejam deixados longe ou fora da sua zona de operação.

Tarifa fixa aeroporto: 5€

Passando a explicar o sistema, a sua interação é totalmente virtual, recorrendo-se apenas à aplicação DriveNow, a partir da qual os carros podem ser localizados, reservados e fechados. A taxa de inscrição é de 10 euros, incluindo 30 minutos gratuitos de condução, sendo que na campanha de lançamento – até 12 de setembro – a inscrição é gratuita e são oferecidos 20 minutos de condução. Dessa data até 12 de outubro, num mês que a marca apelida de promoção, a taxa de condução para qualquer carro é de 29 cêntimos/minuto. Depois do período de promoção aplicam-se, então, os preços de 29 cêntimos/minuto a 34 cêntimos/minuto.

Os primeiros 15 minutos da reserva são gratuitos, dando assim a possibilidade ao utilizador de localizar o carro e de se instalar, precavendo igualmente qualquer incidência que possa ocorrer e que atrase o utilizador nessa fase inicial de reserva.

Posteriormente ao lançamento, a DriveNow dá ainda conta de uma Tarifa de Aeroporto, cifrada em 5 euros, que permite viajar de e para o aeroporto por aquele valor, embora a entrada em vigor desta tarifa não esteja ainda definida. De acordo com João Pedro Oliveira, decorrem ainda as negociações com a ANA para a definição dos moldes finais do acordo e do estacionamento onde deixar os veículos.

Os clientes nacionais também poderão utilizar a sua conta da DriveNow numa qualquer outra cidade europeia em que o serviço esteja presente, salvaguardando-se o facto de que os minutos de bónus, caso existam, não se aplicarão no estrangeiro.

Frota renovada anualmente

Com uma frota composta por 211 veículos das marcas BMW e MINI, os preços variam entre os 29 cêntimos/minuto dos MINI e os 34 cêntimos/minuto dos elétricos i3 da BMW, havendo ainda uma tarifa intermédia de 31 cêntimos/minutos dos Série 1, também da BMW. No total, serão 11 modelos do i3, 64 unidades do MINI Cooper 5 portas, 15 unidades do MINI Cooper 3 portas, 30 MINI Clubman e 91 unidades do Série 1 em variante 116 (com caixa manual e automática).

A frota será renovada anualmente, sendo que a DriveNow admite ter um “pensamento elétrico, mas que é preciso esperar que as pessoas também abracem o conceito para que possam surgir cada vez mais elétricos nesta frota”. Seja como for, a troca de unidades numa base anual irá permitir à DriveNow ter sempre modelos mais ecológicos e eficientes. Uma vez finda a sua ‘vivência’ neste serviço, os modelos são devolvidos à BMW Portugal, que irá tratar de os colocar no mercado de usados.

Lisboa: A feliz número 13

A DriveNow é uma joint venture do BMW Group e da Sixt SE para o carsharing, encontrando-se disponível em 12 cidades europeias, com Lisboa a ser a 13ª cidade e a primeira na Península Ibérica a usufruir deste conceito. No total, tem mais de 960 mil clientes registados que localizam e reservam veículos usando a App ou o website DriveNow, podendo usar este serviços em várias cidades. A DriveNow opera uma frota de cerca de 5700 veículos em Munique, Berlim, Düsseldorf, Colónia, Hamburgo, Viena, Londres, Copenhaga, Estocolmo, Bruxelas, Milão e Helsínquia.

Para Nico Gabriel, um dos CEO da DriveNow, o objetivo é “mudar a forma como se aborda a mobilidade”, com uma vocação “mais orientada para as pessoas e não orientada para os carros”. O responsável explicou que, nessa visão, o objetivo é ter “uma cidade para as pessoas com meios de escolha para a mobilidade urbana”.

Destacando que o serviço tem vindo a crescer substancialmente desde o lançamento em 2012, tendo carros elétricos em todas as cidades e disponibilizando 700.000 viagens por mês em todas as cidades atualmente. A intenção é clara: tirar os carros da cidades, sendo indicado, com recurso a dados da cidade de Viena, que a taxa de compra de novos veículos descem 39,8%.

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